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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Zimtsterne ou estrelas de canela para o Dia Um

Sou um bocado obsessiva nos gostos. Se gostar de uma camisola de determinado modelo tenho vontade de comprar mais duas de cor diferente. O mesmo aplica-se a outras peças de roupa, acessórios ou seja o que for do que gosto, à excepção de uma ou outra coisa que por decoro não vou aqui referir. Nessa mesma medida se gostar muito de uma cidade ou país tenho sempre vontade de voltar. Berlim ou Londres, Cabo Verde ou Brasil são destinos a que regressaria assim a vontade me permitisse, quase sempre portanto, e a partir de agora quase nunca, sendo que o ‘quase’ é um acessório absolutamente ilusório nesta minha nova condição de depauperada. Quando fui a Munique num Dezembro passado e descobri os mercados de Natal passei a ter uma nova obsessão: mercados de Natal. Sempre que chega esta altura do ano, lá para os fins de Novembro, cresce em mim uma vontade imperiosa de me aconchegar num cachecol, atafulhar-me em casacos felpudos, gorros e luvas e perder-me entre a multidão, beber um Glühwein bem quente, enquanto as pessoas se passeiam mercado acima mercado abaixo numa romaria colorida e perfumada, e deixar-me envolver por momentos nessa que se diz ser a magia do Natal. Nada disto pode parecer muito mal excepto se se souber que sou mulher de sol e luz, portadas abertas e janela no basculante até o sol se esconder e que encontra amparo em dias tépidos ou escaldantes, o bálsamo verdadeiro que afasta cansaço, stress, angústia. Muito. Quase tudo. Mas obsessão é obsessão e até ontem apetecia-me um mercado de Natal e até ontem porque quando pus o nariz de fora à noite e senti o vento cortante em frente à basílica numa noite de breu gelada e impiedosa  sem que cachecóis, casacos e gorros me pudessem valer, percebi de que são feitos os sonhos, de sonhos apenas. Manias revestidas de grinaldas de fantasia. A realidade é outra coisa.

Texto originalmente publicado n' A Curva da Estrada.

E para celebrar esta minha paixão pelos mercados de Natal trouxe para o Dia Um... Na cozinha uma receita alemã: Zimtsterne ou Estrelas de canela.

Ingredientes
3 claras de ovos (M)
250 g de açúcar em pó
1 saqueta de açúcar baunilhado (8 g)
400 g de miolo de amêndoa triturado
3 colheres de chá de canela em pó
Raspa de laranja (opcional)
Arandos secos para decorar (opcional)
Farinha q. b.

Preparação
Pré-aquecer o forno a 140º.
Bater as claras em castelo bem firme. Juntar o açúcar a pouco e pouco, batendo a cada adição. Adicionar o açúcar baunilhado e retirar cerca de três colheres de sopa para decorar posteriormente. Por fim juntar a canela em pó e a raspa de laranja, continuando a bater.. Com a batedeira no mínimo, deitar metade do miolo de amêndoa. Adicionar depois o restante e ir batendo até a massa se ganhar mais consistência. Juntar um pouco de farinha, se for necessário. Deitar a massa na bancada da cozinha polvilhada com açúcar em pó, tender com o rolo da massa e cortar estrelas com um cortador de bolachas. Cobrir com as claras em castelo com açúcar e levar ao forno cerca de 30 minutos.


A massa foi muito difícil de tender e tive de juntar farinha, que não leva no original. Deram-me mais trabalho do que tinha pensado antes mas não desgostei do resultado. Feliz Natal a quem me visita!


Aqui fica a minha participação no Dia Um... Na cozinha dedicado a biscoitos e bolachas de Natal neste mês de Dezembro.


sábado, 27 de setembro de 2014

Biscotti de alfarroba com pistachios e arandos

Os meus dias de Algarve são dias de arrumar anos, anos lectivos mais ou menos pesados mas que me deixam invariavelmente cansada. Depois da exaustão nada me sabe melhor do que uns dias a Sul. Nesses dias entrego-me ao que mais gosto: sol, calor, praia, noites quentes, peixe quase todos os dias e para coroar esses momentos de pura evasão permito-me de vez um quando um doce algarvio. Como se sabe tudo têm de calórico: muitos ovos, muita amêndoa, algum açúcar, figos secos. São uma infinitude de pecado, mas como quase todos os pecados são bons, deliciosos e uma verdadeira tentação. Entre os meus preferidos conta-se uma delícia algarvia, uma tarte com alfarroba, amêndoa e figo. E quando há feira no largo da cidade delicio-me com as pequenas iguarias caseiras em perfeita união com as noites de estio.  A receita de hoje é um cruzamento entre um original italiano e um ingrediente tipicamente algarvio, a alfarroba. Um casamento muito feliz.

