sábado, 20 de dezembro de 2014

Rabanadas com laranja para iluminar o Natal

Os natais estão recheados de memórias passadas. São essas que ficam e que vão iluminando os natais presentes ou que estão lá para nos lembrar em momentos de escuridão que devemos multiplicar e honrar esse património de afectos perfumado com o aroma da canela e que melhores dias virão.
Nos meus natais passados havia um ritual que se cumpria escrupulosamente sob pena de se falhar uma das sobremesas imprescindíveis de Natal: comprar o pão para as rabanadas. Geralmente cacete mas julgo que também houve pão de forma de padaria, nesse tempo não havia pão embalado com data de validade. Era comprado com alguma antecedência, é sabido que o pão tem de ser recesso, expressão para pão duro ou dormido, como lhe queiram chamar, típica da Beira Alta e que nunca ouvi em mais lado nenhum.
Um dia destes estava na cozinha e observei o pão que se tornava recesso. Eram carcaças, papo-secos por aqui, o pão mais sem gracinha que se conhece, mas que recolhe um adepto fervoroso aqui por casa. Aproximando-se o natal, e sem sobremesa para um almoço de Domingo, decidi arriscar e usar os papo-secos recessos, dormidos, duros. O resultado foi agradavelmente surpreendente. As rabanadas ficaram no ponto, nem muito grandes nem demasiado secas. A segunda parte desta receita surgiu no grupo Quinze Dias com… A Aida do delicioso Doces em Casa fez uma receita deliciosa de rabanadas com laranja. A segunda vez que fiz as rabanadas de papo-seco experimentei a excelente sugestão. Como qualquer cozinheiro dei-lhe o meu toque e o resultado agradou a todos. No próximo dia 24 não faltaram à minha mesa.

Rabanadas de laranja

Ingredientes
2 papo-secos cortados em fatias médias
Leite (deitei a olho mas terão sido cerca de 4dl)
1 colher de chá de mel
Casca de limão
Vinho do Porto (2 dl)
Ovos

Para a calda
Sumo de duas laranjas grandes
100 ml de água
100 g de açúcar
2 paus de canela
Casca de laranja em tiras

Confecção
Cortar o pão em fatias médias. Aquecer o leite sem ferver. Num recipiente largo colocar o leite, a casca de limão, o mel e o Vinho do Porto. Bater os ovos num outro recipiente.
Preparar a calda: com um descascador de legumes descascar um quarto da laranja, de forma a ficar apenas o vidrado e cortar em tirinhas muito finas.  Juntar todos os ingredientes e ferver até ganhar o ponto desejado. Como sou pouco entendida em pontos de açúcar, usei mais uma vez a intuição.

Para as rabanadas, passar o pão pelo leite, depois pelos ovos e fritar em pouco óleo.  Depois de fritas, escorrer num prato com papel absorvente. Transferir para outro recipiente e regar com a calda.



sábado, 13 de dezembro de 2014

Chilli com carne para combater dias cinzentos

Dias cinzentos convidam a refeições quentes. Daquelas que aquecem não só o corpo mas também o coração e a alma. Tudo isto estaria certo se chilli não fosse por excelência um prato mexicano de clima quente. Não me lembro nunca de ter comido chilli em dias de verão e de calor. Nem mesmo no México. Uma das vezes estava frio. Fazia Londres e o chilli foi comido num pub depois de uma manhã de inverno rigoroso. Quem sabe por isso, chilli é calor e aconchego, o antídoto perfeito para o cinzento do lado de lá da porta. 

