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domingo, 1 de novembro de 2015

Sopa de castanhas com crocante de bacon para o Dia Um

Novembro inicia a época de trevas que me escurece a alma. Há algo de decadente em Setembro que me agrada, Outubro prolonga esta mesma decadência conjugando-a com um aconchego próprio, luminosidades únicas encantatórias, línguas de fogo que se apagam sobre o mar. Outubro abraça-me. Novembro inicia o começo do fim. Do fim do Outono, do fim dos pores-do-sol rubros, do fim de dias tépidos e luminosos. Novembro inicia a espera de que acabe o Inverno que ainda nem começou, de que Dezembro não se demore demasiado e de que Janeiro se evapore na esperança da Primavera. E hoje foi dia de Pão-por Deus e não houve crianças à minha porta. Olá Novembro. Adeus Novembro. 

Sopa de castanhas com crocante de bacon

Ingredientes
600 g de castanhas cozidas
1/2 courgette média
1 cebola média
Azeite 

Bacon em pedacinhos
Flocos de malagueta

Preparação
Lavar e cortar as castanhas. Cozer em água abundante com sal. Escorrer e deixar arrefecer. Descascar as castanhas e reservar.
Num tacho, levar a lume médio a courgette com a cebola e um fio generoso de azeite. Fechar o tacho e deixar suar os legumes. Seguidamente tirar a tampa e refogar um pouco. Juntar as castanhas cozidas e acrescentar água, mexendo de cada vez até ficar tudo bem envolvido e macio. Reduzir a puré com um liquidificador. Rectificar os temperos. Para o bacon: aquecer uma frigideira anti-aderente e deitar os pedacinhos quando esta estiver quente. Temperar com pimenta preta acabada de moer. Retirar do lume quando estiverem caramelizados e cocrantes. Servir a sopa com os pedacinhos de bacon e os flocos de malagueta. 

Apesar de Novembro não ser de todo dos meus meses preferidos hoje foi dia de almoço tranquilo e acolhedor. Escolhi esta sopa de castanhas para o Dia Um... Na Cozinha, cujo tema eram as castanhas e não me arrependi. A sopa mantém o sabor adocicado das castanhas cortado com a malagueta e o bacon e a textura ficou cremosa. Uma boa opção para o Inverno que nos chama





quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Sopa de abóbora assada com leite de coco para esta 'quinzena'

Fazer parte dos grupos que se vão criando no Facebook em termos culinários tem sido uma experiência muito gratificante. Há a partilha, o bom ambiente nos que faço parte, e o desafio da aventura. Um chef novo, uma receita, um prato nunca antes pensado. Nesta quinzena, o chef convidado para os Quinze dias com... foi a Lorraine Pascale. Gosto dos chefs ingleses, talvez o sentido de humor, o inglês, um maneira de ser sempre peculiar, mas nunca tinha prestado muita atenção a esta chef. Foi portanto mais um desafio e uma forma de se conhecer melhor outra 'cozinha'. Andei indecisa muito tempo com a receita. Cheguei à conclusão de sempre: falta-me um livro dela mas hoje como queria fazer sopa para o jantar optei por esta receita. Ainda bem que o fiz. É deliciosa, cheia de sabor e com um toque muito especial. Ainda está morna, são servidos?

Sopa de abóbora assada com leite de coco

Ingredientes
500g de abóbora
1 courgette pequena ou meia grande
1 cebolinha
2 dentes de alho grandes
1 cebola
1 cubo de galinha
Sal
Pimenta preta
Azeite
Coentros
Malagueta em flocos
Leite de coco

Confecção
Pré-aquecer o forno a 200º.
Cortar a abóbora e a courgette em pedaços pequenos, a cebolinha em rodelas e o alho. Colocar numa frigideira larga ou num tabuleiro. Regar com um fio de azeite . Polvilhar com sal e pimenta preta e levar ao forno. Assar cerca de 35 minutos. Entretanto, num tacho, deitar a cebola cortada em rodelas e deixar caramelizar com um fio de azeite. Quando a cebola ganhar cor, deitar a mistura dos legumes assados, juntar um pouco de água e o caldo de galinha, mexer e deixar levantar fervura. Cozinhar uns dez minutos e reduzir a puré com um liquidificador. Rectificar os temperos e juntar água a gosto, e deixar ferver apenas um pouco . Servir com coentros picados, a malagueta e o leite de coco.