Biscotti de alfarroba com pistachios e arandos

Ingredientes
225 g de farinha de trigo
175 g de açúcar amarelo
25 g de farinha de alfarroba
1 colher de chá de fermento
125 g de pistachios descascados e picados grosseiramente
150 g de arandos secos
Raspa de uma lima
3 ovos

Preparação
Pré-aquecer o forno a 180º.
Descascar e picar os pistachios. Picar grosseiramente os arandos. Reservar.
Num recipiente juntar as farinhas, o açúcar, o fermento e a raspa de lima. Bater os ovos e adicioná-los por partes ao preparado dos ingredientes secos. Bater a cada adição. Deitar os pistachios e os arandos e amassar com as mãos. Tranferir para uma superfície enfarinhada e amassar até ficar uma massa uniforme. Juntar mais farinha, se for necessário. Dividir a massa em duas partes, formar dois pequenos troncos e levar ao forno num tabuleiro com papel vegetal antiaderente 25 minutos. Passados os 25 minutos retirar do forno, deixar arrefecer levemente e cortar fatias com uma faca de serrilha. Levar outra vez ao forno com a parte cortada para cima cerca de 15 minutos.






Esta receita foi inspirada na do Célio do delicioso Sweet Gula. Correu mesmo bem. Repetirei com outras variações.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Rosquilhas de Inverno e a liberdade anunciada

Odeio obrigações. Odeio datas para comemorar apenas porque sim. Detesto que me obriguem a tarefas sem sentido, incompatíveis com o espírito racional que me acompanha sempre, e sempre tão lesto como o coração que amolece a um sorriso e um gesto carinhoso. Contudo, gosto de efemérides, das minhas efemérides. Gosto de celebrar passagens na vida, gosto da vitória conseguida e do prazer comemorado e sou incapaz de passar uma data significativa sem uma comemoração. Pode até ser discreta, será certamente, mas não passarão em vão os momentos, dias, épocas. A memória de elefante que me assiste obriga-me de igual forma a lembrar-me de datas que preferia esquecer mas que, tal como a inauguração de épocas e celebração de dias, são a minha matriz, a mulher em que me transformei ao longo dos anos.
Hora do almoço tardia. Saí aliviada. O passo mais leve e acelerado, o sorriso aberto que me deu as boas-vindas e o dossier arrumado para o banco de trás do carro. O fim.
Duas semanas serão. Duas semanas em que tenciono nada fazer a não ser aquilo que me apetecer. Pode ser ler, esticar-me no sofá, ver filmes, ou aquilo que muito bem me apetecer. Há dias em que a minha profissão me faz a mais feliz das criaturas, pequenas conquistas que não constam em lado nenhum se não entre as quatro paredes da minha sala de aula, gestos de carinho inesperados, esforços recompensados nos números do canto superior direito de uma simples folha de teste, um sorriso no pátio. Há dias em que a minha profissão me mata, dias em que sei que não aguentarei tudo o que me querem impor, dias em que me faltará a vitalidade, a presença de espírito, a rapidez na resposta, dias em que acho que mereço mais, mereço melhor sorte e que quero sair, quero ir-me embora, alimentando sonhos de adolescente.
Hoje foi dia de pausa. Recolhi-me na sala desarrumada, encontrei o livro de receitas antigo que me foi oferecido pelo meu pai, antes de computadores, tablets, telemóveis, e procurei uma receita, antiga também ela e que me andava a apetecer. Há efemérides que se devem comemorar. O descanso é um deles. O Natal é outro. Bem-vindo a esta casa.

Rosquilhas fritas com laranja

Ingredientes
250 g de farinha
100 g de açúcar
1 colher de chá de fermento
½ colher de chá de sal refinado
Raspa de uma laranja
1 ovo
2 colheres de sopa de óleo de girassol
Buttermilk (leite em alternativa)

Óleo para a fritura
Açúcar e canela para envolver


Preparação
Juntar os ingredientes secos. Adicionar a raspa de laranja. Fazer uma cova no meio e deitar o ovo, o óleo, e buttermilk apenas em quantidade suficiente para ligar a massa. Bater com a batedeira. Numa superfície com farinha tender a massa com o rolo da massa, se ficar demasiado mole, acrescentar mais farinha, e cortar com um corta biscoitos. Fazer um orifício no meio com um dedal. Fritar em óleo quente, deixar absorver o óleo com papel absorvente e envolver em açúcar e canela. Tão fáceis e tão bons. 


