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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Bruschetta de bacalhau fumado com rúcula e o regresso ao Dia Um

Depois de a bruschetta ter sido a eleita do Dia Um, assisti e participei numa conversa engraçada no Facebook. Dizia uma amiga que preferia uma salada rústica a montinhos de comida, ou arremedos, acrescento eu, de 'coisas' empinadas. Faço parte daquele grupo de pessoas que gosta de comida honesta, verdadeira, da que nós, comuns mortais que andamos lá fora a fazer pela vida, cozinhamos e comemos. Não sou rapariga sofisticada e, assim sendo, concordo inteiramente com a minha amiga. Aquela ideia de empilhar tudo em andares não colhe muito cá em casa: primeiro porque não gosto de nada que fique empapado por levar com algo em cima e depois porque por vezes me é demasiado artificial. Por outro lado, também como com os olhos, e muito, e detesto pratos demasiado cheios ou pouco harmoniosos. Pode parecer complicado o equilíbrio entre alguma esquisitice, admito, e a falta de sofisticação quando ela significa falsidade mas é isso mesmo que sou e a minha comida reflecte-me. Vem isto tudo a propósito da bruschetta, por excelência um acumular na vertical de vários ingredientes. O pão deve ser torrado e como não gosto de pão mole embebido seja em que for, a bruschetta é quase uma corrida contra o tempo. A que apresento hoje mostra quem sou no dia-a-dia. Foi feita num fim de tarde, momento do dia que adoro, comida lá fora, com o carvão a crepitar no grelhador, acompanhada de um belíssimo gin tónico, sim, num desses copos imensos cheios de gelo e com lima e hortelã a aromatizar e em belíssima companhia, uma comemoração singela de dias que deixaram de ser tão pesados. Depois o aspecto: exactamente como saiu. E, aqui entre nós, como sou mulher de momentos, saiu muito bem para o nosso gosto. De vez em quando a vida sai-me bem. 

Bruschetta de bacalhau fumado com rúcula

Ingredientes
2 fatias de pão caseiro, pode ser saloio.
Bacalhau fumado
Rúcula selvagem
Queijo creme com ervas aromáticas
Azeitonas verdes
Azeite 
Pimenta preta acabada de moer

Preparação
Torrar as fatias de pão e deixar arrefecer. Depois de frias, barrar com o queijo-creme. Colocar por cima a rúcula, o bacalhau fumado e temperar com um fio de azeite e pimenta preta acabada de moer. Dispor as azeitonas verdes por cima. E comer. 



 Como Setembro é mês de reinícios regresso ao Dia Um... Na Cozinha.


domingo, 30 de agosto de 2015

Guacamole para comemorar as viagens

Faz hoje uns anos estaria dentro do avião por esses ares fora, a cruzar o Atlântico, a caminho do México. Foi uma viagem suada. Um terraço para reconstruir que me levou a paciência, a calma, a tranquilidade de férias e, muito importante, parte substancial do meu orçamento de férias. Foi isto, claro está, antes de sermos assaltados por estas 'coisas' que estão à frente no país e no tempo em que ainda nos era permitido sonhar e fazer planos antes que nos assaltassem e humilhassem. Nesse mesmo tempo, fiz contas à vida e foi com a maior felicidade que verifiquei que o que sobrava ainda dava para aproveitar uma promoção de Verão e conhecer um dos destinos que faziam parte da minha lista privada de sítios a visitar: o México, na verdade, a Riviera Maia, o México é grande e vasto e ainda não seria a altura. Além de praias fantásticas de mar cristalino e quente, há mais que se veja por aqueles lados, o espanto por uma civilização sábia e cruel nalguns aspectos, e o legado que nos deixou para que nos possamos maravilhar.