Chilli com carne

Ingredientes
(serve 4/5)
1 cebola média
1 pimento pequeno
1 lata de feijão vermelho escorrido
500 g de carne de vaca picada
5 tomates chucha bem maduros
2 dentes de alho grandes
1 1/2 colher de chá de cominhos moídos
1 1/2 colher de chá de paprika
1 colher de chá de malagueta picada
1 colher de chá de açúcar
2 colheres de sopa de pasta de tomate
300 ml de água
1 cubo de carne
Sal e pimenta preta

Confecção
Cortar o pimento em tiras. Tirar a pele e as sementes ao tomate e cortar em pedacinhos muito pequenos. Picar o alho. Picar a cebola.
Aquecer uma frigideira, deitar um fio de azeite e juntar a cebola picada. Quando a cebola estiver translúcida, Deixar cozinhar cinco minutos e deitar o alho e o pimento. Adicionar a paprika, os cominhos e a malagueta e deixar cozinhar mais uns cinco minutos, mexendo de vez em quando. Juntar a carne, temperar com sal e pimenta preta e aumentar o lume de forma a que a carne frite e não guise. Com um utensílio separar a carne para que frite por igual. Juntar depois o tomate em pedacinhos e mexer. Quando começar a fervilhar adicionar a pasta de tomate e o açúcar e 300 ml de caldo de carne. Cozinhar 20 minutos em lume muito brando. Juntar então o feijão escorrido. Deitar um pouco de água se necessário. Rectificar o tempero e ferver mais 15 minutos. Servir com arroz branco e crème fraiche.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Zimtsterne ou estrelas de canela para o Dia Um

Sou um bocado obsessiva nos gostos. Se gostar de uma camisola de determinado modelo tenho vontade de comprar mais duas de cor diferente. O mesmo aplica-se a outras peças de roupa, acessórios ou seja o que for do que gosto, à excepção de uma ou outra coisa que por decoro não vou aqui referir. Nessa mesma medida se gostar muito de uma cidade ou país tenho sempre vontade de voltar. Berlim ou Londres, Cabo Verde ou Brasil são destinos a que regressaria assim a vontade me permitisse, quase sempre portanto, e a partir de agora quase nunca, sendo que o ‘quase’ é um acessório absolutamente ilusório nesta minha nova condição de depauperada. Quando fui a Munique num Dezembro passado e descobri os mercados de Natal passei a ter uma nova obsessão: mercados de Natal. Sempre que chega esta altura do ano, lá para os fins de Novembro, cresce em mim uma vontade imperiosa de me aconchegar num cachecol, atafulhar-me em casacos felpudos, gorros e luvas e perder-me entre a multidão, beber um Glühwein bem quente, enquanto as pessoas se passeiam mercado acima mercado abaixo numa romaria colorida e perfumada, e deixar-me envolver por momentos nessa que se diz ser a magia do Natal. Nada disto pode parecer muito mal excepto se se souber que sou mulher de sol e luz, portadas abertas e janela no basculante até o sol se esconder e que encontra amparo em dias tépidos ou escaldantes, o bálsamo verdadeiro que afasta cansaço, stress, angústia. Muito. Quase tudo. Mas obsessão é obsessão e até ontem apetecia-me um mercado de Natal e até ontem porque quando pus o nariz de fora à noite e senti o vento cortante em frente à basílica numa noite de breu gelada e impiedosa  sem que cachecóis, casacos e gorros me pudessem valer, percebi de que são feitos os sonhos, de sonhos apenas. Manias revestidas de grinaldas de fantasia. A realidade é outra coisa.

Texto originalmente publicado n' A Curva da Estrada.

E para celebrar esta minha paixão pelos mercados de Natal trouxe para o Dia Um... Na cozinha uma receita alemã: Zimtsterne ou Estrelas de canela.

Ingredientes
3 claras de ovos (M)
250 g de açúcar em pó
1 saqueta de açúcar baunilhado (8 g)
400 g de miolo de amêndoa triturado
3 colheres de chá de canela em pó
Raspa de laranja (opcional)
Arandos secos para decorar (opcional)
Farinha q. b.

Preparação
Pré-aquecer o forno a 140º.
Bater as claras em castelo bem firme. Juntar o açúcar a pouco e pouco, batendo a cada adição. Adicionar o açúcar baunilhado e retirar cerca de três colheres de sopa para decorar posteriormente. Por fim juntar a canela em pó e a raspa de laranja, continuando a bater.. Com a batedeira no mínimo, deitar metade do miolo de amêndoa. Adicionar depois o restante e ir batendo até a massa se ganhar mais consistência. Juntar um pouco de farinha, se for necessário. Deitar a massa na bancada da cozinha polvilhada com açúcar em pó, tender com o rolo da massa e cortar estrelas com um cortador de bolachas. Cobrir com as claras em castelo com açúcar e levar ao forno cerca de 30 minutos.