domingo, 23 de junho de 2013

Ode aos vizinhos nuns meltaways de lima-limão

No dealbar da primeira década do milénio a minha vida havia de sofrer uma transformação profunda. Nessa transformação esteve presente muita gente, gente que continua a povoar a minha vida e faz dela o bálsamo e o elixir que faz tudo valer a pena, gente que está ausente fisicamente e cuja falta me dói todos os dias, gente que anda por aí mas que deixou de ter importância e uma espécie de seres curiosos e caricatos. Ela fazia parte destes últimos.
Era rotunda, usava bata em dias de fazer, como dizia a minha avó, tinha pilosidades que fariam inveja à Frida Kahlo, mas que aparava no cabeleireiro da aldeia, e o rosto marcado por um sobrolho desconfiado, benza Deus, desconfiado e opaco por onde não passaria quem faz dos dias leveza e, muito importante, quem não lhe prestasse vassalagem, a espinha curva e sorriso obediente, calhando, a cauda a abanar. Sem qualquer ponta de heroísmo, eu havia de ser uma dessas criaturas e a relação que travámos tensa e sem qualquer salamaleque da minha parte. Perguntar-se-ão porque tinha eu de suportar uma espécie daquelas. Acontece que a simpaticamente epitetada cusca era dona da casa que habitei durante um ano bem medido e, assim sendo, não tinha como fugir-lhe. Quando um dia as paredes da sua mansão emareleceram por causa da mistura explosiva de humidade e fumo da lareira, a criatura espalhou pelo mundo que havíamos grelhado chouriços na lareira. No dia em que a vi matreira bater à minha porta, esfreguei-lhe no fácies desconfiado o boato chouriceiro e ainda lhe arrematei certeira e furiosa mas estamos na Idade Média para fazer fogueiras no meio da sala? O curioso ser encheu-se de fervores ofendidos. Quem ousaria viver na sua casa, e, pasme-se, confrontá-la com a sua própria maledicência? Um dia tudo acabaria e quando fechei a porta da mansão húmida e ventosa e o meu consorte lhe estendeu as chaves, fosse eu ter-lhas-ia esfregado no semblante tisnado, terá sido um momento a recordar.
Na minha nova vida, com a cusca para trás das costas e uma casa a que chamasse minha e onde pudesse assar até cabritos na lareira, ficou desde muito cedo bem claro que a rua a que chamo de minha, minha do coração, era povoada por gente boa. Dei-me conta disso, num dia de invernia em que, depois duma chuvada, todos os vizinhos se uniram para limpar a rua, havia saibro por aí que precisava de ser removido. Os dias que se seguiram, e já lá vai uma década, foram e são dias de boa vizinhança, uma verdadeira bênção. Há bons dias e boas tardes, conversas a que se vão juntando mais vizinhos na acalmia da tarde, há os animais de cada um que são de todos, há copos que se bebem, há entreajuda e solidariedade, há preocupação, há carinho. Ontem, ao sair de casa, tínhamos um saco de enormes e belos limões, um presente dos “senhores do treze”, assim os chamo em conversa com a minha mãe para os distinguir dos outros. Hoje pela tarde calma que a escola finalmente me permitiu ter abalancei-me nestes biscoitos de lima-limão aí em baixo para partilhar com os meus adorados vizinhos. Há lá coisa melhor?

Meltaways de lima-limão

Ingredientes
175 g de margarina
1 medida de açúcar de confeiteiro (250 ml)
1 ovo pequeno
Raspa de uma lima
Raspa de um limão pequeno
Sumo de uma lima
Sumo de meio limão
2 medidas de farinha com fermento
2 colheres de sopa de amido de milho
¼ de colher de chá de sal grosso

Preparação

Misturar a farinha, o amido de milho e o sal num recipiente. Bater a margarina à temperatura ambiente com o açúcar até ficar um creme fofo. Juntar a raspa e sumo da lima e do limão. Adicionar o ovo e bater. Incorporar a mistura das farinhas e do sal. Bater apenas o suficiente para que fique uma massa homogénea. Em papel vegetal formar dois troncos de massa. Levar ao frigorífico umas duas horas ou ao congelador. Findo esse tempo, pré-aquecer o forno a 180º. Retirar os troncos de massa e com uma faca cortar em fatias. Como não gosto do aspecto tão aparado, passei um garfo para ficar com marcas em quadrícula. Levar ao forno uns vinte minutos. Retirar, deixar arrefecer um pouco e envolver com açúcar de confeiteiro. Para ficar mais uniforme, deitei o açúcar num saco de refrigeração e pus lá dentro os biscoitos envolvendo tudo com cuidado.



Receita inspirada nesta.


domingo, 20 de janeiro de 2013

Receita para um Janeiro cinzento


A janela da cozinha é a minha companheira indefectível das incursões na cozinha. É nela que encontro os reflexos de mar prateado em fim de Verão, o azul intenso na alvorada da Primavera lá para Março, os ocasos barrocos de vermelhos intensos e é através dela que vejo barcos bem lá no fundo do horizonte, barcos julgo eu, porque afinal vislumbro apenas rectângulos que deslizam lentamente seguindo a linha que separa o mar do céu e julgo serem barcos, que mais poderiam ser. Da janela da cozinha vejo as estações do ano: a árvore que ora floresce ora se mostra despudoramente nua, os limoeiros frondosos não marcando época nenhuma e a tarja de mar que aumenta ou diminui, sabe deus e Copérnico o que se sofreu por esta descoberta, diz que se move, a Terra. A janela da minha cozinha diz-me que é Inverno. Não há mar lá no fundo, a árvore pequena de flor roxa ressentiu-se do temporal e à minha frente há uma tela cinzenta  e opaca de nevoeiros góticos pontilhada de pingos generosos de chuva cortada pela relva de verde intenso. A relva ao contrário de mim, gosta de Inverno e experimenta os seus melhores dias nestes momentos que desejo fugazes de invernia furiosa. A minha janela diz-me que é Janeiro e eu odeio Janeiro.

