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quarta-feira, 23 de abril de 2014

À procura da renovação numa pavlova de Irish Coffee

Estávamos sentados na esplanada com a alma ao sol quando encetámos conversa com uma amiga. Seria dali a uns dois dias a Páscoa, e a conversa caiu inevitavelmente no assunto. Para quem não é religioso a Páscoa diz muito pouco. Faltam peças na história contada do filho de Deus e acreditar que Deus tinha um filho pode parecer tão estranho como para outros o filho de Deus ter uma mulher. Na Páscoa da minha infância havia religião. O padre da aldeia que acarretava a imagem de Cristo casas afora, as Páscoas da Beira Alta com os ramos do Domingo dos ditos, as procissões do enterro do Senhor e outras particularidades. Na Páscoa da minha idade adulta não há nada disso. 
A conversa centrou-se no significado da Páscoa. Dizia a nossa amiga que a Páscoa para ela era renovação, Primavera. Pareceu-me bem. E passar de página, acrescento eu. E aqui estou à espera dela, da renovação, pode ser com ou sem Primavera e do passar de página. Que venha depressa.

Pavlova de Irish Coffee

Ingredientes
4 claras
225 g de açúcar
3 colheres de chá de café solúvel em pós (não em grânulos)
1 colher de chá de amido de milho
1 colher de chá de vinagre branco

2 pacotes de natas para bater (usei Longa Vida)
3 colheres de sopa de açúcar
3 colheres de sopa de whiskey irlandês (pus Jameson)
Chocolate negro em raspas (usei Lindt)



Preparação
Pré-aquecer o forno a 150º.
Misturar o açúcar com o café em pó. Bater as claras em castelo bem firme. Acrescentar o açúcar em pequenas porções e bater até ficar aveludado e brilhante. Deitar o amido de milho peneirado e envolver com uma espátula. Por fim, adicionar o vinagre. Num tabuleiro de forno e sobre uma folha de papel vegetal desenhar uma circunferência de 23 cm. Deitar a mistura das claras sobre a circunferência, formando uma coroa e levar ao forno durante uma hora. Desligar o forno e deixar arrefecer completamente. 
Bater as natas. Quando começarem a engrossar adicionar uma colher de açúcar de cada vez e por fim o whiskey. Deitar sobre a pavlova e decorar com raspas de chocolate negro. 



Mais uma vez trago uma receita de gente adulta e que homenageia uma país que é querido cá em casa, a Irlanda. Fui buscar a inspiração à Capuccino Pavlova da Nigella e deixei o resto ao sabor da imaginação. Uma evocação do melhor Irish Coffee que bebi, algures em Kenmare num Domingo distante. 


domingo, 13 de abril de 2014

Bolo de framboesas e chocolate branco e os domingos indulgentes

Domingo é dia de nada fazer. Embora consagrado como dia do Senhor, seja lá ele quem for, não somos muito dados à religião cá em casa, acabo sempre por contrariar a premissa. Levanto-me não muito tarde, e o tempo atmosférico permitindo, atiro-me à roupa para lavar. Em dias e semanas sem invernia, uma máquina chegará, mas em dias e semanas como os que temos vivido, uma máquina é pouco. Começo, portanto, pela roupa. E lavar roupa é estendê-la e apanhá-la. Lá se vão as boas intenções do dia de nada fazer. Depois vem o almoço, e a segunda parte do dia de nada fazer. O almoço, ao contrário da roupa, é prazer. Prazer puro. Prazer conseguir ver a tarja de mar iluminado da janela da cozinha e as manhãs luminosas prenhes de esperança de dias que não sei se algum dia virão. Mas foi Domingo. Atirei-me à cozinha e saiu este bolo.  Entre a primeira e a última fatia soltaram-se risos e exclamações, a partilha de que preciso para viver. Pode ser ao Domingo ou noutro dia qualquer. Se eles não passo.

Bolo de framboesas e chocolate branco

Ingredientes

Para a massa
175 g de manteiga
175 g de açúcar branco
175 g de farinha com fermento
2 ovos
Raspa de meio limão
50 ml de buttermilk ou leite
100 g de chocolate branco cortado em pedaços pequenos
125 g de amêndoas raladas
150 g de framboesas frescas

Para decorar
Açúcar de confeiteiro
Framboesas frescas
Raspas de chocolate branco


Preparação 
Pré-aquecer o forno a 180º. Bater o açúcar com a manteiga até obter uma mistura cremosa. Acrescentar os ovos um a um, batendo entre cada adição e a seguir o buttermilk. Acrescentar a farinha e envolver com uma espátula, depois as amêndoas raladas e a raspa de limão. Juntar o chocolate branco e, por fim, as framboesas com cuidado para não as partir. Colocar por cima as restantes e empurrar para dentro da massa suavemente. Levar ao forno 50 minutos.


Retirar do forno e deixar uns dez minutos na forma. Desenformar, deixar arrefecer e polvilhar com açúcar de confeiteiro, raspas de chocolate branco e framboesas. 

Fiquei fã deste bolo. É húmido, pintalgado de sabores tão diversos, feito de contrastes e fica maravilhosamente no meu suporte de bolos novo. A repetir. Há que lhe dar uso.

Nota: esta é uma versão mais densa do Bakewell Cake, uma alternativa para quem não gosta muito de chocolate branco e este uma alternativa para quem é amante de chocolate. 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Pontos cardeais numa sericaia com ameixas de Elvas

Descobri que era do Sul quando me apaixonei pela luz de Lisboa, luz como não há outra e li nas palavras de José Cardoso Pires um bálsamo para a alma, o conforto para estados de alma sombrios não compatíveis com o fulgor da cidade branca.
Descobri que era do Norte quando me senti bem-vinda sem provas ou provações, apenas a porta escancarada, uma extensão evidente da alma calorosa que só a Norte se deixa sentir.
Descobri que era do Sul quando me arremessaram Vocês lá de Lisboa.
Descobri que era do Norte quando a minha mãe me pediu um testo, afirmou que o gato manquejava, usa cruzetas e cozinha em sertãs.
Descobri que era do Sul quando na esplanada da Graça vi a cidade estender-se para o Tejo como um tapete debruado e me senti de Lisboa como de mais lado nenhum.
Descobri que era do Norte quando me faltaram os dióspiros e os míscaros envoltos na frontalidade dos falares nortenhos.
Descobri que era do Sul quando li num guia de viagem sobre Portugal o preconceito escarrapachado em alemão como se de lei se tratasse Braga reza, o Porto trabalha e Lisboa diverte-se
Descobri que era do Norte quando as portas a Sul se me fecharam e os olhares de soslaio se me cravaram nas costas que nem flechas de bisonhice.
Descobri que era do Sul quando chego a Portugal em dia de sol brilhante e vejo Lisboa a meus pés como nenhuma outra e o coração me cutuca na alma Cheguei.
Descobri que era do Norte quando senti as portas semicerradas, uma frecha apenas, da qual se vislumbram olhos desconfiados, da alma nem sinal.
Descobri que era do Sul quando as palavras que ouço em surdina me trazem o escritor de volta Logo a abrir apareces-me pousada sobre o Tejo como uma cidade de navegar.
Descobri que era do Norte quando se me solta o vernáculo em momentos de fúria e intempestividade e mais não significa do que o alívio incomensurável da carga pesada dos sentimentos nefastos.
Descobri que era do Sul quando abri a porta do carro em pleno Alentejo e sou abraçada por um calor perfumado, um aroma inebriante, uma felicidade efémera e intensa.
Descobri que era do Norte quando filho da puta surge apenas o praguejar furioso não uma ofensa à progenitora do visado.
Descobri que era do Sul quando me questionaram E vocês, lá em Lisboa, o que é fazem no Natal?
Descobri que era do Norte quando me assola a nostalgia da Páscoa, a saudade do Pão-de-Ló com queijo da Serra, os desejos de leite-creme queimado com a pá de ferro fundido aquecido em fogão de lenha, aromas que a memória agarra à alma com a recordação doce dos afectos. 
Descobri que era do Sul quando descobri que era do Norte quando descobri que era do Sul.