A massa foi muito difícil de tender e tive de juntar farinha, que não leva no original. Deram-me mais trabalho do que tinha pensado antes mas não desgostei do resultado. Feliz Natal a quem me visita!


Aqui fica a minha participação no Dia Um... Na cozinha dedicado a biscoitos e bolachas de Natal neste mês de Dezembro.


sábado, 15 de novembro de 2014

Beef bourguignon à la Ramsay

Gordon Ramsay é um dos chefs preferidos cá de casa, já o terei dito algures num post deste blogue.  Apesar de prever que me pegaria com ele caso me falasse como habitualmente fala com os concorrentes, acho-lhe piada e gosto da imagem, sabemos que é imagem criada, de homem dinâmico, elegante e talentoso. O que me faz gostar mesmo dele, contudo, é o talento e as receitas. São de confecção relativamente fácil como pormenores que fazem toda a diferença. De todas as receitas que experimentei não houve uma única que não fosse deliciosa. Nesta quinzena o convidado do Quinze dias com é o Gordon Ramsay. Lançado o desafio ontem à noite e com cogumelos a findar o prazo no frigorífico só precisava de procurar. Não foi preciso muito. Com o outono instalado nada como um delicioso guisado. Apresento-vos Beef Bourguignon.

Beef bourguignon

Ingredientes (serve 4)
500 g de chambão
150 g de barriga de porco fumada
200 g de cogumelos marron
100 g de cebolinhas
1 colher de sopa de pasta de tomate
2 dentes de alho cortados
1 bouquet garni
Margarina com alho (1 noz)
7 dl de vinho tinto
Sal
Pimenta preta acabada de moer

Confecção
Temperar a carne com um pouco de sal e pimenta preta acabada de moer. Numa frigideira larga, deitar a margarina, e fritar a carne entre 3 a 5 minutos. Retirar e deixar escorrer num passador. Na mesma frigideira, deitar a barriga de porco cortada em pedaços pequenos, as cebolinhas, o alho e os cogumelos. Depois de frigir um pouco, adicionar a pasta de tomate, envolver tudo, e cozinhar durante uns minutos. Juntar a carne e os sucos e envolver. Adicionar o vinho tinto e deixar levantar fervura. Transferir para um recipiente refractário, juntar o bouquet garni, cobrir com uma folha de alumínio e levar ao forno pré-aquecido cerca de 3 horas.


Não fiz grandes alterações em relação à receita original. Servi com esmagada de batata doce com raspa de laranja. Recomendo vivamente esta receita para estes dias de Outono, 'comfort food' no seu melhor: deliciosa, reconfortante, cheia de sabor. Gordon Ramsay não brinca em serviço.


E com esta receita deliciosa estreio-me no Quinze dias com... Gordon Ramsay. 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Pêras ao chá com moscatel

Há quem continue agarrado à ideia de que a Internet e as redes sociais não interessam a ninguém. Nesta fase das nossas vidas não imagino sequer a minha sem ela. Cheguei ao ponto da dependência absoluta, e não quer isto dizer que estou sempre ligada, não estou, e sem estar sem computador, ou tablet, mas qualquer informação de que necessite o primeiro sítio onde vou é online, virtual, portanto. Se precisar de procurar um significado é online que o faço, os meus dicionários estão neste momento e de há um tempo a esta parte de férias, se quero uma receita idem, se ando com um destino de baixo de olho é 'lá' que vou também. Tudo.
A ideia para esta receita surgiu em conversa no Facebook com uma amiga que também fiz via Internet. Dizia-me ela a propósito destas pêras, que as fazia com chá em vez do vinho tinto. Conversa para cá e para lá, e aceitando a belíssima sugestão, eis as pêras que resultaram de mais uma conversa virtual. E ainda há quem se queixe da Internet. 