Bolinhos/biscuits/scones (riscar o que não interessa) de natas

Ingredientes:
2 medidas de farinha de trigo com fermento
2 colheres de sopa de açúcar
1 colher de sobremesa de fermento
1 pitada de sal refinado
1 1/4  medidas de natas

Preparação:
Pré-aquecer o forno a 200º. Numa tigela misturar os ingredientes secos. Abrir uma cova no meio e adicionar as natas. Com um garfo misturar as natas com os ingredientes secos até formar a massa. Se for necessário acrescentar mais natas cuidadosamente e envolver. Não bater a massa. Tender numa superfície com farinha e, com um cortador de biscoitos, cortar os bolinhos com cerca de 1 cm de altura. Levar ao forno cerca de 18 minutos.  Servir mornos.

Nada melhor para aliviar este Janeiro cinzento. 


Mais um desafio Dorie às Sextas, na página 23 do BakingAgradeço à Maria ter tentado esta receita. Os dela estavam tão lindos que não resisti.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Bolachas de especiarias e a magia do Natal


Já comecei este post três vezes. Uma entrava demasiado na minha intimidade, outra não me soava bem e esta é a terceira que, desconfio, terá mais possibilidade de ver a luz do dia ou da noite, já que não desvela a minha intimidade, estou aqui há três linhas a não dizer coisa nenhuma e não me tem soado mal de todo. Acontece que hoje foi um dia diferente: estava sol em pleno Inverno. Inverno para mim é para lá de Novembro ou até de Outubro se se puser firo e chuva e humidade e nevoeiro como se pôs de há três dias a esta parte. Isso para mim é Inverno e eu não gosto de Inverno. Estando sol consegui a proeza máxima de lavar roupa. Sou daqueles bichos domésticos com a mania do arejamento e gosto da roupa seca ao sol e ao vento, gosto do cheiro e da textura da roupa meio hirta e meio batida pela natureza. Além de estar sol, aproxima-se a passos largos o tempo em que vou estar ausente da minha vida profissional, aquela que um dia abracei cheia de sonhos e força e a que abandonaria agora, já, cheia de mágoa, humilhada por um país que me maltrata. E para coroar tudo isto, o Natal entrou-me hoje pela casa. Hoje fomos dois: ovos, açúcar, especiarias. Esperámos os dois. Opinámos os dois. Provámos os dois. Rimos os dois. Como na vida. Deve ser isto a magia do Natal.

Bolachas de especiarias

Ingredientes
350 g de farinha com fermento
175 g de açúcar amarelo
150 g de margarina
1 ovo
2 colheres de sopa bem generosas de mel
1 colher de chá de fermento
1 ½ colher de chá de canela
1 colher de chá de gengibre em pó
1 colher de chá de pimenta da Jamaica moída

Preparação
Misturar a farinha, as especiarias e o fermento num recipiente. Bater a margarina à temperatura ambiente com o açúcar até ficar um creme esbranquiçado e homogéneo. Juntar o ovo e continuar a bater até incorporar bem. Adicionar o mel e, por fim, os ingredientes sólidos. Moldar dois discos, envolver com película aderente e levar ao frigorífico durante uma hora.
Pré-aquecer o forno a 180º. Estender a massa numa superfície com farinha e cortar as bolachas com formas de formas diferentes. Levar ao forno cerca de 15 minutos ou até começarem a ficar morenas. Retirar do forno e polvilhar com açúcar de confeiteiro com canela. 


terça-feira, 5 de junho de 2012

Cookies de chocolate e a festa derradeira

Era baixo, louro, adorava futebol, era tímido e discreto, provavelmente o mais velho da turma mas terá sido ele que algures perto do Natal sugeriu que se fizesse uma festa. Aproveitei a ocasião para os apresentar aos costumes gatronómicos alemães em tempo de Natal e não correu mal. Nessa festa houve Lebkuchen, Spekulatius de canela e umas Stollen pequenas, a única iguaria alemã que cá chega. Trouxe para a casa os Lebkuchen. Ainda os havia por cá quase um ano depois mas dos Spekulatius nem migalha. Aprovados. 
Depois desse dia de Dezembro tardio e frio, em que, desconfiada, achei que não haveria festa nenhuma e que os alunos presentemente não ligavam a festas que envolvessem aulas e professores, instituiu-se, para meu grande espanto, na minha turma de Alemão, a festa de final de período. E assim foi durante estes dois últimos anos.
Uns dias antes, às vezes na véspera, surge a pergunta sacramental, uma semi afirmação à espera da minha confirmação Então e a nossa festa? Stora, temos de fazer a nossa festa! Chegado o dia, cada um traz o que tem ou o que se lembrou, às vezes quotizam-se para comprar bebidas e outras trazem bolos caseiros feitos por elas. Acontece que este ano em vez de ir a correr comprar tudo pronto a comer, abalancei-me a fazer-lhes uns cookies de chocolate. A primeira vez adoraram, a segunda idem e hoje quando lhes perguntei Então e amanhã, querem outros biscoitos ou faço os de chocolate? A resposta não podia ser mais convicta: Não, stora, os de chocolate! Sorrisos largos com a leveza de quem tem o mundo pela frente. Largaram uns comentários elogiosos aos pequenos rochedos de chocolate e foram-se com a urgência de quem tem o mundo à espera. Num bocado de tarde entre uma e outra tarefa profissional, adentrei a cozinha e fiz os tão desejados cookies de chocolate para mais uma festa, desta vez a derradeira. Amanhã é a última aula. Terão sido por isso os últimos que lhes fiz e amanhã estarei forte como sempre me conheceram: de aparência robusta como os meus cookies de chocolate e no meio suave e frágil, como eles também. Também somos o que cozinhamos. Quando tiverem saído apanharei silenciosa as minhas próprias migalhas.