E como sou de muitos lados escolhi uma das minhas sobremesas preferidas do Alentejo para participar no Dia Um... Na cozinha, nesta edição dedicada à doçaria regional. Sou do Sul também, sou muitas vezes de Sul.

Sericaia

Ingredientes
6 dl de leite
1 pau de canela
Casca de limão
7 ovos
275g de açúcar
75g de farinha
Canela em pó para polvilhar
1 pitada de sal grosso


Preparação
Pré-aquecer o forno a 200º. Colocar o prato redondo de barro no forno para ir aquecendo à medida que o forno aquece.
Ferver o leite com o pau de canela e a casca de limão. Retirar do lume e deixar que fique morno.
Bater as gemas com o açúcar até ficar um creme fofo e esbranquiçado.
Dissolver a farinha no leite morno, com uma vara de arames. Envolver o preparado dos ovos e açúcar e levar ao lume mexendo sempre até que engrosse e se forme um creme liso e homogéneo. Deixar amornar.
Bater as claras em castelo firme e incorporar no creme, envolvendo, de cima para baixo, com cuidado. Não mexer. A massa deve ficar leve. Retirar o prato do forno e untar levemente com margarina. Pode usar-se um pincel com um pouco de margarina. Uma vez que o prato está quente, a margarina dissolver-se-á rapidamente. Dispor a massa às colheradas desencontradas no prato, polvilhar abundantemente com canela e levar ao forno pré-aquecido durante cerca de 35 minutos.
Deixar arrefecer e servir com ameixas de Elvas.


Nunca tinha feito sericaia, embora seja das minhas sobremesas preferidas do meu querido e delicioso Alentejo. Requer calma e precisão. Esta receita deu uma sericaia enorme. Para uma menos exuberante aconselha-se meia receita. Mais um desafio superado. 






sábado, 29 de março de 2014

Pudim de brioche com compota de laranja e whisky no aconchego de uma casa inglesa

Os portugueses têm uma mania que muito me irrita: acham que vivem num país tropical. Eu suporto o frio, mas só o suporto na rua e no Inverno. Aceito-o como uma inevitabilidade. Visto-me a preceito e posso até ir rua fora, aconteceu-me bastante numa semana a norte de Inglaterra, recolho-me num chá quente e aceito a condição. O que não suporto mesmo é frio em casa. Odeio. Se me querem ver absolutamente intratável é dar-me uma casa fria, onde as pessoas andam encolhidas com frio. Excluo aqui a condição presente de depauperados em que teremos de decidir que contas pagar e estabelecer prioridades. Infelizmente. Mesmo antes desta miséria a todos os níveis que nos impuseram esta particularidade prevalecia. Não é uma prioridade estar quente em casa, ao que parece o português gosta da sensação cortante de andar de mantas em casa para ultrapassar o frio. A construção das casas não ajuda e a dimensão de palácio de muitas outras também não. Outra vez é uma questão de prioridades. 
Uma das coisas que gosto no norte da Europa é a tendência para as casas serem mais pequenas e muito bem aquecidas. O conforto que se sente quando se entra numa casa inglesa, e obviamente haverá excepções, não tem igual. E depois é o acolhimento, pormenores de flores nas janelas, bibelots que provocariam o vómito aos amantes de Mies van der Grohe, um bocejo aquele despojamento de formas e austeridade de linhas, um universo interior em contraste com a uniformidade da arquitectura exterior. E disso também gosto: viver dentro em vez de mostrar para fora.
Numa destas minhas estadias em Inglaterra apanhei naturalmente alguns dias de invernia. Estava muito frio nesse dia. Ia voando com o vento, os olhos lacrimejaram e a chuva estava gélida. Meti a chave à porta e o contraste não podia ser maior. Tudo me pareceu perfeito naquele momento. Tão perfeito que dei por mim a pensar que a felicidade é um momento assim e uma casa daquelas. Nesse dia à noite houve bread and butter pudding com um twist. Em vez de pão a dona da casa utilizou pannetone, juntou-lhe umas pepitas de chocolate e tâmaras em pedacinhos. Que forma tão boa de complementar o conforto e esquecer a invernia do dia. Disso sabem os ingleses. 

Pudim de brioche com compota de laranja e whisky 

Ingredientes 
1 brioche cortado em fatias (não usei todo)
Whisky aromatizado com baunilha e especiarias (usei William Lawson’s Super Spiced)
Compota de laranja
Açúcar para polvilhar

Para o ‘custard’
400 ml de leite
200 ml de natas espessas
3 colheres de sopa de açúcar
5 ovos
Preparação
Pré-aquecer o forno a a 200º. Cortar as côdeas do brioche e partir as fatias ao meio. Untar com margarina uma forma rectangular refractária. Barrar as fatias com a compota de laranja e colocar na travessa de forma sobreposta. Regar com o whisky a gosto e fazer outra camada.
Com uma vara de arames bater os ovos com o açúcar, juntar as natas e o leite. Verter sobre o pão e deixar repousar 15 minutos. 
Polvilhar com açúcar e levar ao forno pré-aquecido cerca de 40 minutos. Retirar do forno e servir morno.

Nota:
  • Originalmente o bread and butter pudding é, como o nome indica, pudim de pão com manteiga e uma instituição das mais simples e despretensiosas sobremesas britânicas. Optei pelo brioche por influência do que comi.
  • Uma vez que o brioche já tem manteiga optei por não barrar com mais manteiga.
  • Servi com uma bola de gelado de baunilha para apaziguar a intensidade de sabores.
  • Mais uma vez uma sobremesa para quem gosta de sabores fortes. O whisky aromatizado casa muito bem com a compota de laranja. Para uma versão menos intensa, omitir o whisky e substituir a compota de laranja por manteiga. 