Pêras ao chá com moscatel

Ingredientes
8 pêras Rocha grandes
1 l de água
150 g de açúcar amarelo
3 dl de moscatel
2 saquetas de chá Lapsang Souchong
2 cascas de laranja
2 paus de canela

Confecção
Descascar as pêras com um descascador e deixar o pedúnculo. Cortar a base se necessário para que fiquem com base de sustentação.
Num tacho deitar a água e levar a ferver. Juntar as duas saquetas de chá e deixar que o chá abra. Retirar as saquetas. Adicionar o açúcar, o moscatel, as cascas de laranja e a canela. Quando levantar fervura, colocar as pêras e ferver cerca de meia hora. Durante a fervura virar as pêras para que fiquem cozidas por igual.


O chá Lapsang Souchong é um chá fumado com um travo forte e característico, ideal para compensar o moscatel.

sábado, 1 de novembro de 2014

Doce de Abóbora com canela e laranja para mais um Dia Um

Outono sempre foi cá em casa época de doces e compotas. Acontecia em tempo de vida do meu pai, ele ir ao leilão do cortejo de oferendas dos bombeiros voluntários e chegar a casa com uvas, lembro-me tão bem, hortaliças e uma abóbora. Adora aquele ritual, como adorava mercados, gosto que talvez me tenha passado. A abóbora tinha usos vários, uma abóbora é muita abóbora, e um deles era doce de abóbora, feito pelas mãos prendadas e sempre carinhosas da minha sorridente mãe. Foi com ela que aprendi a fazer este doce e a ela que recorro em caso de dúvida.
Trouxe o hábito de fazer doce comigo, como tantos outros, e Outono é tempo de doce de abóbora. É denso e quente, chama o Outono e torna os dias cinzentos mais quentes e reconfortantes. Quase gosto de outonos assim e nem sabem como isto é estranho. 

Doce de Abóbora com canela e laranja

Ingredientes
2 kg de abóbora cortada em pedaços pequenos
1 kg de açúcar amarelo
3 paus de canela
raspa de 3 laranjas

Confecção
Arranjar a abóbora: abrir, tirar as sementes, cortar em pedaços pequenos. Num tacho juntar a abóbora, o açúcar, os paus de canela e a raspa da laranja. Levar a lume médio, mexendo com frequência até atingir o ponto desejado, este terá levado  cerca de uma hora e meia.

Quando o Dia Um... Na Cozinha lançou o desafio deste mês fiquei a pensar se faria este doce ou um de marmelos. A tradição pesou mais e decidi-me por este. Comprei a abóbora numa mercearia perto. Morar na aldeia pode ser uma vantagem às vezes.


Desta vez usei açúcar amarelo em vez do habitual branco. O sabor ficou mais intenso e a cor mais escura. Gostei do resultado, especialmente do sabor.





E agora esperemos pelo próximo desafio. Tenho a certeza de que este doce não vai chegar até ao próximo dia um e, depois de dois posts de seguida com abóbora, prometo que o próximo será diferente.


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Sopa de abóbora assada com leite de coco para esta 'quinzena'

Fazer parte dos grupos que se vão criando no Facebook em termos culinários tem sido uma experiência muito gratificante. Há a partilha, o bom ambiente nos que faço parte, e o desafio da aventura. Um chef novo, uma receita, um prato nunca antes pensado. Nesta quinzena, o chef convidado para os Quinze dias com... foi a Lorraine Pascale. Gosto dos chefs ingleses, talvez o sentido de humor, o inglês, um maneira de ser sempre peculiar, mas nunca tinha prestado muita atenção a esta chef. Foi portanto mais um desafio e uma forma de se conhecer melhor outra 'cozinha'. Andei indecisa muito tempo com a receita. Cheguei à conclusão de sempre: falta-me um livro dela mas hoje como queria fazer sopa para o jantar optei por esta receita. Ainda bem que o fiz. É deliciosa, cheia de sabor e com um toque muito especial. Ainda está morna, são servidos?