Cookies de chocolate

Ingredientes
250 g de farinha com fermento
90 g de chocolate em pó
1 colher de sopa de fermento
100 g de açúcar
100 g de flocos de aveia.
200 g de margarina
1 ovo
100 g de chocolate culinário

Preparação
Pré-aquecer o forno a 180º. Derreter a margarina e deixar arrefecer um pouco. Misturar os ingredientes secos numa tigela larga. Adicionar a margarina derretida e envolver bem. Juntar por fim o ovo inteiro e o chocolate cortado em pedaços pequenos. Fazer bolinhas pequenas e levá-las o forno num tabuleiro forrado com papel vegetal cerca de 15 minutos.




sábado, 2 de junho de 2012

Biscotti de avelãs e limão e os caminhos do amor


Se há coisa que faço mal é cortar pão. Por muito que me esforce, tal como confessado aqui, sou incapaz de cortar uma fatia de pão como deve ser. Sai sempre mais grossa no final do que no início ou vice-versa, às vezes com um recortado que nem sei muito bem como consegui e outras com um pedaço a mais ou a menos. Peçam-me outras coisas que serão feitas com mais perfeição mas caso ousem pedir-me essa tarefa tão mundana e aparentemente tão simples saibam que correm o risco de sair algo parecido com uma fatia de pão mas jamais uma fatia de pão direita e perfeita. Na verdade esta falta de jeito também me assiste no que ao pão-de-ló diz respeito e a outros bolos assim fofos.  Nada a fazer portanto. Nem eu sei explicar o que corre mal mas se puder correr mal certamente correrá, a lei de Murphy aplicada à minha total incompetência em cortar uma simples fatia de pão.
Quando esta semana a proposta do grupo Dorie às Sextas me surpreendeu com uns Biscotti de Amêndoa, e depois de lido e escalpelizado o modo de confecção, eis que se me colocava o desafio dos desafios: os danados dos biscotti, além de irem duas vezes ao forno, daí o nome biscotti e de engordarem, já se sabe, tinham de ser cortados, valha-me Zeus e Gargântua, cortados como se corta pão, com faca de serrilha e o rigor que se deve dar a tudo o que se quer belo para ser apetitoso. Os olhos comem, ó se comem.
 E enquanto estava aqui nesta conversa, sinto o alerta das gatas, de orelhas perfiladas e olhar concentrado, e ouço a chave na porta. Era ele. Só podia. Só podia ser o meu consorte. Estou safa, pensei. Nada disto teria interesse caso não fosse ele, ao contrário de mim, um mestre na arte de bem cortar pão. Disse-lhe Preciso da tua ajuda. Ele entra na cozinha, olha para os dois troncos que haviam de se de transformar em biscotti com desconfiança. Ninguém diria que daqueles pedaços de massa informe e de tonalidades esbranquiçadas sairia algo agradável. Explico-lhe o procedimento e ele supervisiona a tarefa, dando-me conselhos e dicas. Eu sabia que estava safa. O amor faz milagres, já se sabe. Até nos meus biscotti de avelãs e limão. 

Biscotti de avelãs e limão

Ingredientes
A escolha dos ingredientes obedeceu ao critério único do que havia disponível cá em casa. Não havia farinha de milho, mas havia farinha de trigo. Não havia amêndoas, mas havia avelãs. Não havia essências de coisa nenhuma, nunca há cá em casa, mas havia uns enormes e voluptuosos limões vindos directamente com todo o carinho do limoeiro dos vizinhos e que esperavam o momento certo para mostrar do que são feitos limões saloios, região por excelência de limoeiros frondosos e exuberantes, orgânicos e tratados com a calmaria do campo.

1 chávena de açúcar
2 chávenas de farinha de trigo com fermento
1 chávena mal cheia de gérmen de trigo
100 g de margarina
3 ovos
¾ de chávena de avelãs
Raspa de dois limões.

Preparação
Ligar o forno a 175º. Derreter levemente a margarina. Numa tigela larga deitar o açúcar e a raspa de dois limões. Com uma espátula misturar o açúcar e a raspa de limão. Juntar a margarina morna e bater com a batedeira até ficar um creme esbranquiçado. Adicionar os ovos um a um e, por fim, deitar a farinha de trigo, depois o gérmen de trigo. O gérmen de trigo foi uma solução de recurso porque a massa estava demasiado mole para ser moldada. Com uma espátula envolver as avelãs.
Num tabuleiro de forno e sobre uma folha de papel vegetal dividir a massa em dois rectângulos longos mas estreitos. Levar ao forno durante cerca de 15 minutos. O tempo de cozedura é muito importante. A massa não deve ficar demasiado cozida. Retirar do forno, colocar sobre uma outra superfície, usei uma simples tábua de cozinha, e esperar uns vinte minutos, até ficar quase frio. Cortar em fatias e levar ao forno mais 15 minutos. 