Adaptei a receita original  ao meu tempo e gosto. Optei pela courgette para conferir mais cremosidade, cortei os legumes em vez de deixar assar a abóbora na casca por ser mais rápido e omiti a lima, porque não tinha em casa. O gengibre ficou de fora, como sempre, porque não gosto de todo. Valeu a pena. A sopa fica muito boa não só por a abóbora ser assada mas por causa dos coentros, malagueta e o leite de coco. A repetir sem qualquer dúvida.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Creme de cogumelos com tomilho e divagações à toa


São vinte e três horas. Dia longo como quase todos os de trabalho. Tarefas que parecem reproduzir-se e, contudo, um imenso sentimento de culpa como se estivesse a prevaricar, a procrastinar, a negligenciar os meus deveres profissionais. Quem é professor sabe exactamente do que falo. Um peso que não nos larga nunca ou raramente, coisas para fazer, trinta pares de olhos em cima de nós de noventa em noventa minutos, escrutínio sem tréguas, e um desgaste que me leva a pensar muitas vezes quando saio da escola pela hora do almoço que não aguentarei mais do que mais dez anos no ensino. Não, não tenho força, penso. E não é só flexibilidade e sagacidade, rapidez de raciocínio, capacidade de reacção imediata e de adaptação constante, é esse o meu dia-a-dia. É mesmo força física para aguentar tanta solicitação, a pressão, a energia das hormonas que não param. E tenho medo. E raiva. Medo de perder a dignidade e raiva porque caso me reforme antes da idade a que me obrigam ficarei reduzida a meia dúzia de tostões. Estes dias de inverno ajudam a sentimentos negros, não bastasse já o que nos rodeia. Nestes dias, a casa é a minha ostra. Escondida lá dentro, aqueço-me, lareira sempre a crepitar, apetece-me quase sempre um copo de vinho tinto, luxo ao qual não me posso dar, apesar de o dizerem saudável. Resta-me o conforto de uma sopa quente e saborosa. Mas até da sopa me canso. Legumes e legumes, nada de batatas, massas, leguminosas que a genética odeia-me e insiste em lembrar-me que não, não posso comer o que me passa pela cabeça. Desta vez aventurei-me num creme de cogumelos com tomilho e cogumelos variados inteiros para quebrar a monotonia, são também eles que fazem esta sopa especial. Não foi a primeira vez mas esta é a receita que resulta melhor. O Inverno há-de passar e os dez anos ainda vêm longe. Vamos ao creme de cogumelos.

Creme de cogumelos com tomilho

Ingredientes
200 g de cogumelos Portobello
2 courgettes médias
1 cebola roxa
3 dentes de alho
1 embalagem de mistura de cogumelos congelados
1 colher de sopa de iogurte grego natural sem açúcar ou natas espessas (opcional)
1 fio de azeite
Tomilho fresco a gosto
Sal

Preparação
Lavar bem os legumes. Cortar os cogumelos em quartos, as courgettes em pedaços pequenos e a cebola em rodelas grossas.

Numa panela de pressão deitar primeiro a cebola e depois os restantes legumes. Adicionar os dentes de alho, o tomilho, e regar com um fio de azeite. Deixar suar em lume médio. Quando os legumes e os cogumelos começarem a murchar, acrescentar um pouco de água, sal, e fechar a panela. Levar ao lume cerca de 20 minutos. Passar com a varinha mágica até ficar cremoso, acrescentado água se for necessário, rectificar o tempero e juntar a mistura de cogumelos congelados inteiros. Deixar ferver até os cogumelos estarem cozidos. Servir com uma colher comedida de iogurte grego natural ou natas e salpicar com tomilho. 


Se se perguntarem porque é que as natas estão com um forma tão irregular é porque aqui em casa pratica-se a liberdade de expressão. Até nas sopas e na comida.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Sopa de tomate assado e manjericão e um antídoto para a solidão.