Guacamole

Ingredientes
2 abacates médios
sumo de uma lima
1 tomate pequeno
Coentros (a gosto)
Sal refinado
Pimenta preta
Malagueta em flocos (a gosto)

Confecção
Abrir os abacates ao meio, tirar o caroço e, como uma colher, retirar a polpa. Deitar o sumo da lima e bater com uma varinha mágica. Temperar com sal e pimenta preta acabada de moer. Bater mais uma vez até ficar uma pasta suave. Adicionar a malagueta. Juntar o tomate cortado em pedaços pequenos e, por fim, os coentros picados ou cortados com uma tesoura de ervas aromáticas. Levar ao frigorífico para refrescar. Servir com nachos.



segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Uma receita mil vezes repetida nuns palmiers de farinheira

Estão a ver aquelas pessoas que gostam de muito de se ouvir? Aquelas que depois de tudo ter sido dito continuam a querer dizer algo só pelo prazer de verbalizar, de ouvir ecoar a sua voz como se trouxessem ao mundo o mais importante dos contributos? Que depois de tudo dito querem acrescentar algo mais, redundante e desnecessário? A receita que hoje trago é exactamente assim. Não é original minha, já a vi em inúmeros blogues noutras variações mas gosto tanto dela e do resultado, do prazer que provoca nos comensais, da combinação da massa crocante com o sabor inquietante da farinheira que venho aqui replicá-la, um bocadinho como aqueles que gostam de se ouvir. Já toda a gente disse tudo e muitos terão experimentado os palmiers, mas dispensem-me uns minutos nesta deliciosa e simplicíssima receita. A descoberta que afinal também nós somos capazes de fazer algo é sempre motivo de partilha.

Palmiers de farinheira

Ingredientes
1 base rectangular de massa folhada
1 farinheira

Preparação
Pré-aquecer o forno a 200º. Tirar a pela da farinheira, estender a base da massa folhada e espalhar a farinheira sobre a base. Pode usar-se uma espátula ou esfarelar com as mãos, dependendo da consistência do enchido. Enrolar a massa até meio, virar depois a parte não enrolada para nós e proceder da mesma forma, enrolando o restante até encontrar a outra parte. Embrulhar em papel vegetal e levar dez minutos ao frigorífico. Retirar, findo o tempo de espera, e, com um faca, cortar em fatias da espessura de um dedo. Levar ao forno e retirar quando estiverem dourados. Simples e bom.




E para variar da farinheira a imaginação é o limite. Já fiz com pasta de azeitona, atum, mas estes são sempre aclamados por unanimidade.

sábado, 5 de abril de 2014

Pataniscas de cebola com especiarias ou os 'cebolitos'

Cá em casa, como em todas as casas, cada coisa adquire nomes próprios, diferentes das designações oficiais. A gata mais nova, de sua graça Julieta, como foi a última a juntar-se ao agregado familiar de pessoas e bichos, foi durante algum tempo 'o bebé'. Findo esse tempo de infância inicial, a bichana passou a ser 'a pequenita'. Esporadicamente e quando se faz desprotegida ainda lhe chamo 'bebé', mas a maior parte das vezes é mesmo 'a pequenita'. De vez em quando também é 'o pequeno hobbit felino' mas nessas alturas de 'pequenos hobbits' há alguns que vão sendo mencionados como, por exemplo, o 'pequeno hobbit docente', não, não sou eu, ou 'o pequeno hobbit' acrescido do apelido. 
Mas há mais e, na cozinha, renomeamos muito. Os pequenos folhados de farinheira são 'os farinheiritos' assim como uns aperitivos de chouriça são 'os chouricitos'. Panados são 'Schnitzel'.
Quando ontem me lancei à cozinha para fazer algo para petiscar antes do jantar, lembrei-me de recriar uma receita indiana, recriar é um abuso, na verdade, pequei no que tinha em casa, à falta dos ingredientes originais e fi-la à minha maneira. Correu bem. Hoje quando se falava do almoço de amanhã, alvitrei uma sobremesa. Responderam-me que talvez mas que podia voltar a fazer 'os cebolitos'. E aqui estão. Apresento-vos 'cebolitos'.