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Biscotti Teaser


Mais um desafio do Dorie às Sextas. Não estão tão lindinhos? Receita e texto seguem amanhã.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Biscoitos crocantes reloaded


A verdade é que ninguém dá nada por mim. Quem me conhece ao vivo e a cores acha-me incapaz, meio tresloucada, de fala intempestiva e impulsiva e como tal incapaz de me dar a momentos calmos de tecer sabores no templo por excelência da mulher prendada, a cozinha. Acham-me inapta para a calmaria e harmonia de que são feitos todos os cozinhados opíparos e sublimes. E eu aceito e não lhes levo a mal. Na verdade, acho até uma certa piada a esta minha faceta obscura só inteligível a quem me conhece fora dos portões da escola. Acontece-me muitas vezes quando digo que fiz algo que adentre o domínio da fada do lar, essa capaz de amar com o que cozinha, capaz de fazer declarações de amor só percetíveis ao palato. São cabeças que se viram em desconfiança, olhares inquisitivos que pairam no ar e muitas vezes verbalizações: Foste tu? E outras vezes o descrédito assumido: Não foste nada! Nestas alturas faço o meu número preferido e afirmo peremptória mas imensamente divertida: Sim, fui eu! Acrescento em versão resumida  o que anteriormente foi dito e remato: Ninguém dá nada por mim mas eu sou uma fada do lar. Na cozinha evidentemente. Quem tem ar de estarola basta saber fazer uns biscoitos para merecer o epíteto.
Chegadas mais umas reuniões de final de período e para que pudéssemos rematar o momento com um apontamento doce para apagar a pressão que sobre nós se abate, levei biscoitos para a minha reunião de Direcção de Turma. Não foi a primeira vez que o fiz e na escola há mais quem o faça, comi um delicioso bolo de chocolate feito pela Directora de uma das minhas turmas. Gosto destes momentos. Gosto de cozinhar para os outros. Gosto de lhes dizer que, apesar dos pesares, de anos difíceis, e-mails nem sempre simpáticos, gosto deles. Na  escola pública, essa selva onde o povo se esgadanha aos olhos da opinião pública, os alunos batem nos professores e os professores são uns bandalhos merdosos, passam-se coisas boas, muito boas. Basta afastarmos o preconceito e olhar, entrar, sentir.

 Biscoitos crocantes de amendoim e passas

Ingredientes

1 ½ chávena de flocos de aveia integrais
1 ½ chávena de flocos de trigo tostados
1/3 de chávena de gérmen de trigo
1 chávena de amendoins com sal picados grosseiramente
1 chávena de passas
1 chávena de farinha
1 chávena de açúcar amarelo
200g de margarina
1 ovo

Preparação

Pré-aquecer o forno a 190º. Hidratar as passas em chá Earl Grey morno.
Juntar os flocos de aveia, de trigo, o gérmen de trigo numa tigela e reservar.
Bater o açúcar com a margarina até ficar cremoso. Juntar o ovo e bater mais. Deitar a farinha e bater bem para que fique uniforme. Incorporar os amendoins picados grosseiramente e envolver com uma espátula de silicone. Por último incorporar a mistura de ingredientes sólidos. Moldar pequenas bolas de massa e achatá-las um pouco. Levar quinze a dezoito minutos ao forno pré-aquecido.


Esta é a segunda versão destes biscoitos com pequenas alterações. Foram aprovados e voltei para casa com as migalhas apenas. Há lá coisa melhor?

domingo, 25 de março de 2012

Cantigas de Amigo e uns biscoitos de avelã


Durante um tempo achei que esquecíamos os livros que líamos na escola porque os professores não os tornavam suficientemente interessantes e atractivos. Lembro-me de livros de total negregura, sabem os deuses como li Eurico o Presbítero e como fiquei a odiar The Catcher in the Rye. Acontece que no caso destes dois livros, os professores responsáveis por cada uma das disciplinas eram competentes e interessados. Não seria pois problema deles. Foi só mais tarde que percebi que o problema das leituras obrigatórias não era dos professores, podia ser dos livros, não tenho a menor dúvida, mas era acima de tudo do imperativo ‘Lê!’ Diz Daniel Pennac que o verbo ler não comporta o imperativo. Nada mais certo. Ainda hoje, mulher adulta, se me mandarem ler ou se tiver de ler por obrigação é um sacrifício, procrastino até à última, apetece-me invariavelmente ler outras coisas, mastigo as letras com enfado, e tenho digestões lentas e incomodativas.
Mas os livros que lemos na escola assaltam-me de vez em quando. Não os livros, mas frases soltas que me ficaram na memória. Estranhamente assaltam-me muito uns versos do Cesário Verde quando se me anoitece a alma e por aqui paira alguma soturnidade. Desta vez o que me assaltou foi um verso solto de uma cantiga de amigo. Terá sido há umas três décadas, mas fiquei com aquela sonoridade das ‘avelaneiras frolidas’, logo eu que nunca vi uma avelaneira. E isto tudo veio porque a receita desta semana do Dorie às sextas eram uns biscoitos de avelã. Podiam ser olhos de avelã, provavelmente a cor mais bonita de olhos, mas não. São sempre os livros que me cutucam.