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Tarte tatin de banana com pimenta rosa


Andava há dois dias com desejos. Desejos de um doce. Gosto de doces, de bolos, de preferência simples sem grandes cremes e corantes, posso satisfazer-me com um queque ou uma fatia de bolo de chocolate ou canela ou laranja com sementes de papoila. E de tartes. Quem por aqui passa sabe que a genética me castiga e nem sempre me posso dar aos prazer simples de uma chávena de chá com uma fatia de bolo. Na verdade, também não sou rapariga de me encharcar em doces numa base diária, nem sei há quantos anos não como um bolo de pastelaria. Sexta-feira foi dia de arrumar a semana atrás das costas e abalançar-me mais uma vez em experiências novas. Correu bem mas faltava-me uma sobremesa. Apetecia-me uma sobremesa. Tal como no dia do soufflé de caramelo faltaram-me ideias de execução rápida mas, para variar, o peso de estar a comer o que não devia terá falado mais alto. Ontem os apetites continuaram. Não me abalancei na cozinha, mas continuei com a sensação de incompletude. Hoje em dia de preguiça e sol resolvi pôr fim a esta insatisfação. Afinal era Domingo, dia de descanso, ponte entre o fim-de-semana e o início da rotina que começará amanhã e dei-me a esse direito. As calorias que não gastei na dourada grelhada com legumes do almoço, e que bom que estavam, apliquei-as numa fatia desta deliciosa tarte tatin. Aquilo redondo que vêem no prato é isso mesmo: uma bola de gelado de baunilha que casa na perfeição com este pecado. Andava a namorá-lo desde que o livro me foi oferecido pelo Natal e sou adepta de não procrastinar o prazer. Que bela indulgência.

Tarte tatin de banana com pimenta rosa

Ingredientes
1 base de massa folhada redonda refrigerada
8 bananas não muito maduras
150 g de açúcar
50 de manteiga
2 limas (sumo de uma e raspa de duas)
Pimenta rosa (1/2 colher de chá)


Preparação
Pré-aquecer o forno a 180º. Retirar a massa folhada do frigorífico.
Descascar e cortar a bananas em rodelas grossas com cerca de dois dedos de altura. Misturar a raspa de duas limas e regar com o sumo de uma.

Numa frigideira larga anti-aderente, usei a de sempre com 28 cm de diâmetro e duas pegas, deitar o açúcar e a manteiga. Sem mexer, deixar que se derretam, fazendo movimentos circulares com a frigideira. Num almofariz ou com um moedor de pimentas reduzir a pimenta rosa e adicioná-la ao açúcar e manteiga. Colocar as bananas em rodelas por cima e aconchegar bem, adicionando mais rodelas à medida que vão diminuindo. Deixar caramelizar. Quando começar a caramelizar, pôr por cima a massa folhada, aconchegando as extremidades, quase embrulhando a fruta. Perfurar a massa, fazendo dois ou três furos para que não enfole. Levar ao forno cerca de 30 minutos.

A técnica desta tarte não difere da tarte tatin tradicional. O que dita a diferença é a escolha dos ingredientes. 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Soufflé de caramelo ou molotof reinventado

Sábado é dia de suavizar o regime alimentar a que me impus e prevaricar moderamente.  Cinco e meia da tarde e ponho-me de desejos ‘apetecia-me um doce’. Dou voltas à cabeça. Debato-me entre o cumprir e prevaricar. Penso alto ‘apetecia-me uma coisa doce’. Respondem-me em sintonia. Sim, um doce para finalizar ficaria mesmo bem. Começo a rever mentalmente receitas rápidas e a excluir o que não se aplicava nem correspondia aos nossos desejos. Não era um bolo, demasiado pesado para um sábado à noite, não tinha tempo para uma mousse, não havia tempo para assentar, apurar a consistência, gelados estavam fora de questão, crumbles, tartes e cobblers idem, não havia fruta em casa que se prestasse a qualquer um e não agradaria aos dois. Posto isto, fui continuando na senda dos apetites, excluídos que estavam os desapetites e impossibilidades. E lembrei-me: assim algo leve, a derreter na boca que finalizasse a refeição sem deixar a sensação desconfortável de enfartamento. O segundo passo foi usar o que tinha em casa. Era tarde, não me apetecia sair sob pena de comprometer o jantar, e teria de me orientar usando o que havia em casa e o que havia era açúcar, ovos, farinha, chocolate. E claras. No frigorífico havia claras esquecidas que havia guardado para uma pavlova talvez. Entre claras, leveza e indulgência algo se havia de arranjar. O resultado foi o que se vê. Molotof reinventado ao qual prefiro chamar soufflé de caramelo. Singelo, em doses individuais, leve e a derreter-se na boca. Passou a ser um preferido cá em casa. Quase começo a duvidar se o molotof tradicional não terá sido destronado por este momento de reinvenção aguda. Menos é mais. Menos ingredientes foram muito mais. Açúcar, claras e a dose de sempre de entrega.

Soufflé de caramelo

Ingredientes
4 claras à temperatura ambiente
4 colheres de sopa generosas de açúcar
Margarina
Açúcar demerara

Para o caramelo
5 colheres de sopa de açúcar bem cheias
3 colheres de sopa de água


Preparação
Pré-aquecer o forno a 180º.
Untar 4 ramequins com margarina e revestir com o açúcar demerara.
Fazer entretanto o caramelo. Pôr ao lume numa frigideira o açúcar com a água e deixar caramelizar. Desta vez deixei o caramelo ficar escuro. Juntar um pouco mais de água se necessário. Não mexer. Fazer apenas movimentos circulares com a frigideira e o caramelo far-se-á por si próprio. Deixar arrefecer um pouco.
Bater as claras em castelo. Quando começarem a formar picos adicionar uma colher de sopa de açúcar de cada vez, batendo a cada adição. Quando as claras estiverem bem firmes e sedosas, juntar um pouco de caramelo e bater com a batedeira. Deitar o resto do caramelo cuidadosamente em pequenas porções e envolver com uma espátula. Deitar nos ramequins e levar ao forno 10 minutos. Desligar o forno findo esse tempo e deixar arrefecer ou amornecer dentro do mesmo sem o abrir nunca.


sábado, 16 de março de 2013

Com as mãos, a pavlova


Se me perguntarem o que reparo com frequência nas pessoas, responderei as mãos. Gosto de mãos de dedos longos, gosto de mãos equilibradas com unhas quase rectas a rematar, nem demasiado longas nem demasiado curtas. Gosto de pessoas que sabem usar as mãos. Usá-las para pegar em objectos, usá-las para escrever, usá-las para abraçar, dar, receber, acarinhar. Embirro com quem usa as mãos como garras, a ganância estampada na forma de se apoderar do mundo, a falta de elegância, de calma, de prazer diminuto em cada coisa que se faz. Gosto muito das mãos. Gosto de mãos que alcançam, as mãos como pontes entre mim e os outros, entre mim e o outro, entre nós. Gosto de mãos que falam quando as palavras são inúteis. As que tocam levemente. E eu que sou de letras e falas, de rompantes sonoros, sou mulher de toques suaves, os toques que uso para consolar vidas amargas impostas por sistemas absurdos que nos violentam humilham, dizimam. São as mesmas mãos que uso para limpar uma lágrima atrevida, e as mesmas que afagam a bicharada de quatro patas, as mesmas que acariciam o manjericão ou a alfazema para passear no olfacto e assim pela leveza de momentos de inexplicável, único, efémero prazer, um tremor tão intenso que poderia ser um orgasmo mas demasiado sumário para que o seja, êxtases breves com que os deuses me presentearam. Estas mãos são as mesmas mãos que me levam cozinha adentro, as que amassam, envolvem, misturam e vestidas de delicadeza se dedicam à alquimia de transformar. É isso cozinhar. Alquimia. Prazer. Êxtase. Transformação. Com as mãos.