Pataniscas de cebola com especiarias

Ingredientes
75 g de farinha de trigo
150 ml de buttermilk
2 cebolas 
1 colher de chá de açafrão
1/colher de chá de sal
1/4 de colher de chá de cominhos moídos
1/4 de colher de chá de Pimenta Cayenne
Coentros picados (a gosto)
Cebolinho picado (a gosto)

Preparação
Numa tigela juntar a farinha, o sal e as especiarias. Abrir uma cova no meio e adicionar o buttermilk. Mexer muito bem com uma vara de arames. Juntar os coentros e o cebolinho picado. Adicionar por fim as cebolas em rodelas finas. Aquecer o óleo e verter porções com uma colher de sopa. Virar com um garfo, retirar, escorrer e degustar. Fácil e bom.



Qualquer coincidência com bhajis não é concidência. Assemelham-se mas usei o que tinha à mão: farinha de trigo, um resto de buttermilk a acabar o prazo de validade, coentros e cebolinho do lado de fora da porta. 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Scones mediterrânicos e o eterno lamento

Há que admiti-lo: fazer dieta é chato, maçador, aborrecido e às vezes desesperante. Podem achar estranho falar de dieta num blogue dedicado à culinária, mas a verdade é que a preocupação com o peso que me acompanha há umas décadas, os avisos do médico tendo em conta a idade e a incapacidade de me reconhecer no espelho porque aquela do outro lado não sou eu, ditam que me preocupe. Antes restrições do que a sensação de sermos estranhos no próprio corpo. Só por isso, e é muito, vale a pena a austeridade calórica a que me submeto.
No Verão fazer dieta é mais fácil. Podem fazer-se grelhados. Não sou eu que os faço, não entendo nada de grelha. Tive a sorte de trilhar caminhos em comum com alguém que tem muito jeito para grelhados. Gosta de Verão como eu e mima-me com peixe grelhado assim que as andorinhas começam a sobrevoar o céu da aldeia e lá em baixo o terreno, onde vemos as estações passar, cobre-se de florzinhas amarelas. Nesse tempo podem comer-se saladas variadas, pode ver-se o mar da janela da cozinha, pode ver-se o ocaso fulgente em horas tardias de piares variados lá longe no pinhal. Esta minha quezília momentânea com a dieta muito provavelmente nada terá a ver com comida propriamente dita mas antes com o desamor pelo Inverno. No Verão tudo parece mais fácil, regime alimentar incluído. Acontece, pois, que ando a atravessar uma dessas fases de saturação. Há que admiti-lo: o Inverno é chato, maçador, aborrecido e às vezes desesperante, uma boa razão para viajar pelos aromas e sabores mediterrânicos onde cheira sempre a Verão, os mares são calmos, azuis e há dieta. Mediterrânica claro.

Scones mediterrânicos

Ingredientes
200 g de farinha
1 pitada de sal refinado (opcional)
1 colher de chá de fermento
50 g de margarina à temperatura ambiente
150 ml de buttermilk
Queijo feta (a gosto)
Tomates secos (a gosto)
Presunto cortado em pedaços pequenos (usei comprados já em pedacinhos)
Orégãos
Ovo batido

Preparação
Pré-aquecer o forno a 180º.
Numa tigela larga deitar a farinha, o fermento e o sal e misturar. Adicionar a margarina à temperatura ambiente cortada em pedacinhos. Com as mãos juntar dissolver a margarina com a farinha até ficar uma areia grossa. Juntar o queijo feta, os tomates secos também cortados, o presunto e os orégãos. Deitar por fim o buttermilk para formar uma massa húmida. Não bater a massa nem manusear em excesso. Enfarinhar as mãos e formar bolinhas. Pincelar com ovo batido e levar ao forno cerca de 30 minutos. 