Biscoitos de avelã e compota

Ingredientes
2 chávenas de avelã moída (comprei no Lidl)
1 chávena de farinha sem fermento
½ chávena de farinha com fermento
½ chávena de açúcar
175g de margarina
1 ovo
Doce de framboesa e de alperce ou a gosto

Preparação
Pré-aquecer o forno a 190º. Bater o açúcar com a margarina amolecida até ficar um creme esbranquiçado e fofo. Juntar o ovo e continuar a bater. Juntar a farinha misturada com a avelã moída.
Fazer bolinhas com a massa. Achatá-las e abrir uma cavidade no meio. Levar ao forno. Cerca de 5 minutos depois retirar os biscoitos do forno e reforçar a cavidade com um objecto de madeira, Usei um maço de madeira para esmagar as limas para a caipirinha. Levar ao forno cerca de 15 minutos mais. Retirar do forno e deixar arrefecer um pouco. Levar a compota ao lume o tempo suficiente apenas para derreter, não deixar ferver. Com uma colher de chá encher as cavidades dos biscoitos com o doce.
Estes bolinhos/biscoitos são muito fáceis de fazer e são deliciosos. A massa presta-se a variações e mesmo sem o doce são muito bons. Simples e despreocupados como eu gosto. Bailemos agora, por Deus, ai velidas.




sábado, 11 de fevereiro de 2012

Como na vida


Que tudo fosse tão fácil. Que tudo fosse tão fácil como cozinhar, fazer bolos e biscoitos. Nesta minha participação no Dorie às Sextas tem havido algo que me ocupa mais tempo do que a confecção das receitas propostas. Não que não me aplique mas quando chega a altura de tirar as fotografias para postar começam as dificuldades. Subo as escadas, abro o armário e, depois de uma espreitadela,  escolho uma toalha. Depois vou tentando. Mudo os biscoitos, mudo os adereços, provavelmente a toalha, dou uma volta aos bolos, acrescento chávenas, ora de chá ora de café, ponho uma colher, tiro a colher, parto os biscoitos ao meio para lhe dar uma ar mais verosímil, como se alguém os tivesse partilhado mas nunca nada fica exactamente como gostaria e nunca se sente na plenitude como ficaram. Desta vez, por exemplo, esperei um dia pela luz da manhã e apliquei-me. O resultado foi o que vêem. 
A proposta desta semana eram uns deliciosos biscoitos de granola. Ora como se sabe, tenho a mania das invenções e, portanto, quando a receita foi divulgada tratei logo de fazer alterações. Primeiro foi a dita granola, cá em casa mais conhecida por müsli. Não tendo conseguido encontrar sem frutos decidi que utilizaria apenas flocos de aveia e flocos tostados de trigo, ambos encontrados na secção de produtos naturais do supermercado e um dos meus poisos nos últimos tempos. E depois a fruta. Excluí liminarmente as passas e optei por damascos picados em pedaços. E como nem tudo são rosas neste templo alquímico de criar fórmulas de prazer e resultados de deleite, a massa saiu-me uma amálgama informe, difícil de arrumar em pequenas circunferências e que me deixou na dúvida durante aqueles quinze minutos de forno. Uma vez cá fora espreitei-os desconfiada e passados dez minutos dissiparam-se-me as dúvidas com um belo cafezinho em mais uma gloriosa manhã de sol: deliciosos, crocantes, doces na medida certa, animadores como o amendoim e levemente ácidos do damasco tímido lá pelo meio. Assim um bocadinho como se quer a vida: não demasiado doce para que não enjoe, suficientemente animadora para que possamos sorrir e com uma acidez esporádica para que o doce se torne mais doce quando regressa. Nada que se sinta nas fotografias, como vêem. Eu não disse que era um fracasso?

Biscoitos crocantes de amendoim e damasco

Ingredientes
1 ½ chávena de flocos de aveia integrais
1 ½ chávena de flocos de trigo tostados
1/3 de chávena de gérmen de trigo
1 chávena de amendoins salgados picados grosseiramente
1 chávena de damascos secos picados
1 chávena de farinha
1 chávena de açúcar amarelo
200g de margarina
1 ovo

Preparação
Pré-aquecer o forno a 190º.
Juntar os flocos de aveia, de trigo, o gérmen de trigo e os amendoins picados numa tigela e reservar.
Bater o açúcar com a margarina até ficar cremoso. Juntar o ovo e bater mais. Deitar a farinha e bater o suficiente para que fique uniforme mas não muito. Incorporar os damascos e envolver com uma espátula de silicone. Por último incorporar a mistura de ingredientes sólidos. Moldar pequenas bolas de massa e achatá-las um pouco. Levar ao forno pré-aquecido quinze a dezoito minutos. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Prazeres simples