As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre


Mini pavlovas de chocolate com frutos vermelhos

Ingredientes:
4 claras de ovos
170 gramas de açúcar de confeiteiro
1 colher de chá de vinagre
1 colher de chá de amido de milho
25 gramas de chocolate em pó
50 gramas de chocolate em barra

Frutos vermelhos a gosto
Iogurte grego natural não açucarado

Preparação:
Pré-aquecer o forno a 150º. Bater as claras em castelo. Quando estiverem firmes, adicionar o açúcar em doses pequenas batendo entre cada adição. Continuar a bater e quando ficarem bem firmes, juntar o vinagre, o amido de milho e o chocolate em pó, com uma espátula,e, por fim, o chocolate em pedaços. Num tabuleiro, deitar colheradas do preparado de claras e levar ao forno uma hora. Findo o tempo, desligar o forno sem abrir. Introduzir uma colher na porta para ficar apenas com uma nesga aberta e deixar arrefecer completamente. 
Servir com iogurte grego e frutos vermelhos frescos. Delicioso. Com as mãos tudo se faz.


Receita inspirada aqui.

Aqui fica a minha participação na iniciativa 'Convidei para jantar' iniciada pelo blogue Anasbageri e nesta 10ª edição a cargo da doce e talentosa CNS do inexcedível Come chocolates, pequena, come chocolates. Um convidado que muito me agradou.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Momento Masterchef numa torta de chocolate


A proliferação de programas e canais de culinária foi das piores e das melhores coisas que me podiam ter acontecido. Melhor porque enriqueceu substancialmente este meu gosto de misturar sabores, mostrou-me uma panóplia de chefs que desconhecia, contribuiu para corroborar algumas certezas sobre a cozinha e estimulou a variedade cá por casa. Não me tenho dado mal. Só vantagens. A parte menos boa é que as  experiências culinárias passaram a ser sujeitas a um veredicto certeiro depois da incursão em palatos alheios. Desconfio que o apuramento de olfacto e paladar que tanto me caracterizam terá passado por osmose para o meu consorte. Adquiriu os tiques todos, a linguagem adaptou-se ferozmente e ‘flavour’ passou a ser a palavra eleita. O momento Masterchef do dia é seguido de grande risada mas de vez em quando sou avisada de que teria sido ‘chopped’ ao que respondo que aqui a minha modesta cozinha não está a concorrer para nenhuma estrela Michelin e que Michelin cá em casa só mesmo uma protuberância que me envolve a cintura. A minha grande e enorme sorte é que, por via da minha profissão, estou habituada ao escrutínio implacável de trinta almas que mudam a cada noventa minutos. Se fosse rapariga fraca de nervos e comichosa nas opiniões alheias ter-me-ia já debulhado em amuos mas se fosse rapariga pródiga em amuos jamais este post veria a luz do dia. Esta receita que hoje publico passou coxa no crivo selectivo. A ganache. Dizem-me que ficaria melhor sem ela. Teimei. Não pode. Sem ganache fica sensaborão. Mas quem sabe se a tivesse substituído por doce de frutos vermelhos não ficasse pior. Há que ouvir a crítica. E seguir a intuição. Doce de frutos vermelhos na próxima. Serei ‘chopped’?

Torta de chocolate

Ingredientes
Para a torta:
250 g de farinha com fermento
2 ovos
2 dl de leite
6 colheres de sopa de açúcar
6 colheres de sopa de chocolate em pó
50 g de manteiga.

Para a ganache:
Meia tablete de chocolate culinário
2 colheres de sopa de açúcar
1 colher de sopa de manteiga
150 ml de natas

Confecção
Pré-aquecer o forno a 200º. Forrar um tabuleiro com papel vegetal anti-aderente.
Numa tigela misturar os ingredientes secos. Fazer uma cova no meio e deitar os líquidos. Com a batedeira em velocidade baixa, misturar todos os ingredientes até ficar uma massa homogénea. Não bater demasiado. Deitar no tabuleiro e levar ao forno cerca de doze minutos.
Enquanto a massa coze, partir o chocolate em pedaços pequenos e derreter com a manteiga e o açúcar. Juntar as natas e mexer até ficar um creme liso e brilhante.
Desenformar a torta sobre um pano ou rectângulo de papel vegetal polvilhado com açúcar. Barrar com uma parte da ganache e enrolar. Colocar na tarteira e regar com a restante ganache. Deixar arrefecer e nham nham.

Receita tirada de uma "Saberes e Sabores" do tempo em que eu ainda comprava revistas de culinária. Gosto muito desta torta. É pouco doce, meio húmida, fica ainda melhor no dia seguinte e é muito fácil de fazer. 

domingo, 20 de janeiro de 2013

Receita para um Janeiro cinzento


A janela da cozinha é a minha companheira indefectível das incursões na cozinha. É nela que encontro os reflexos de mar prateado em fim de Verão, o azul intenso na alvorada da Primavera lá para Março, os ocasos barrocos de vermelhos intensos e é através dela que vejo barcos bem lá no fundo do horizonte, barcos julgo eu, porque afinal vislumbro apenas rectângulos que deslizam lentamente seguindo a linha que separa o mar do céu e julgo serem barcos, que mais poderiam ser. Da janela da cozinha vejo as estações do ano: a árvore que ora floresce ora se mostra despudoramente nua, os limoeiros frondosos não marcando época nenhuma e a tarja de mar que aumenta ou diminui, sabe deus e Copérnico o que se sofreu por esta descoberta, diz que se move, a Terra. A janela da minha cozinha diz-me que é Inverno. Não há mar lá no fundo, a árvore pequena de flor roxa ressentiu-se do temporal e à minha frente há uma tela cinzenta  e opaca de nevoeiros góticos pontilhada de pingos generosos de chuva cortada pela relva de verde intenso. A relva ao contrário de mim, gosta de Inverno e experimenta os seus melhores dias nestes momentos que desejo fugazes de invernia furiosa. A minha janela diz-me que é Janeiro e eu odeio Janeiro.

Bolinhos/biscuits/scones (riscar o que não interessa) de natas

Ingredientes:
2 medidas de farinha de trigo com fermento
2 colheres de sopa de açúcar
1 colher de sobremesa de fermento
1 pitada de sal refinado
1 1/4  medidas de natas

Preparação:
Pré-aquecer o forno a 200º. Numa tigela misturar os ingredientes secos. Abrir uma cova no meio e adicionar as natas. Com um garfo misturar as natas com os ingredientes secos até formar a massa. Se for necessário acrescentar mais natas cuidadosamente e envolver. Não bater a massa. Tender numa superfície com farinha e, com um cortador de biscoitos, cortar os bolinhos com cerca de 1 cm de altura. Levar ao forno cerca de 18 minutos.  Servir mornos.