Sopa de abóbora assada com leite de coco

Ingredientes
500g de abóbora
1 courgette pequena ou meia grande
1 cebolinha
2 dentes de alho grandes
1 cebola
1 cubo de galinha
Sal
Pimenta preta
Azeite
Coentros
Malagueta em flocos
Leite de coco

Confecção
Pré-aquecer o forno a 200º.
Cortar a abóbora e a courgette em pedaços pequenos, a cebolinha em rodelas e o alho. Colocar numa frigideira larga ou num tabuleiro. Regar com um fio de azeite . Polvilhar com sal e pimenta preta e levar ao forno. Assar cerca de 35 minutos. Entretanto, num tacho, deitar a cebola cortada em rodelas e deixar caramelizar com um fio de azeite. Quando a cebola ganhar cor, deitar a mistura dos legumes assados, juntar um pouco de água e o caldo de galinha, mexer e deixar levantar fervura. Cozinhar uns dez minutos e reduzir a puré com um liquidificador. Rectificar os temperos e juntar água a gosto, e deixar ferver apenas um pouco . Servir com coentros picados, a malagueta e o leite de coco.


Adaptei a receita original  ao meu tempo e gosto. Optei pela courgette para conferir mais cremosidade, cortei os legumes em vez de deixar assar a abóbora na casca por ser mais rápido e omiti a lima, porque não tinha em casa. O gengibre ficou de fora, como sempre, porque não gosto de todo. Valeu a pena. A sopa fica muito boa não só por a abóbora ser assada mas por causa dos coentros, malagueta e o leite de coco. A repetir sem qualquer dúvida.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Bolo de natas ácidas com laranja e canela

Abro o frigorífico e lá estão elas. Não sei muito bem para que as terei comprado mas, espreitando o prazo de validade, sei que estão nas últimas. Mais uns dias e zás,  entregarão a alma ao criador. Desde que deixaram de ser úteis para o fim para o qual as terei comprado que me desafiam de dentro do frigorífico e, por mais voltas que dê, penso sempre no mesmo. Na minha bíblia de bolos, o Cake da Rachel Allen cruzei-me um dia com um bolo de natas ácidas e laranja, e elas, as que me olham do frigorífico, pedindo para ser utilizadas antes que estiquem o pernil, serviriam na perfeição para me aventurar. Assim foi. Com umas pequenas alterações, o resultado está à vista. Ainda bem que ouvi as súplicas de dentro do frigorífico. 

Bolo de natas ácidas com laranja e canela

Ingredientes
150g de manteiga
200g de açúcar amarelo
250 g de farinha
200 ml de natas ácidas
2 ovos grandes
1 colheres de chá de fermento
Sumo de meia laranja grande
Raspa de duas laranjas
Meia colher de chá de canela em pó

Confecção
Pré-aquecer o forno a 180º.

Bater a manteiga à temperatura ambiente com o açúcar até ficar um creme leve. Adicionar os ovos um a um, batendo a cada adição. Juntar a raspa e sumo da laranja e as natas ácidas. Envolver a farinha com o fermento e a canela. Deitar numa forma muito bem untada e levar ao forno entre 40 a 50 minutos. Deixar repousar 5 minutos e desenformar. Depois de frio, decorar a gosto. Usei um stencil para bolos e polvilhei com canela em pó.


Este é o tipo de bolo que farei mais vezes, daqueles que se comem ao lanche com uma bela chávena de chá. A textura é perfeita, macia e fofa, parece que se vai desfazer.


sábado, 4 de outubro de 2014

O derradeiro adeus ao Verão numa tarte de nectarinas

Olho pela janela e vejo uma neblina fininha que se entrepõe entre os sonhos que alimento deste lado e o mar distante que às vezes me chama, a tarja de mar azul ou prateado de que tanto falo por aqui. A luz diz-me que algo muda lentamente. Mesmo estando calor, há uma luz diferente, mais difusa e menos intensa, um spray que se esbate em gotículas ínfimas quando o fim do dia se aproxima. É Outono e não há como fugir dele. Vem aí o tempo de recolhimento, de dias menos longos, dias de nos encerrarmos em sonhos que florescerão nos dias longos e quentes de Estio, um abraço longo de aromas quentes e reconfortantes. Vêm aí as castanhas, os marmelos, as pêras e maças substituem os pêssegos, as ameixas. É tempo de doce de abóbora, as sopas regressam e a temperatura chama pelos guisados e pratos de cozedura lenta. O tempo muda e com ele talvez nós também.