Cá em casa como somos carnívoros e menos carnívoros optei por uma solução de compromisso: presunto, feta e tomate seco. Para uma opção vegetariana esquecer o presunto mas compensar com um pouco de sal.


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Despretensões numa simples focaccia

Na cozinha como na vida gosto de gente despretensiosa e odeio pessoas com manias e presunções e que, muitas vezes, se coloca acima dos demais. Em várias áreas da minha vida mantenho o mesmo gosto pela despretensão, e não digo pela simplicidade porque, na verdade, e no que toca a gostos, tenho dias em que a máxima ‘less is more’ não se aplica e me sinto barroca, excessiva como o barroco, apetece-me cores e arrebiques. Na cozinha, raramente me sinto barroca, arriscaria a dizer que nunca tal me acontece e se não o faço é porque nunca é sempre demasiado definitivo, demasiado drástico. Agora que os canais de cozinha vão fazendo parte das rotinas televisivas, a minha escolha recai sobre chefs que falam com o comum dos mortais e tornam a culinária uma arte acessível a todos, simples e tranquila, assim o tempo o permita, e exequível. Os Hairy Bikers incluem-se nesta categoria, embora, confesso, fossem tão despretensiosos que quase duvidei da sua eficácia culinária. Rendi-me com o Bakeation. Gosto do trocadilho do título e, amante de viagens como sou, esta ideia peregrina e mitificada de andar de mota pela Europa cabelos ao vento, parando aqui e ali para cozinhar e falar com os locais preenche sonhos antigos de adolescente, nesse tempo sem a parte da culinária. Quando um destes dias os apanhei em Itália e degustar uma focaccia em Veneza rendi-me e, mesmo sem Veneza no horizonte, meti na cabeça que havia de fazer uma ‘coisa’ daquelas. Foi hoje. Começou ontem com a compra dos ingredientes, continuou com uma ida à loja mais próxima para comprar a forma, seguiu-se uma longa e sofrida espera com os tempos de levedação e sucedeu-se uma admiração de Pigmalião perante o produto final. Depois foi tirar do forno, esperar que arrefecesse um pouco e partilhar com a alegria da novidade no mais simples dos prazeres repartidos. Um bocadinho com a vida.

Focaccia

Ingredientes

Para a massa:
500 g de farinha Pão Caseiro da Nacional
7 g de fermento de padeiro em pó
1 colher de chá de açúcar
1 colher de chá de sal refinado
2 colheres de sopa de azeite
300 ml de água morna

Para a cobertura:
3 colheres de sopa de azeite
Sal grosso
Pimenta preta acabada de moer
1 colher de sopa de rosmaninho picado grosseiramente
Azeitonas a gosto
Presunto da Baviera

Preparação
Numa tigela larga deitar a farinha, o fermento, o açúcar e o sal e envolver. Misturar o azeite com a água. Abrir uma cova na mistura da farinha e juntar a água e o azeite. Mexer com um garfo e depois unir com as mãos até formar uma bola.
Numa superfície com farinha amassar 5 minutos até a massa ficar suave e macia. Transferir para uma tigela larga untada com azeite e cobrir com uma película aderente também untada com azeite, em alternativa, untar levemente a superfície da massa com azeite e cobrir com a película. A quantidade de azeite deve ser mínima. Deixar levedar durante uma hora num local ameno até ter dobrado de tamanho.  Findo esse tempo, transferir para uma superfície com farinha, amassar com os nós dos dedos e formar um rectângulo grosseiro. Transferir para uma forma anti-aderente previamente untada com azeite e empurrar suavemente até a massa cobrir os cantos. Tapar com um pano e deixar descansar mais meia hora num local quente. Neste momento, pré-aquecer o forno a 220º.
Depois dos 30 minutos, fazer covas na massa com os dedos, cobrir com o azeite, polvilhar com sal e pimenta preta acabada de moer e o rosmaninho. Colocar as azeitonas e o presunto da Baviera. Levar ao forno 15 a 20 minutos.