Amesterdão é uma cidade estranha e cheia de mitos nem sempre muito lisonjeiros para a cidade, dependendo do ponto de vista, mas que não deixam de ser mitos. Um dos outros mitos é a beleza da cidade. Os canais e as cornijas, as casas estreitas, quase em equilíbrio instável, únicas na sua diferença, os espaços verdes da cidade, a proverbial tolerância que não se estende ao resto da Holanda. Pode ser muito bela, sim, mas pode ser áspera e gélida, coberta por mantos densos que ocultam o sol. A primeira vez que lá estive era Inverno, Março talvez, uma visita fugaz num dia de muito frio. A segunda vez que lá estive era Setembro e todos os dias foram dias de muito frio. Um Setembro áspero que não oferecia qualquer novidade aos nativos. Nesses dias longos de céu cinzento tive muito tempo. Tempo para calcorrear a cidade longe do centro e do turismo. Avistava ao longe o Nemo e o Museu Marítimo e cruzava pontes e canais à parte dos circuitos turísticos. A vida leva-nos por vezes por outros caminhos e nesses caminhos, seja em que cidade for, a solidão pode espreitar a qualquer esquina. Quanto mais bela a cidade mais dolorosa a solidão. Às vezes encontrava-a ali perto, outras vezes mais longe, mas foi uma constante. Meti o nariz em muitos museus, alberguei-me em alguns na esperança de que a arte me acalmasse a nostalgia, um sentimento estranho de fim. Num desses dias fui ao Museu Van Gogh, provavelmente o museu mais conhecido de Amesterdão e lá andei, falando de mim para mim, sempre surpreendida com a capacidade de passar para telas o incompreensível que vai dentro de nós e a cor, nada me atrai tanto como a cor, e o traço espesso, a marca inequívoca da alma perturbada. E estava frio. Era Setembro. Eu estava sozinha e encontrei conforto numa deliciosa sopa de tomate com pimenta preta no restaurante do museu. A que melhor me terá sabido.

Sopa de tomate assado e manjericão

Ingredientes
1 kg de tomate de cacho
2 cebolas roxas médias
1 batata média
4 dentes de alho
¼  de colher de sobremesa de pimenta Cayenne (opcional)
½ colher de sobremesa de açúcar
½ cubo de galinha
Manjericão a gosto
1 colher de sopa generosa de crème fraiche
Pimenta preta acabada de moer
Azeite (um fio)




Preparação
Pré-aquecer o forno a 200º.
Cortar as cebolas em rodelas finas, o alho em pedaços, deitar a pimenta Cayenne, regar com o fio de azeite e levar a lume médio a baixo numa frigideira larga que possa ir ao forno. Refogar uns quatro minutos sem deixar que a cebola caramelize. Adicionar os tomates cortados em quartos com a pele mas sem sementes, com a parte cortada virada para baixo. Juntar a batata cortada em rodelas muito finas. Temperar com sal. Salpicar com o manjericão picado. Deixar ao lume mais uns quatro minutos. Não mexer nunca. Levar ao forno pré-aquecido cerca de meia hora para assar os vegetais. Findo esse tempo, transferir para um tacho. Deitar um pouco de água na frigideira para a aproveitar os sucos, dissolver meio cubo de galinha e verter no tacho. Ferver um pouco e, com um triturador de alimentos, triturar todos os ingredientes. Deitar a água necessária para liquidificar e formar um creme mais homogéneo. Rectificar o tempero, ferver mais um pouco e, por fim, acrescentar o crème fraiche. Servir bem quente, com pimenta preta acabada de moer e folhas de manjericão a gosto.



Notas:
  • A pimenta Cayenne torna a sopa picante, mas pode obviamente ser omitida.
  • A qualidade do tomate é fundamental. Nada daqueles tomates sensaborões que nos aparecem no supermercado ao preço da chuva.
  • Nunca tinha feito sopa com vegetais assados mas fiquei fã. A diferença no sabor é substancial.
  • A inspiração veio de várias fontes: Gordon Ramsay para variar, Rachel Allen, receitas que procurei na net. O resultado foi este.
  • Esta sopa é muito melhor do que a comi no museu Van Gogh. Estou a pensar candidatar-me para lhes mostrar como se faz. 

E aqui fica a minha resposta a mais um desafio Dia Um... Na Cozinha. Belíssima ideia, esta de proporem as sopas como tema. Siga para o seguinte e um beijo às incansáveis dinamizadoras.