Tarte de nectarinas

Ingredientes
1 base rectangular de massa folhada
2 colheres de sopa de miolo de amêndoa picado
2 colheres de sopa de açúcar
Nectarinas a gosto
Arandos secos
Mel a gosto

Preparação
Pré-aquecer o forno a 200º. Lavar as nectarinas e cortar em fatias finas com a casca. Reservar.
Abrir a massa folhada e recortar uma tira de dois centímetros em toda a volta. Pincelar os bordos do rectângulo da massa com água e colocar a tira que se recortou por cima, ajustando para fazer uma moldura. Deitar por cima a amêndoa e o açúcar misturados e, por fim, colocar os pêssegos e os arandos. Pincelar com mel. Levar ao forno até ficar dourado e a fruta cozinhada.

Esta tarte é de fácil confecção e pouco calórica, boa para aqueles dias em que nos apetece uma sobremesa sem cometer grandes pecados. Aproveitem as últimas nectarinas. Em breve estaremos confinados à monotonia de maçãs e pêras. 




Esta receita é um misto de Hairy Dieters com Donna Hay. Sempre achei que se nos misturássemos éramos mais interessantes. O resultado está à vista.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Bacalhau caribenho a duas mãos e uma pendura para o Dia Um

Quem gosta de cozinhar começa geralmente por contar como fez e como fazer. Usa-se e abusa-se da primeira pessoa do singular. Eu, eu e eu. Eu fiz, eu disse, eu bati, eu mexi, eu amassei, eu provei, eu tudo. Desta vez a história é diferente e se a contasse exactamente como foi teria de usar a terceira pessoa: ele. Os caminhos mais ou menos longos servem para descobrirmos talentos escondidos, partilharmos prazeres e cozinhar uns para os outros, um para o outro. Ao contrário do que acontece habitualmente não sou eu que cozinho, cozinham para mim. Ele.
“O amor é uma companhia. Já não sei andar sozinho pelos campos” – Alberto Caeiro.

Bacalhau Caribenho

Ingredientes
1 embalagem de bacalhau do Pacífico desfiado
2 cebolas
4 dentes de alho
1 pimento + metade de cores diferentes
1 pimento padrón sem grainhas
2 tomates médios muitos maduros em cubos
1 colher de chá de caril
1 colher de sopa de mostarda
2 colheres de sopa de vinagre
Malagueta a gosto
Tomilho
Pimenta preta acabada de moer
Azeite

Preparação
Pôr o bacalhau de molho de véspera e ir mudando a água.
Numa frigideira larga, deitar um fio de azeite e adicionar a cebola em rodelas. Quando a cebola começar a murchar, juntar o alho em fatias finas. Cozinhar uns cinco minutos até a cebola começar a ganhar cor mas sem deixar que frite. Adicionar o tomate em cubos, um pouco de água e continuar no lume uns cinco minutos até que o tomate comece a misturar-se com a cebola. Juntar o pimento em tiras, os pimentos padrón e o bacalhau demolhado. Rectificar o tempero e adicionar a mostarda, o vinagre e a malagueta a gosto. Deixar ferver 15 a 20 minutos em lume brando. Deitar um pouco de água, caso seja necessário. Acrescentar então o cebolinho picado, o caril, a pimenta preta e sal caso seja necessário. Deixar apurar.

Servir com batata doce  ou branca cozida no próprio bacalhau ou à parte.


Descobrimos esta receita num programa televisivo e desde então tornou-se um prato preferido cá em casa. O meu papel é apenas de apoio, ajuda, rectificação de temperos, cortar legumes e outras ninharias. Que bom que é quando cozinham para nós.