Notas:
  • Na receita original a farinha usada é farinha branca.
  • A cobertura pode ser diversificada e ao gosto de cada um. Usei presunto da Baviera porque tinha em casa e achei que casaria bem com o resto. Não me enganei. 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Uma espécie de blinis que também podem ser pikelets

Quando se decide dar uma saltadinha a uma das cidades mais caras do mundo, o local de pernoita é muito importante e obedece aos critérios impostos pelo orçamento disponível. A escolha recaiu sobre um dos edifícios históricos, construído para as Olimpíadas de 1980. De construção imponente como todas as que vêm daquele lado do mundo, o complexo hoteleiro dividia-se por três enormes torres construídas para impressionar o mundo capitalista em plena guerra fria. O primeiro embate, que isto de choque cultural está em todo o lado, foi quando na recepção fomos recebidos com a proverbial antipatia moscovita e uma dificuldade imensa em comunicarmos em inglês, obstáculo que se estenderia ao longo dos dias em Moscovo e que seria também acompanhada por uma rudeza no trato que não encontrei em mais lado nenhum do mundo. Os pequenos-almoços eram povoados por muitos turistas nacionais e a mais importante refeição do dia era opípara e farta, composta de muitas saladas e legumes. Comiam, ó se comiam. E o que comiam? Pepino e pimentos às rodelas, todo o tipo de legumes crus e saladas. Nada contra a diversidade mas a ideia de comer pepino ao pequeno-almoço não colhe adeptos por estas paragens e a ideia do frio e peso do pepino logo pela fresca a ocupar-me o estômago causa-me alguns engulhos. Mas, como em todos os lugares, há sempre algo que nos deixa saudades: blinis. Eram comidos de várias maneiras, mas eu não os dispensava com um molho espesso de frutos vermelhos e natas ácidas a acompanhar. Uma delícia.
E esta conversa toda surgiu porque a ideia dos blinis voltou quando precisei de uma alternativa para as tostas. Eu explico: tostas com queijo creme e salmão fumado são uma das minhas entradas preferidas. Contudo, passada uma hora as tostas ficavam moles e empapadas e não gosto de nada que seja mole, raramente como açorda e ensopados também não fazem parte das minhas preferências. Para obstar a esta pecha fui dando voltas pelos livros de culinária e descobri esta receita num deles. Na minha cabeça são blinis e cá em casa conhecidos como tal, embora os ingredientes não sejam os mesmos, não de todo, mas a forma lembra-me sempre uma das delícias da cozinha russa. As variações são ao sabor da imaginação. Gosto deles de várias maneiras: com paté de atum, paté de delícias do mar, com presunto da Baviera em substituição do salmão. E gosto deles com uma boa companhia, iniciando o almoço de Domingo ou ao pôr de sol de Verão enquanto as brasas se acalentam para o grelhado de Estio.

Pikelets de cebolinho com salmão fumado

Ingredientes

Para os pikelets:
125 g de farinha com fermento
2 ovos
125 ml de leite
1 colher de sopa de natas ácidas
1 pitada de sal refinado
Cebolinho a gosto

Salmão fumado
Queijo creme com ervas aromáticas
Sumo e raspa de lima ou limão

Preparação
Juntar a farinha e o sal num recipiente e envolver. Fazer uma cova no centro e adicionar os ovos levemente batidos, o leite e as natas. Mexer tudo muito bem com uma vara de arames até ficar uma massa homogénea e sem grumos, mas não bater demasiado Por fim, juntar o cebolinho cortado com uma tesoura de ervas aromáticas e deixar descansar 15 minutos.
Aquecer uma frigideira, de preferência uma de crepes. Deitar um fio de óleo de girassol e retirar o excesso e enxugar com papel de cozinha. Com uma colher de sopa deitar pequenas porções da massa. Virar quando começar a borbulhar. Repetir até acabar a massa. Deixar arrefecer.