Nada melhor para aliviar este Janeiro cinzento. 


Mais um desafio Dorie às Sextas, na página 23 do BakingAgradeço à Maria ter tentado esta receita. Os dela estavam tão lindos que não resisti.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Cheesecake de lima e uma fase na vida


Todos temos fases na vida e fases de vida. Estas minhas fases não são períodos de transformação exterior, não correspondem a mudanças de vida, não se podem balizar por acontecimentos extrínsecos casuais. Todas elas confluem num único factor: viajar. Passei pela fase cubana, desde Agosto último que ando na fase irlandesa, terei passado de forma mais breve pela fase cabo-verdiana também e sei que me esperará mais uma destas fases assim eu possa pegar em mim e dar uma volta fora de portas ou ter projecto para isso.
Estas fases caracterizam-se por manias que se acumulam mas todas elas se resumem a: um, viajar; dois, ler muitos autores das nacionalidades dos países eleitos; três, soar o alarme sempre que me surgem palavras escritas ou faladas desses mesmos locais; quatro, incessantes buscas online e quinto, ouvir música dos mesmos países quase obsessivamente. Esta última aplica-se com muita parcimónia à minha fase irlandesa mas cumpriu-se com uma disciplina reverenda na fase cubana.
A minha fase cubana terá sido a mais forte. Começou na passagem de ano em que voei pela primeira vez para a pérola das Caraíbas, cumpriu-se no dia em que sozinha vi  Buena Vista Social Club , e digo sozinha porque estava duplamente sozinha, desamparadamente só, estendeu-se até uns anos depois com uma semana em Havana e foi-se perpetuando na música que ouvia sem parar, livros e livros de autores cubanos que fui lendo avidamente e memórias daquela semana de Junho, mais intensa que a de Dezembro porque os sítios nunca são apenas os sítios, os sítios são o que nós somos naquele momento naqueles sítios e as pessoas que a nosso lado calcorreiam os mesmos trilhos. Regresso muitas vezes a Cuba. Regresso-lhe sempre que passo a mão pela hortelã que cresce desmedida, que a fragrância do rum Havana Club Añejo Blanco se solta de um mojito e sempre que da janela da alma ouço Ibrahim Ferrer a cantar 'Dos Gardenias' e ouço-o muitas vezes.
A minha fase mais duradoura não sei se se deixará epitetar por fase. Começou desde que me conheço, foi-me dada pelos hábitos gastronómicos da minha avó paterna, prolonga-se na deliciosa feijoada à brasileira pela mão exímia da minha mãe e todos os dias me lembro dela. É trunfa superlativa, as ancas largas e as coxas grossas. É o meu pai que me falta. É o António Carlos Jobim a cantarolar Olha que coisa mais linda, a Bethânia com o 'Reconvexo' e os olhos cristalinos de Chico Buarque passeando-se no Calçadão. São os livros que recebo por mão amiga e carinhosa daquele lado do mar. Imortalizou-se no dia de Março em que sobrevoei o Rio de Janeiro e renasce em todos os momentos em que solto a alma e em que a fragrância da lima se liberta. Cozinhar raramente é transformar ingredientes apenas. Viaja-se muito também. Encontramo-nos muito também.

Cheesecake de lima

Ingredientes
1 lata de leite condensado
2 pacotes de queijo-creme para barrar (usei Philadelphia)
1 iogurte grego natural sem ser açucarado
6 folhas de gelatina
Sumo e raspa de 3 limas médias + raspa para decorar

Base:
2 pacotes de bolacha de aveia
120 g de margarina

Preparação
Demolhar as folhas de gelatina em água fria e reservar. Para a base: amolecer a margarina. Numa picadora ou robot de cozinha picar as bolachas até ficar uma areia grossa. Juntar a margarina e misturar tudo muito bem. Deitar numa forma de mola e com os dedos criar uma camada uniforme. Reservar. Bater o leite condensado com a raspa das limas, o queijo creme e o iogurte. Derreter as folhas de gelatina em água a ferver (cerca de duas colheres de sopa), deixar arrefecer um pouco mexendo sempre, adicionar o sumo das limas e juntar ao preparado de leite condensado, queijo creme e iogurte. Deitar por cima da base de bolacha e polvilhar com raspa de lima a gosto. Levar ao frigorífico de um dia para o outro.
Para aumentar a receita, pôr mais um iogurte e mais uma folha de gelatina. 


Este cheesecake, além de me levar a viajar, está no meu top de doces preferidos. O contraste do sabor cítrico e perfumado da lima com a cremosidade da textura faz as minhas delícias. Gosto de diversidade. Exactamente como na vida.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

No rescaldo do Natal: azevias de grão


Esta é a altura imprópria para deixar aqui uma receita de Natal. Estamos todos satisfeitos, satisfeitíssimos, com as barrigas levemente pesadas e a desejar que isto acabe depressa ou teremos de comprar roupa um tamanho acima, o Natal até já passou, mas que ocasião mais adequada para umas azevias bem recheadas com aromas quentes de natividade, de massa leve e quebradiça e carregadinhas de açúcar e canela?
A história das minhas azevias remonta a uns anos atrás. É um dos doces de Natal preferidos da minha mãe e aquele que ela tentava comprar em pastelarias na esperança de encontrar a meia-lua perfeita, recheada decentemente em qualidade e quantidade e sem massa grossa e dura. As tentativas foram muitas e quase sempre infrutíferas: recheio em quantidade insuficiente, recheio mal confeccionado, massa muito grossa e em excesso para a ervilha de recheio. Algumas vezes acumulavam-se infortúnios numas lapas informes a que pomposamente nas pastelarias chamavam azevias: massa grossa e pouco recheio e recheio mal confeccionado. Um dia num Natal passado, nem sei bem precisar quando, meti na cabeça que havia de pôr fim àquela procura e fazer eu mesmo umas azevias para a minha mãe com quem aprendi o gosto pela cozinha e herdei o prazer de uma boa garfada. Procurei receitas, inspirei-me em sítios vários, segui a intuição e aprumei-me na consecução de um desejo maternal. Nada, não há nada que não se faça para agradar a uma mãe. A minha merece tudo, tudinho.