Depois de uns meses de ausência, regressei ao Dia Um... Na Cozinha, nesta edição de Outubro dedicada ao fiel amigo. 



segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Pêras ao vinho tinto para fixar na memória

Como disse aí em baixo este blogue vive da minha própria vida, dos meus humores e da minha disponibilidade. Todos, ou quase todos, os dias cozinho mas nem todos os dias tenho tempo e vontade de fotografar, contar, relatar. Noutros falha-me a luz e às vezes escorregam-me os textos. O blogue serve também como o meu livro de receitas virtual, um sítio ao qual possa recorrer e ter as receitas ao meu dispor. Hoje é uma dessas situações: escrever e registar depressa antes que a memória me falhe, os pormenores, as quantidades, e como correu bem, partilhar. 

Pêras ao vinho tinto

Ingredientes
10 pêras médias
7,5 dl de vinho tinto
3 dl de água
2 dl de Vinho do Porto
175 g de açúcar amarelo
3 paus de canela
2 cascas de lima
Pimenta da Jamaica em grão a gosto

Preparação
Num tacho largo, deitar o vinho tinto, o Vinho do Porto, a água, o açúcar, as cascas de lima, a canela e a pimenta da Jamaica.
Descascar as pêra, deixar o pedúnculo e caso seja necessário, cortar um pouco a base para ter uma base de sustentação. Deitar no tacho e deixar ferver até que as pêras estejam cozidas (cerca de meia hora) e a calda espessa. Durante a cozedura, virar as pêras para que fiquem cozidas por igual.






Nota: a qualidade do vinho tinto é fundamental. Usei um alentejano de qualidade média. 

domingo, 28 de setembro de 2014

Blogs que adoramos 2014

Esta é uma cozinha discreta sem data específica de publicações e muito à mercê dos humores de quem está no fogão mas, ao que parece, despertou a atenção do Petiscos. Estamos agora aqui também e agradeço muito a nomeação. 

sábado, 27 de setembro de 2014

Biscotti de alfarroba com pistachios e arandos

Os meus dias de Algarve são dias de arrumar anos, anos lectivos mais ou menos pesados mas que me deixam invariavelmente cansada. Depois da exaustão nada me sabe melhor do que uns dias a Sul. Nesses dias entrego-me ao que mais gosto: sol, calor, praia, noites quentes, peixe quase todos os dias e para coroar esses momentos de pura evasão permito-me de vez um quando um doce algarvio. Como se sabe tudo têm de calórico: muitos ovos, muita amêndoa, algum açúcar, figos secos. São uma infinitude de pecado, mas como quase todos os pecados são bons, deliciosos e uma verdadeira tentação. Entre os meus preferidos conta-se uma delícia algarvia, uma tarte com alfarroba, amêndoa e figo. E quando há feira no largo da cidade delicio-me com as pequenas iguarias caseiras em perfeita união com as noites de estio.  A receita de hoje é um cruzamento entre um original italiano e um ingrediente tipicamente algarvio, a alfarroba. Um casamento muito feliz.

Biscotti de alfarroba com pistachios e arandos

Ingredientes
225 g de farinha de trigo
175 g de açúcar amarelo
25 g de farinha de alfarroba
1 colher de chá de fermento
125 g de pistachios descascados e picados grosseiramente
150 g de arandos secos
Raspa de uma lima
3 ovos

Preparação
Pré-aquecer o forno a 180º.
Descascar e picar os pistachios. Picar grosseiramente os arandos. Reservar.
Num recipiente juntar as farinhas, o açúcar, o fermento e a raspa de lima. Bater os ovos e adicioná-los por partes ao preparado dos ingredientes secos. Bater a cada adição. Deitar os pistachios e os arandos e amassar com as mãos. Tranferir para uma superfície enfarinhada e amassar até ficar uma massa uniforme. Juntar mais farinha, se for necessário. Dividir a massa em duas partes, formar dois pequenos troncos e levar ao forno num tabuleiro com papel vegetal antiaderente 25 minutos. Passados os 25 minutos retirar do forno, deixar arrefecer levemente e cortar fatias com uma faca de serrilha. Levar outra vez ao forno com a parte cortada para cima cerca de 15 minutos.