Abrir a embalagem de salmão fumado e regar o salmão com sumo de lima ou de limão em alternativa. Barrar cada pikelet com queijo creme com ervas aromáticas e pôr o salmão por cima. Polvilhar com raspa de lima. 


terça-feira, 2 de outubro de 2012

A inconsistência da memória nuns scones de bacon


Andava com esta mania desde que vim da Irlanda. Esta e outras. Mas esta que me assolou foi-me apresentada numa das primeiras refeições quentes que tomei no English Market em Cork, numa segunda-feira chuvosa como muitos outros dias que se haviam de seguir. O clima irlandês constitui o primeiro desafio em terras celtas. Quem o suportar está pronto para as vicissitudes e das duas, umas: ou passa a odiar chuva e ansiar desalmadamente por dias quentes e de sol ou aprende que as existências felizes não podem depender de factores climatéricos. Eu optei pela última e apaziguei-me com a vida.
A mania que trouxe chama-se soda bread. Um pão feito apenas com farinha, sal, bicarbonato de soda e buttermilk, sem água nem fermento de padeiro. Simples de confeccionar e absolutamente delicioso. Nunca fiz pão na vida e comecei a achar, mesmo antes de começar, que não iria correr bem. Quando encontrei a receita destes scones de bacon da Rachel Allen fui salva da humilhação. A massa é a mesma do soda bread, e fiquei mais tranquila com as dimensões. Pequenos e com a variação do bacon certamente não iria correr assim tão mal.
Hoje deitei mãos à obra. Coscuvilhei as farinhas de pão no supermercado, vi-lhes o preço e achei que para experiências mais valia render-me à simplicidade da receita original e fazer experiências para a próxima. Acontece que, no afã da novidade e na descontracção do fim de tarde, me perdi e quando comecei a juntar o leite à farinha fui acordada pela minha memória serôdia. Não, não era leite, era buttermilk. Não era eu que não queria experiências? Lá se foi a receita original. Para uma próxima certamente.

Scones de bacon

Ingredientes
225 g de farinha de trigo
200 ml de leite (buttermilk)
½ colher de sobremesa de sal refinado
1 colher de chá de bicarbonato de soda
Bacon em pedacinhos a gosto
Orégãos (opcional)

Preparação
Pré-aquecer o forno a 200º. Numa tigela juntar a farinha com o sal e o bicarbonato. Fazer uma cova no meio e juntar o leite a pouco e pouco sem bater muito. Juntar os pedacinhos de bacon e os orégãos. Amassar levemente numa superfície com farinha. Enrolar bolinhas pequenas e com uma tesoura fazer dois cortes como uma cruz. Levar ao forno cerca de 20 minutos.


Estes scones são ideiais como entrada, enquanto o jantar ou almoço se ultimam, e devem ficar deliciosos com manteiga ainda mornos. 

domingo, 22 de julho de 2012

Muffins de azeitonas com cebolinho em boa companhia

Escrever num blogue de culinária não é escrever como em qualquer outro blogue. Não vive da actualidade, vive apenas parcialmente das nossas vidas, uma parte pequena que no meu caso tem sido devorada pelo dealbar de uma vida que se prevê muito diferente e uma série de alterações que mais parecem a montanha-russa. Felizmente nada de grave. Há alturas em que muito muda e esta parece ser uma delas.
Escrever num blogue de culinária só vale a pena se trouxer algo de novo, e requer um espírito diferente. Não me basta uma imagem ou uma frase ou um texto apenas. Tal como na cozinha, gosto de textos suculentos que nos deixem saborear substantivos e sentir o perfume dos adjectivos. Tal como na cozinha, eles nem sempre surgem e tenho-os visto recolherem-se atrás das hortênsias. Não adianta correr para os apanhar. São fugidios como os gatos e um gesto mais brusco resulta num repuxo de palavras que não consigo apanhar. Tem sido assim.
Neste últimos tempos tenho cozinhado, experimentado algumas coisas, mas tem-me faltado o momento em que depois de confeccionado, provado e aprovado me deixo vaguear entre as palavras.
Hoje foi, pois, o dia de quebrar o jejum e regressar aqui. Uma duplicação de uma receita já aqui publicada com algumas alterações: apostei nas azeitonas e cebolinho e iogurtes naturais magros em vez do buttermilk e não me arrependi. A textura melhorou significativamente e o sabor da farinha de milho ficou mais ténue. Fi-los para um almoço de amigos, tão chegados que são família e tenho a certeza de que a boa companhia me terá ajudado ao regresso a estas palavras. São uma dupla imbatível: amigos e comida. A vida é sempre melhor quando se tem alguém com quem a partilhar. Tal como a comida.