Azevias

Ingredientes

Massa:
500g de farinha de trigo
125g de banha de porco
1 pitada de sal refinado
1 dl de whisky (não tenho aguardente em casa como mandam as receitas de azevias habitualmente)
Água quente (três ou quatro colheres de sopa)

Recheio:
400g de grão cozido
200g de açúcar
Raspa de 1 laranja
Dois paus de canela.
3 gemas de ovos

Primeiro o recheio: cozer o grão na panela de pressão. Usei grão cozido mas levei-o à panela de pressão para cozer muito bem. Retirar e escorrer. Num passe-vite, passar o grão. Juntar o açúcar, a raspa da laranja e a canela. Se for necessário, adicionar uma ou duas colheres de água. Levar a lume brando, mexendo sempre até fazer ponto de estrada. Retirar do lume e juntar as gemas. Como está muito quente, as gemas não devem ser incorporadas de uma só vez. Numa tigela à parte, separar as gemas das claras e adicionar às pequenas colheres pequenas do preparado de grão e ir mexendo sempre para os ovos se misturarem bem. Quando tiver uma quantidade razoável deste preparado podem então adicionar-se ao restante grão. Levar a lume brando apenas o tempo suficiente para os ovos cozerem. Retirar do lume e deixar arrefecer. Fiz o recheio de véspera e reservei no frigorífico.
Para a massa: numa tigela misturar bem a farinha com o sal e abrir uma cova no meio. Adicionar a banha derretida e mexer sempre do meio para fora. Adicionar o whisky e, por fim, a água. Deixar a massa descansar uma meia hora. Numa superfície com farinha, tender bem a massa até que fique fina. Colocar recheio a gosto, embora não deva ser demasiado para as azevias não abrirem ao fritar, e passar a massa por cima. Com uma forma redonda ou uma copo ou uma caneca à falta da primeira, cortar em meias-luas. Fritar em óleo quente, escorrer e passar por açúcar e canela.



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Bolachas de especiarias e a magia do Natal


Já comecei este post três vezes. Uma entrava demasiado na minha intimidade, outra não me soava bem e esta é a terceira que, desconfio, terá mais possibilidade de ver a luz do dia ou da noite, já que não desvela a minha intimidade, estou aqui há três linhas a não dizer coisa nenhuma e não me tem soado mal de todo. Acontece que hoje foi um dia diferente: estava sol em pleno Inverno. Inverno para mim é para lá de Novembro ou até de Outubro se se puser firo e chuva e humidade e nevoeiro como se pôs de há três dias a esta parte. Isso para mim é Inverno e eu não gosto de Inverno. Estando sol consegui a proeza máxima de lavar roupa. Sou daqueles bichos domésticos com a mania do arejamento e gosto da roupa seca ao sol e ao vento, gosto do cheiro e da textura da roupa meio hirta e meio batida pela natureza. Além de estar sol, aproxima-se a passos largos o tempo em que vou estar ausente da minha vida profissional, aquela que um dia abracei cheia de sonhos e força e a que abandonaria agora, já, cheia de mágoa, humilhada por um país que me maltrata. E para coroar tudo isto, o Natal entrou-me hoje pela casa. Hoje fomos dois: ovos, açúcar, especiarias. Esperámos os dois. Opinámos os dois. Provámos os dois. Rimos os dois. Como na vida. Deve ser isto a magia do Natal.

Bolachas de especiarias

Ingredientes
350 g de farinha com fermento
175 g de açúcar amarelo
150 g de margarina
1 ovo
2 colheres de sopa bem generosas de mel
1 colher de chá de fermento
1 ½ colher de chá de canela
1 colher de chá de gengibre em pó
1 colher de chá de pimenta da Jamaica moída

Preparação
Misturar a farinha, as especiarias e o fermento num recipiente. Bater a margarina à temperatura ambiente com o açúcar até ficar um creme esbranquiçado e homogéneo. Juntar o ovo e continuar a bater até incorporar bem. Adicionar o mel e, por fim, os ingredientes sólidos. Moldar dois discos, envolver com película aderente e levar ao frigorífico durante uma hora.
Pré-aquecer o forno a 180º. Estender a massa numa superfície com farinha e cortar as bolachas com formas de formas diferentes. Levar ao forno cerca de 15 minutos ou até começarem a ficar morenas. Retirar do forno e polvilhar com açúcar de confeiteiro com canela. 


sábado, 24 de novembro de 2012

Tarte de pêras ao sabor da intuição


Em tempos que já lá vão, habitavam a minha existência dois seres estranhos. Uma introdução assim poderia ser também uma introdução às nossas vidas: todos nós em tempos idos já tivemos na vida gente estranha que serve apenas o propósito de testar os nossos limites: da paciência, da tolerância, da condescendência e às vezes da nossa liberdade, e de nos permitir que nos conheçamos melhor e melhor também os nossos limites. E já que este é um blogue de culinária, cinjo-me às características que me surpreendiam apenas nesta área da vida. Qualquer receita que passasse pelas mãos daqueles dois e posteriormente pela cozinha tinham de incluir com exactidão enervante todos os ingredientes na medida irritantemente precisa. Para quem, como eu, cozinha muito por intuição aquela disciplina espartana não era nunca vista como evidência de um estádio superior de artes culinárias mas uma incapacidade debilitante de experimentar, ousar, transgredir e um espartilho que me estrafegava as vontades. Se na receita vinha uma folha de couve, uminha, uma apenas teria de povoar o repasto, mesmo que, pelo cheiro e intuição, duas ficassem melhor ou até que pudessem ser dispensadas caso não houvesse em casa ou substituídas por outro ingrediente qualquer. Metade intuição, um quarto de técnica e um quarto de disciplina, cozinhar é sempre mais do que respeitar com exactidão obsessiva o que nos mandam fazer, mesmo que algumas receitas exijam um cuidado extremo nas proporções dos ingredientes ou respeito absoluto pelos tempos de cozedura. Sem eles também não há nada.
Um destes dias quando abri o frigorífico lembrei-me delas. Arrumadas com critério numa caixa de papel que outrora albergou cerejas, as pêras quase me cutucaram quando me estiquei para chegar aos iogurtes. Mais uma semana e seria tarde de mais. Agarrei na intuição, esqueci receitas, espreitei o forno, cheirei os aromas que se casavam pela casa e fiz o que me passou pela cabeça naquele momento: uma tarte com sabor a Inverno, uma reminiscência dos mercados de Natal na Alemanha, quente e reconfortante, coroada com Streusel de avelã. Ora vejam:

Tarte de pêras com Streusel de avelã

Ingredientes
1 base de massa quebrada
Pêras rocha (umas quatro ou cinco, dependendo do tamanho)
1 colher de sopa de açúcar mascavado
1 colher de sopa de açúcar branco
2 colheres de chá de canela
1 colher de chá de pimenta da Jamaica
Moscatel

Streusel:
2 colheres de sopa de açúcar amarelo
2 colheres de sopa de farinha
2 colheres de sopa de miolo de avelã picado
2/3 colheres de sopa de margarina à temperatura ambiente

Preparação
Pré-aquecer o forno a 180º. Forrar uma tarteira de fundo amovível com a base de massa quebrada. Com um garfo picar o fundo da massa. Reservar. Preparar de seguida o Streusel: juntar os ingredientes sólidos numa taça. Adicionar a margarina cortada em pedaços pequenos e com a ponta dos dedos misturar com os restantes ingredientes. Deve ficar uma massa esfarelada igual à que se faz para o crumble. Reservar no frigorífico.
Cortar as peras em tiras finas. Cortei primeiro em quartos, depois em oitavos e ainda outra vez. Dispor as peras na tarteira e polvilhar com a mistura dos açúcares e das especiarias. Borrifar levemente com Moscatel. Repetir a operação até a tarteira ficar bem cheia de fruta. Levar ao forno com uma folha de alumínio por cima para cozer as peras. Quando estiverem cozidas, retirar a folha, deixar mais uns minutos no forno e, por fim, cobrir o Streusel. Deixar alourar. Et voilá. 