Um destes dias num périplo de supermercado dei por mim em frente à estante de pudins instantâneos. O que poderia ser um acaso sem sentido -quantas mas quantas estantes de produtos existem por esses supermercados fora?- levou-me de braço dado a um passeio ao passado, território que me tem assolado nos últimos tempos. Cutuca-me no braço a fazer-se notar, um lembrete de quanto fui e do que restou e se metamorfoseou no que sou. Os olhos atraídos ao de caramelo, o meu preferido de sempre, relembraram-me do sabor tão mas tão simples, nada elaborado e com zero de sofisticação. Bastava juntar leite e esperar. E as esperas eram quase sempre longas e ansiadas. Embalada na infância tranquila, regressaram todos os sabores tão pouco complexos, sem gourmandise ou ingredientes sofisticados. Açúcar, farinha, ovos e tínhamos um bolo. Arroz e frango e surgiria o mais opíparo arroz de frango que em casa dos meus pais era borrifado com caril para rematar e onde era dada liberdade a cada um para a intensificação deste toque de exotismo. Leite, açúcar e ovos e eis que a casa se inundava com o aroma do açúcar queimado no mais ancestral leite-creme. Tudo tão simples e tão bom. E terá sido à procura dos sabores longínquos, o regresso ao território perdido de vidas tão ausentes de sofisticação balofa que me deu a vontade de sabores simples de técnicas caracterizadas pelo zelo de um tempo de vagares. E apareceram então os biscoitos que me acompanham neste momento com uma chávena de chai bem quente. Às vezes gosto de prazeres simples. Nada mais simples que uma chávena de chá e biscoitos. Nada mais reconfortante.

Biscoitos de trigo e laranja
1 ¾ chávenas de farinha de trigo
1 chávena de gérmen de trigo
½ chávena de açúcar
 ½ chávena de mel
Raspa de uma laranja grande ou de duas pequenas
1 colher de chá de fermento
½ colher de chá de sal
160 g de margarina
1 ovo grande

Misturar os ingredientes sólidos. Juntar a raspa de laranja ao açúcar e misturá-los. Bater o açúcar com a margarina meio derretida até ficar cremoso. Juntar depois o mel. Bater uns dois minutos e adicionar por fim o ovo. Envolver os ingredientes sólidos em duas vezes e levar ao firgorífico a refrigerar durante pelo menos duas horas. Com uma colher deitar bolinhas de massa no gérmen de trigo que sobrou e enrolá-las. Colocar no tabuleiro e achatar com a mão. Levar a forno pré-aquecido a 190º 18 a 20 minutos. 

Receita inspirada aqui.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Biscoitos de chocolate

As preocupações fora de portas e nada mais há naqueles instantes É como se o mundo parasse. Momentos de puro prazer, deleite, escapismo. O mundo seria mais fácil se tudo se reduzisse ao prazer ancestral de matar fomes e desejos e tudo se pudesse resolver à mesa entre aromas e palatos saciados. Pela janela há um dia de Dezembro bem claro, o sol que brilhou pela manhã apaziguando o crepúsculo de algo que se não sabe muito bem o que é, o mundo como o conhecemos talvez, algumas seguranças e garantias colapsam como baralho de cartas sem que nada se possa fazer se não aguentar. A roda da fortuna que cumpre o seu destino. Aguentar dias, anos, de verborreia moralista de crime e castigo, pecados alheios que agora temos de pagar. Não quero saber. Não agora. Não hoje. Deixo amolecer 250 gramas de margarina enquanto deito 125 gramas de açúcar mascavado na velha taça azul que me acompanha há anos nestes momentos de descontracção. Lá fora entardece mansinho. Um cão que refila, o mesmo de todos os dias feriado e fins-de-semana e uma das gatas espreita-me pela porta da cozinha. Bato energicamente o açúcar e a margarina até ficar um creme fofo e junto-lhe 225 gramas de farinha. Dezembro é mês de cozinha, de colo e de regresso, a casa, a nós mesmos, ao fim para que o início regresse. Envolvo bem a farinha e junto-lhe 100 gramas de flocos de aveia. E depois vario. Não há receita nas minhas mãos que não seja acrescentada, mudada, experimentada com umas pitadas imprevistas ao sabor dos meus dias e vontades, imprevisíveis também. Meia tablete de chocolate culinário cortada grosseiramente, pedaços irregulares a quem vou sem critério cortando mais aparas pontiagudas para  envolver na massa. E esperar. Uma hora de frio. Uma hora de silêncios tranquilos, o bálsamo necessário deste Dezembro que me traz agastada. Bolachas tendidas com o carinho de quem alimenta e de quem ama. O amor também se alimenta da alquimia de aromas e metamorfoses. E depois há o perfume do forno quente e do chocolate espalhando-se pela casa. Entardece. Recolho-me num biscoito e um chá aromático. Se tudo pudesse reduzir-se a prazeres simples. Às vezes pode. Hoje pôde.



A receita dos biscoitos foi inspirada nesta. Um beijo à Cristina Nobre Soares a quem prometi experimentar as bolachas de aveia.