Muffins de azeitonas com cebolinho

Ingredientes
1 1/2 chávena de farinha de trigo com fermento
1/2 chávena de farinha de milho
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
sal a gosto (refinado)
pimenta preta acabada de moer
2 iogurtes naturais magros (usei marca branca Continente)
5 colheres de sopa de azeite
1 ovo
azeitonas
cebolinho

Preparação
Pré-aquecer o forno a 190º. Numa tigela juntar os ingredientes sólidos e reservar. Numa outra tigela bater com uma vara de arames os iogurtes, o azeite e o ovo. Incorporar nos ingredientes sólidos com uma espátula de silicone. Adicionar cebolinho cortado em pedacinhos pequenos, usei uma tesoura de ervas aromáticas e, por fim, as azeitonas também em pedaços pequenos. Podem também usar-se azeitonas em rodelas. Envolver com cuidado mas sem bater. 
Com um colher de gelado, deitar uma porção nas formas de silicone e levar ao forno cerca de 20 minutos. Ei-los:



Variações: fiz duas receitas e na primeira pus bacon e orégãos. No meu plano de intenções estão pedacinhos de salmão e talvez coentros. Numa outra altura.

domingo, 29 de janeiro de 2012

O triunfo da teimosia


Não sou por natureza muito teimosa. Se alguém me mostrar que tem razão, se eu própria vir que o caminho apontado é plausível, lógico e melhor do que aquele que eu tinha primeiro escolhido, cedo rapidamente. Na verdade nem se trata de uma cedência, trata-se apenas de reconhecer uma evidência. Continuo feliz na mesma, sem beliscadela no ego e sigo em frente. Desta vez não fiquei convencida com a minha receita para o Dorie às Sextas e resolvi insistir e fazer aquilo que faço melhor na cozinha e que de resto já tinha pensado anteriormente: inventar. E teimar. Hão-de sair-me bem. Vão sair bem. E hoje é Domingo, dia calmo e de sol, e de Janeiro já só vejo umas sombras, dia bom, portanto, dia óptimo para pôr em prática a minha primeira intenção e arriscar. E deito mãos à massa, com o sol a entrar-me na cozinha e a preguiça espalhada pela sala. Se ficaram bons? Deliciosos, modéstia à parte. Muito melhores do que a versão doce. Com azeitonas devem ficar muito bem também e até já me passou pela cabeça fazê-los com atum e orégãos. São ideais como entrada e alternativa aos já gastos rissóis e croquetes. Valeu a pena teimar. Desta vez valeu a pena. Espero não lhe ter apanhado o gosto.



Receita:
1 ½ chávena de farinha de trigo
½ chávena de farinha de milho
2 colheres de chá generosas de fermento
¼ de colher de chá de bicarbonato de sódio
Sal refinado
1 chávena mal cheia de buttermilk
5 colheres de sopa de azeite
1 ovo
130 g de bacon
Pimenta preta moída na hora
Orégãos

Preparação
Exactamente como aqui. No fim acrescentar os pedacinhos de bacon e os orégãos. A pimenta preta foi adicionada nos ingredientes sólidos aquando do sal e fui generosa.