Esta receita foi inspirada na do Célio do delicioso Sweet Gula. Correu mesmo bem. Repetirei com outras variações.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Uma receita mil vezes repetida nuns palmiers de farinheira

Estão a ver aquelas pessoas que gostam de muito de se ouvir? Aquelas que depois de tudo ter sido dito continuam a querer dizer algo só pelo prazer de verbalizar, de ouvir ecoar a sua voz como se trouxessem ao mundo o mais importante dos contributos? Que depois de tudo dito querem acrescentar algo mais, redundante e desnecessário? A receita que hoje trago é exactamente assim. Não é original minha, já a vi em inúmeros blogues noutras variações mas gosto tanto dela e do resultado, do prazer que provoca nos comensais, da combinação da massa crocante com o sabor inquietante da farinheira que venho aqui replicá-la, um bocadinho como aqueles que gostam de se ouvir. Já toda a gente disse tudo e muitos terão experimentado os palmiers, mas dispensem-me uns minutos nesta deliciosa e simplicíssima receita. A descoberta que afinal também nós somos capazes de fazer algo é sempre motivo de partilha.

Palmiers de farinheira

Ingredientes
1 base rectangular de massa folhada
1 farinheira

Preparação
Pré-aquecer o forno a 200º. Tirar a pela da farinheira, estender a base da massa folhada e espalhar a farinheira sobre a base. Pode usar-se uma espátula ou esfarelar com as mãos, dependendo da consistência do enchido. Enrolar a massa até meio, virar depois a parte não enrolada para nós e proceder da mesma forma, enrolando o restante até encontrar a outra parte. Embrulhar em papel vegetal e levar dez minutos ao frigorífico. Retirar, findo o tempo de espera, e, com um faca, cortar em fatias da espessura de um dedo. Levar ao forno e retirar quando estiverem dourados. Simples e bom.




E para variar da farinheira a imaginação é o limite. Já fiz com pasta de azeitona, atum, mas estes são sempre aclamados por unanimidade.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Bolo invertido de pêra para comemorar Setembro

Gosto de Setembro. É um dos meus meses preferidos, logo a seguir a Maio e Junho. Gosto de algum recolhimento, gosto das cores e dos pores-do-sol, gosto do cheiro de Setembro e da luz de fim de dia. Setembro marca inícios, marca fins também, mas um fim contém sempre um início, aprendizagens várias com lágrimas e sorrisos. Há uma esperança tonta em Setembro. No meu Setembro cabem sonhos.

Bolo invertido de pêras

Ingredientes

Para o caramelo
75g de manteiga
125g de açúcar amarelo

Para o bolo
4 ovos
100ml de óleo
175g de açúcar
150g de farinha
2 colheres de chá de canela
1 colher de chá de fermento
1 pêra ralada
4 pêras descascadas e cortadas em oitavos

Preparação
Pré-aquecer o forno a 180º.
Numa frigideira anti-aderente e que possa ir ao forno derreter a manteiga. Juntar o açúcar amarelo e caramelizar um pouco sem mexer. Continuar em lume brando e deitar as pêras cortadas. Desligar o lume e reservar.

Para o bolo, juntar num recipiente os ingredientes secos, a farinha, o açúcar, a canela e o fermento. Num outro, bater os ovos e o óleo com uma vara de arames, juntar por fim a pêra ralada. Adicionar aos ingredientes secos e envolver tudo. Usei na mesma a vara de arames. Deitar a massa cuidadosamente na frigideira sobre as pêras e o açúcar caramelizado e levar ao forno cerca de 40 minutos. Retirar do forno, deixar repousar cinco minutos e desenformar. 
Comer morno ou frio com crème fraiche ou simples. 




Para celebrar Setembro fiz o que já não fazia há tempos, um bolo de sabores e aromas de dizer adeus ao Verão.  Esta receita foi inspirada numa da Rachel Allen, embora com pequenas alterações: deixar caramelizar levemente o açúcar e a manteiga e omiti a raspa de laranja. Para a próxima porei apenas uma colher de chá de canela. As pêras são biológicas, vieram directamente da mão do meu sogro cá para casa e este bolo surgiu também na necessidade de as usar. É de confecção muito fácil.