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Homenagens de açúcar-queimado


Era Primavera. Quando o fui ver não se deixou derrotar pela cama de hospital e declarando o amor eterno à minha mãe ordenou-me que, apesar do caos e no meio do caos, lhe comprasse um presente de aniversário. Seria dali a um ou dois dias. Ainda argumentei que poderíamos esperar pelas suas melhoras, ficaríamos apenas por um bouquet de flores simbólico, a mamã compreenderia. Não se deixou convencer e lá da cama rodeada de aparelhómetros estranhos afirmou ‘enxoval que não vai com a noiva…’. Comprei o presente de aniversário, celebrá-mo-lo tal como havia vaticinado e poucos dias depois ele deixaria aquele lugar e regressaria à cama que foi sua durante um mês aproximado. Retomada a rotina e as refeições, quando lhe perguntámos se tinha algum desejo especial foi peremptório: leite-creme. No meio do caos fiz contas ao tempo que me sobrava entre trabalho intenso e visitas diárias ao hospital sem que em momento algum me passasse pela cabeça faltar ao desejo afirmativo do meu querido pai. Falha-me a memória e não consigo já pensar se terei sido eu ou a minha mãe a fazê-lo, inclino-me mais para a segunda hipótese, mas ainda o vejo à nossa frente: o meu pai sentado na cama, renovado e cheio de vontade de sair dali e o seu leite-creme, cozinhado com o amor incondicional que eu e a minha mãe lhe tínhamos.
Hoje foi dia de cemitérios. Dia de visitar quem partiu. Fiquei em casa a dar Pão-por-Deus, angustiada com a perspectiva de ser o último. Fiz um almoço acolhedor que partilhei com os que mais amo nesta vida e sem os quais não concebo sequer a minha. A sobremesa foi leite-creme. A minha maneira de homenagear o meu querido pai. Faltava à mesa, mas estará sempre connosco. E estava bom, papá.

Ingredientes:
1 litro de leite
6 gemas de ovos pequenos
2 colheres de sopa bem cheias de farinha de trigo
6 a 8 colheres de sopa de açúcar

Preparação:
Num tacho juntar a farinha e o açúcar. Juntar um pouco de leite e depois as gemas de ovos. Mexer bem. Adicionar o leite aos poucos, mexendo sempre a cada adição.
Levar a lume brando. Mexer sempre para não ganhar grumos. Deixar engrossar mas não deixar ferver. Depois de ficar um creme uniforme e aveludado, deitar num recipiente. Deixar arrefecer um pouco até ficar com uma camada solidificada na superfície. Espalhar açúcar com uma colher e queimar. Usei um ferro antigo que já vem da casa da minha avó mas pode ser feito com um maçarico de cozinha. Esta sobremesa tão deliciosa quanto simples e autêntica deve ser feita com tempo e paciência. Não se compadece com ritmos alucinantes de cozinheiras apressadas. 


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Bolo de ameixas com laivos de traição


Eram lindas de consistência bem firme e levavam tempo até à maturação óptima. Olhei-as várias vezes mas em momento algum lhes tinha vaticinado outro destino que não fosse ferrar-lhes o dente e ir saboreá-las com os pés na relva a ouvir o som do campo: chilreios vários e ranger de pinheiros e canas aqui mesmo ao lado. Este destino contudo havia de não ser cumprido. Era tão cedo naquele domingo que achei que o podia ainda ocupar com uma sobremesa para o almoço. Sem tempo para algo mais fresco que pudesse solidificar no frigorífico, optei pela receita que me tinha chamado os sentidos. Verifiquei tudo: ovos, açúcar, margarina, farinha, mas faltavam as ditas. Telefono Olha traz-me ameixas do supermercado, daquelas que gosto. ‘As que gosto’ são umas escuras por fora de polpa meio esverdeada, abrem-se ao meio, extrai-se facilmente o caroço e são de longe as minhas preferidas. Cruzei-me com elas pela primeira vez ainda em adolescente na minha viagem matricial a território teutónico e perdi-me de amores. Demorou algumas décadas até que começassem a aparecer por cá, mas foi com grande felicidade que as recebi.
Lancei-me à massa do bolo. E esperei. De ameixas nem rasto ou cheiro. Foi aí que as olhei, as ditas, amarelas e rotundas de sorriso saudável. Não há nada pior do que uma mulher enrascada, como tal, a substituição foi imediata e em vez das ameixas escuras, o bolo havia de ser coroado com metades sorridentes, piscando-me o olho como sois. Quando o bolo saiu do forno estava apetitoso, qual Pigmalião fiquei intimamente orgulhosa com mais este meu feito, até ter metido o dente nas ameixas e ter sentido o sabor ácido, tão ácido, com um teor mínimo de açúcar, mínimo além do aceitável. Traidoras!

Bolo de ameixas

Ingredientes
3 ovos
75 g de margarina
4 colheres de sopa de óleo alimentar (usei de girassol)
200g de açúcar amarelo
250 g de farinha
Raspa de limão (1 pequeno ou meio se for muito grande)
½ colher de sobremesa de bicarbonato de sódio.
Ameixas

Preparação
Pré-aquecer o forno a 180º. Barrar uma forma redonda e polvilhar com farinha.
Bater a margarina à temperatura ambiente até ficar cremosa mas não demasiado. Juntar o açúcar, bater três minutos. Juntar os ovos um a um e bater entre as adições. Adicionar a raspa de limão e o óleo e por fim a farinha sem bater muito. Deitar na forma e por cima dispor as ameixas cortadas ao meio com o interior para cima. Levar ao forno cerca de 45 minutos. Deixar arrefecer um pouco e desenformar. Virar outra vez o bolo para que fique com a fruta para cima.


Gostei imenso da massa, um misto entre bolo e massa areada de tarte. O bolo permite variações. No Inverno com raspa de laranja e uma pitada de canela e maçãs em vez das ameixas vai ser uma das experiências cá em casa. Para os mais ousados, uma bola de gelado de baunilha não deve ficar nada bem.

