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domingo, 23 de agosto de 2015

Soluções de compromisso num cobbler de pêssegos caramelizados

Atípico, penso, raio de Verão atípico. Anteontem esteve sol, ontem choveu e hoje mais parece Outono. Se não fosse o Facebook a lembrar-me, diria que este ano é o pior de todos com um Agosto demasiado caprichoso, ventoso, frio e de céu cinzento. De há uns três anos a esta parte que o tempo se repete, lembra-me o Facebook. Não que tenha um serviço meteorológico de anos passados mas porque os meus lamentos se repetem. Há quatros anos lamentava-me "Protesto: não gosto de chuva, não gosto de céu cinzento, não gosto de frio, não gosto desta treta deste tempo!!!!!" Há dois vociferava sensivelmente a mesma coisa e no ano passado idem. Nada de atípico, portanto. Apenas o inconformismo de um mês que tenho obrigatoriamente de férias e que desejaria, à semelhança do que gosto e da minha forçada disponibilidade, de calor, sol, muita praia, dias longos de ocasos rubros. E num dias destes nada como uma sobremesa de compromisso entre o dia meio tristonho de um Agosto afinal típico e a voluptuosidade da fruta de Verão e uma das que mais gosto, pêssegos. Cobbler seria.

Cobbler de pêssegos caramelizados

Ingredientes:

8 a 10 pêssegos médios
150 g de açúcar
1 colher de chá de manteiga

Para a massa:

225 g de farinha
125 g de açúcar amarelo
1 colher de chá de fermento
1 ovo
100 ml de buttermilk 

Confecção:
Pré-aquecer o formo a 180º.
Descascar e cortar os pêssegos em oitavos.
Levar o açúcar a caramelizar numa frigideira anti-aderente. Quando começar a caramelizar juntar a manteiga e os pêssegos e deixar os pêssegos caramelizarem um pouco, mas não em demasia, já que o caramelo pode ficar amargo. Quando estiverem meio cozidos, passar para um recipiente refractário.
Enquanto os pêssegos caramelizam pode fazer-se a massa. 
Juntar a farinha com o fermento, adicionar a manteiga em cubos pequenos e fazer uma massa esfarelada, pode ser à mão ou com um amassador. Adicionar o açúcar. Bater o ovo com o buttermilk e verter sobre os ingredientes secos. Bater com uma colher e deitar colheradas da massa sobre os pêssegos caramelizados. Levar ao forno 40 a 45 minutos. Comer sozinho ou acompanhado de um bela bola de gelado de baunilha como foi o caso.



quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Cobbler de pêssegos e um pedaço de saudade

Não me lembro nunca de me ter comprado um quilo de fruta, fosse qual fosse. Não me lembro de algum dia me ter oferecido algo que não fosse criteriosamente escolhido, preparado com antecedência e guardo no coração o último presente de Natal que ele escolheu, juntamente com a minha mãe. O meu pai era homem de datas. Jamais deixaria passar um aniversário em branco, um Natal, uma data comemorativa. Com um tempo de avanço chamava-me à parte, longe da presença da minha mãe, e relembrava-me que lhe comprasse um ‘atavio’. Era liminarmente contra electrodomésticos ou gadgets para casa como presentes. Contra batedeiras, máquinas de isto e de aquilo que servissem o propósito de amarrar a minha mãe a tarefas domésticas maçadoras. Queria sempre algo pessoal que ela  pudesse usar e que lhe desse prazer. Ainda hoje cumpro religiosamente este seu gosto e não há aniversário da minha mãe, Natal ou outra ocasião em que também em seu respeito não presenteie a minha mãe com algo pessoal.
Esta sua generosidade estendia-se a outras alturas. Alturas inesperadas em que se lembrava de nos presentear e agradar. Podiam ser coisas pequenas, diz-se por aí que ‘as melhores coisas da vida não são coisas’, e sei que o meu pai concordaria sem reservas e que me terá passado essa forma de vida. Um dos presentes que ele me ‘oferecia’ eram pêssegos. Sabia que eu gostava, adoro pêssegos, e sabia que tinha e ainda tenho o vício de comer com os olhos. Atravessava a estrada e, em tempo deles, escolhia com todo o carinho um ou dois pêssegos que me oferecia quando chegava a casa à hora do almoço. Lindos, grandes, perfumados, polpudos, estendia-mos, dizendo, ‘toma, escolhi para ti’. Nunca mais os pêssegos me souberam tão bem.