Esta receita foi uma adaptação do Dimply Plum Cake da Dorie Greenspan no seu  Baking.

domingo, 9 de setembro de 2012

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A leveza das claras e o triunfo do amor


Duas pessoas. Dois carácteres, duas personalidades, duas perspectivas de vida, dois passados, um presente e a esperança de um futuro comum, e dois palatos diferentes. Em poucas palavras e de forma bem abreviada a vida a dois pode ser isto. Acontece que a minha vida a dois não sendo muito diferente das demais na forma é também isto. Ao longo do caminho os palatos aproximam-se, contudo os gostos que já trazemos das vidas trilhadas a um mantêm-se, regra geral. Continuo a gostar de peixe, a apreciar as sobremesas simples da minha infância, a fruta que como com os olhos antes de a saborear, a preferir doces no Natal apenas de Natal e a reservar o direito de admissão na minha mesa de Natal de doces e iguarias que se comem o ano inteiro, banir mousse de chocolate e arroz doce, e o prazer de cheirar tudo antes de comer, assim se me permitisse o devaneio. A minha cara-metade continua a gostar de carne, ó se gosta, é ele o móbil das minhas incursões na carne, a detestar vegetais, a comer pouco e a preferir as sobremesas da infância: mousse de chocolate e molotof. Acontece também que, embora a cozinha nunca me tivesse assustado, molotof e mousse de chocolate não faziam parte do meu património gastronómico nem do meu repertório culinário. A mousse de chocolate não ofereceu resistência. Depois de uma ou duas vezes estava dominada e eu encartada na arte de a fazer. Simples e fácil. Com o molotof não posso dizer o mesmo. Caprichoso e temperamental, este pudim leve como as nuvens abraçado pela intensidade do caramelo não se deixava dominar. Ora baixava muito ora criava uma coroa no fundo da forma ora acontecia outra fatalidade qualquer que impedia o triunfo e a vitória do meu molotof ou talvez a minha própria vitória. Anos de tentativas. Um dia não muito longe o meu consorte viu a sua sorte mudar. Depois de umas voltas aqui pelos blogues descobri a receita perfeita de molotof. Experimentei, uma, duas, três vezes. Correu sempre bem, dando-me esta satisfação indizível de ter, por fim, vencido uma luta que julgava perdida. O facto de o ‘meu’ molotof ser mais conseguido do que a progenitora do meu consorte também terá contribuído para este sentimento de vitória mas eu não seria capaz de uma coisa dessas. Ou seria?

Ingredientes para um molotof volumoso
14 claras de ovos
14 colheres de sopa de açúcar
Açúcar para o caramelo (a gosto)

Preparação
Pré-aquecer o forno a 200º. Barrar muito bem uma forma de bolo com margarina. A seguir, o caramelo. Como não gosto do caramelo de compra e desconfio quase sempre de coisas pré-confeccionadas quando as posso fazer eu, faço sempre o caramelo para qualquer bolo e nunca uso o de compra. Numa frigideira colocar açúcar. Para este molotof terei posto umas dez colheres. Levar a lume médio, mexendo sempre. Quando ficar dourado acrescentar um pouco de água, umas duas colheres de sopa, e continuar a mexer. Ir repetindo a operação até o caramelo atingir a consistência desejada. Não deve ficar muito espesso, irá solidificar assim que começar a arrefecer e fica impossível de adicionar às claras.
Agora as claras. Bater muito bem as claras. Quando estiverem já em castelo acrescentar o açúcar pouco a pouco. Bater sempre muito bem entre as adições de açúcar. Por fim, envolver o caramelo. Deitar na forma e bater com a forma na bancada da cozinha ou na mesa para deixar sair o ar e não haver bolhas ao cozer. Levar ao forno 14 minutos exactos. Desligar o forno e pôr uma colher de pau na porta para a deixar entreaberta apenas. Deixar arrefecer dentro do forno e só depois desenformar. Caso seja necessário fazer mais caramelo e deitar por cima ou outro molho como doce de ovos.

Dicas:

  • A quantidade de claras dita o tempo de forno e a quantidade de açúcar na mesma proporção. Assim, se tivermos dez claras, devemos adicionar dez colheres de sopa de açúcar e o molotof deve ficar dez minutos no forno.
  • Deixar amornecer o caramelo e só depois envolve-lo nas claras.
  • Bater as claras em castelo bem firme.
  • Deixar arrefecer o molotof no forno. Não o retirar nem abrir totalmente a porta do forno enquanto estiver quente.



Não sei onde encontrei esta receita mas agradeço à blogger que a postou. Infalível. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Manjar branco e o consolo da memória


Memória. Sem a memória somos nada. A memória é o cadinho onde se encontram e se misturam as vivências e delas sai quem somos, o que fomos e o que seremos. O elo que permite que passado e presente se unam. Saborear, provar, comer, degustar é não raras vezes um exercício de memória, um retorno aos momentos felizes e a sabores que encerram memórias gratas de um tempo que se reconstrói pleno. Manjar branco estará para sempre associado à minha tia. Correria o mês de Maio e por obra da coincidência passaríamos esse seu aniversário com ela. Quando chegámos tinha uma sobremesa nova, a receita dada por alguém, e que ela replicou na perfeição, acredito até que melhor que o original. As proporções de açúcar ultrapassavam sempre as desejadas. A minha tia, quem sabe para a compensar da vida que teve, gostava dos doces bem doces e jamais pouparia em açúcar. Aquele doce de sabor delicado mas intenso agarrou-se-me à memória, o elo grato entre o que fui e o que sou.
Quando no Dorie às sextas a proposta era um manjar branco regressou a memória da minha tia. Secretamente pensei que a Dorie seria incapaz de igualar o manjar branco da minha tia e confirmei as diferenças. Eram muitas. Não era confeccionado com leite de coco e também não havia ameixas secas. Por seu lado, a minha tia era rapariga para eliminar as framboesas sem cerimónias, demasiado ácidas, já se sabe, e carregar no açúcar. Neste triângulo, a Dorie, a minha tia e eu, resolvi experimentar o meu próprio manjar. Demasiado tranquila para algo muito elaborado e preocupada com a quantidade de natas da Dorie e de açúcar da minha tia optei por uma versão light, a léguas de distância das duas versões. Qualquer semelhança é apenas coincidência, mas quem disse que não se pode inventar e recriar de vez em quando?

Ingredientes

Manjar branco
1 lata de leite condensado (usei light)
4 iogurtes naturais magros (pus Sveltesse)
½ embalagem de créme fraiche
8 folhas de gelatina transparente

Coulis de framboesa
2 chávenas de framboesas (usei congeladas)
½ chávena de açúcar
Sumo de meio limão (pequeno)

Framboesas frescas

Preparação
Demolhar as folhas de gelatina. Bater o leite condensado com os iogurtes. Diluir as folhas de gelatina numa tigela com um pouco de água a ferver. Deixar arrefecer um pouco e deitar uma concha do preparado de leite condensado nas folhas de gelatina. Mexer muito bem e a pouco e pouco adicionar no resto do leite condensado. Por último, juntar as natas. Deitar numa forma, usei uma de silicone, e levar ao frigorífico de um dia para o outro.

Coulis de framboesa
Levar ao lume numa caçarola as framboesas com o açúcar e o sumo de limão. Deixar ferver uns quinze minutos até engrossar. Deixar arrefecer e reservar.
Pôr a forma dentro de um recipiente com água quente e desenformar o manjar. Verter o coulis por cima e decorar com as framboesas frescas.

Esta versão do manjar branco é muito diferente, digamos que é a versão abreviada, ou esqueçamos que é manjar branco mas resulta muitíssimo bem nestes dias de Verão e de calor.  Para quem não gosta de versões light pode aventurar-se na opção sem restrições e ainda enriquecer a receita com uns deliciosos iogurtes gregos.