Cobbler de pêssegos

Para a cobertura
125 g de farinha com fermento
75 g de manteiga à temperatura ambiente
75 g de açúcar
60 ml de buttermilk
1 ovo
1 pitada de sal fino
Raspa de ½ limão

Pêssegos a gosto (terei usado uns quatro grandes)
3 colheres de sopa de açúcar.



Preparação
Pré-aquecer o forno a 180º. Untar com margarina um recipiente refractário.
Descascar e cortar os pêssegos em oitavos. Envolver com o açúcar e deitar no recipiente untado.
Misturar a farinha com o açúcar e a raspa de limão, juntar a manteiga cortada em cubos e amassar tudo, pode ser esfarelar com as mãos ou utilizar um amassador manual. Misturar o ovo e o buttermilk, bater com uma vara de arames e juntar à farinha e ao açúcar. Mexer muito bem até ficar homogéneo.
Com uma colher colocar colheradas desta massa por cima dos pêssegos e levar ao forno entre 30 e 40 minutos até que a cobertura fique dourada e cozinhada.


Pode substituir-se o buttermilk por leite. O buttermilk torna a massa mais leve e saborosa. A escolha da fruta fica ao critério de cada um.



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Bolo de pêssegos e o dia sem dieta


Quando se juntam numa mesma criatura o prazer da mesa, a tendência para acumular por várias partes do corpo tudo o que se ingere, sim, ela existe, não é mito e não me venham com os conselhos sobre como comer que a minha prática daria uma equivalência em qualquer curso de nutricionismo, o deleite da cozinha e, para rematar, a idade, o resultado é não raras vezes um conflito bélico onde numa só e desesperada pessoa os quatro andam à estalada. Quando fui às compras de manhã precavi-me e forneci-me de uns belos pêssegos aromáticos dos que largam o caroço e uma base de massa folhada. Apetecia-me um doce e meti na cabeça repetir a tarte tatin mas desta vez de pêssego. Antes da hora do almoço e enquanto preparava o dito continuou a apetecer-me muito uma sobremesa. Acontece que o meu grilo falante deu-me mais uma preleção sobre os assuntos do costume: a idade, as ancas imensas, o peso, blá blá blá. Resisti a tudo o que tinha trazido do supermercado. À hora do almoço voltei a lembrar-me de que não havia nada para rematar a refeição tranquila de Domingo, dia por excelência de preguiças várias. No fim do almoço, senti-lhe a falta, declarei alto e bom som que Domingo passaria a ser o ‘no diet day’ doravante e umas horas depois abalancei-me na cozinha e derrotei este malvado conflito sem saber quem derrotei afinal. Vencida, deitei mãos à obra. Por aquela hora já não me apetecia a tarte tatin e resolvi-me por uma invenção: em vez da folha de massa folhada, fiz um bolo, inspirada no opíparo bolo de bananas da minha mãe e que é o meu bolo de aniversário há uma década bem medida e derramei a massa sobre a mistura do caramelo e dos pêssegos. O resultado é o que se vê. Ficou muito bom, com o equilíbrio perfeito entre os vários sabores: o doce do caramelo e o ácido dos pêssegos rematado com a textura suave do bolo, no ponto exacto. Não devia ter experimentado, fiquei com vontade repetir. Xô, grilo falante! Vade retro, bicho malvado!

Bolo de pêssegos e caramelo

Ingredientes

Para o caramelo:
150 g de açucar
50 g de margarina

Para o bolo:
250 g de açúcar
200 g de farinha
150 g de margarina
5 ovos

Pêssegos a gosto
Vinho do Porto branco

Preparação
Começar por descascar os pêssegos e cortá-los em oitavos. Dispor numa frigideira de 28 cm com o açúcar e a margarina. Reservar. Entretanto preparar a massa do bolo: amolecer a margarina, juntar o açúcar e bater até ficar um creme. Adicionar os ovos um a um continuado a bater com a batedeira e, por fim, acrescentar a farinha. Reservar.
Levar a frigideira com os pêssegos ao lume e deixar o açúcar caramelizar. O processo é lento, contudo, a caramelização é rápida. Quando estiver caramelizado, borrifar com Vinho do Porto branco e retirar do lume. Deitar a massa do bolo por cima e levar ao forno pré-aquecido a 190º cerca de vinte minutos. Deixar arrefecer e servir. Esta é a técnica da tarte tatin mas desta vez apeteceu-me variar com massa de bolo. Podem usar-se outras frutas, maçãs, alperces, ananás ou banana, assim. mandem o gosto e a imaginação.


Depois de tanto tempo ausente, eis-me de volta.