domingo, 1 de novembro de 2015

Sopa de castanhas com crocante de bacon para o Dia Um

Novembro inicia a época de trevas que me escurece a alma. Há algo de decadente em Setembro que me agrada, Outubro prolonga esta mesma decadência conjugando-a com um aconchego próprio, luminosidades únicas encantatórias, línguas de fogo que se apagam sobre o mar. Outubro abraça-me. Novembro inicia o começo do fim. Do fim do Outono, do fim dos pores-do-sol rubros, do fim de dias tépidos e luminosos. Novembro inicia a espera de que acabe o Inverno que ainda nem começou, de que Dezembro não se demore demasiado e de que Janeiro se evapore na esperança da Primavera. E hoje foi dia de Pão-por Deus e não houve crianças à minha porta. Olá Novembro. Adeus Novembro. 

Sopa de castanhas com crocante de bacon

Ingredientes
600 g de castanhas cozidas
1/2 courgette média
1 cebola média
Azeite 

Bacon em pedacinhos
Flocos de malagueta

Preparação
Lavar e cortar as castanhas. Cozer em água abundante com sal. Escorrer e deixar arrefecer. Descascar as castanhas e reservar.
Num tacho, levar a lume médio a courgette com a cebola e um fio generoso de azeite. Fechar o tacho e deixar suar os legumes. Seguidamente tirar a tampa e refogar um pouco. Juntar as castanhas cozidas e acrescentar água, mexendo de cada vez até ficar tudo bem envolvido e macio. Reduzir a puré com um liquidificador. Rectificar os temperos. Para o bacon: aquecer uma frigideira anti-aderente e deitar os pedacinhos quando esta estiver quente. Temperar com pimenta preta acabada de moer. Retirar do lume quando estiverem caramelizados e cocrantes. Servir a sopa com os pedacinhos de bacon e os flocos de malagueta. 

Apesar de Novembro não ser de todo dos meus meses preferidos hoje foi dia de almoço tranquilo e acolhedor. Escolhi esta sopa de castanhas para o Dia Um... Na Cozinha, cujo tema eram as castanhas e não me arrependi. A sopa mantém o sabor adocicado das castanhas cortado com a malagueta e o bacon e a textura ficou cremosa. Uma boa opção para o Inverno que nos chama





domingo, 25 de outubro de 2015

Bolo de chocolate à antiga para domingos preguiçosos

 Um dia da semana passada numa tarde de conversa descontraída com a minha mãe, ela confessou que lhe apetecia um bolo à antiga, daqueles fofos e altos de que se come uma fatia ainda morna, a desmoronar-se pela textura, feitos sem a sofisticação dos tempos actuais. A seguir passámos pela memória os nossos bolos passados. Ela lembrou com carinho um bolo de iogurte que eu costumava fazer, não me lembro dele, e eu recordei todos os bolos enrolados que fazia também a pedido do meu pai. Tinham como recheio um molho de chocolate, feito a olho, completamente a olho, ou geleia de marmelo que a minha mãe fazia. Não devemos voltar ao lugar onde fomos felizes, diz-se por aí, e não sendo eu de me prender demasiado ao passado, sei que seria incapaz de reproduzir com fidelidade aqueles momentos pueris prenhes de carinho que caracterizavam os nossos momentos. O meu pai partiu. Jamais seriam os mesmos. 
É sabido que não se pode reproduzir o passado sob pena de não se viver o presente, mas hoje enquanto andava a dar voltas à cabeça para fazer um bolo que levasse natas, era o que tinha cá em casa, deparei-me com o bolo de chocolate à antiga da Nigella. Esta epifania só podia ser a continuação da conversa com a minha mãe e não procurei mais. Aqui o têm, com uma pequena alteração. Fiz uma cobertura à antiga com os ingredientes que tinha em casa e a olho. Não se deve reproduzir o passado exactamente porque o presente pode ser igualmente pleno. Vivamos apenas os tempos como se nos vão apresentando.

Bolo de chocolate à antiga

Ingredientes

Bolo
200 g de açúcar
200 g de farinha com fermento
50 g de cacau em pó
150 g de manteiga
200 g de natas espessas ou ácidas
1 colher de chá de fermento em pó
2 ovos grandes

Cobertura (medidas aproximadas)
1,5 dl de leite
1 colher de sopa de farinha
2 colheres de sopa de açúcar
1 colher de sopa de cacau em pó
1 colher de sopa de chocolate em pó
1 gema de ovo

Confecção
Pré-aquecer o forno a 180º
Bater a manteiga à temperatura ambiente com o açúcar. Juntar os dois ovos e as natas. Envolver a farinha com o cacau e o fermento. Deitar na forma untada com margarina e levar ao forno 35 a 40 minutos. Retirar do forno, esperar uns dez minutos e desenformar. 
Para a cobertura, juntar e mexer todos os ingredientes. Levar ao lume e deixar engrossar mexendo sempre. Deixar arrefecer um pouco, mexendo de vez em quando e verter por cima do bolo. 


E agora com uma bola de gelado de baunilha não fossem as calorias já as suficientes.

sábado, 19 de setembro de 2015

Bolo com crumble de canela para gente com pressa

Domingo. Almoço feito. Entrada. Grelhados para continuar a mimar o Verão. A calma que só se consegue no campo, com os melros a saltitar, uma tarja de mar ao fundo e a sinfonia de sons únicos que só no campo se fazem ouvir. Tudo em sintonia, até que dou conta de que faltava algo: sobremesa. Sem grande tempo para sobremesas muito elaboradas, nada que precisasse de frigorífico, nada de bolos com fruta, não tinha em casa e nada que necessitasse de ingredientes sofisticados, era tarde e não havia tempo de sair de casa e ir ao supermercado. É que isto de viver na aldeia é giro, calmo e bucólico, mas, infelizmente em alguns aspectos, quase todos, não é a cidade, vila sequer e qualquer necessidade menos básica obriga a uma deslocação à superfície comercial mais próxima. Não, nada disso era possível. Puxei pela cabeça e lembrei-me de um bolo que tinha visto de uma das minhas chefs preferidas, Rachel Allen. Dizia ela que era um bolo rápido, tal como eu precisava. Havia todos os ingredientes em casa, foi só deitar mãos à obra e verificar mais uma vez que a simplicidade pode ser muito boa. E deliciosa.

Bolo com crumble de canela

Ingredientes

Para o crumble
100 g de açúcar amarelo 
50 g de farinha 
60 g de manteiga
1 colher de chá de canela

Para a massa
175 g de farinha com fermento
100 de açúcar amarelo
1/2 colher de chá de sal (usei refinado)
75 g de manteiga
1 ovo
100 ml de buttermilk ou leite

Confecção
Pré-aquecer o forno a 180º
Primeiro preparar o crumble. Juntar todos os ingredientes secos. Adiconar a manteiga em pedaços pequenos e esfarelar com a mão ou usar um amassador manual. Reservar no frigorífico
Para a massa, juntar todos os ingredientes secos, adicionar a manteiga em pedaços e proceder como para o crumble. De seguida, juntar o ovo batido e o buttermilk. Deitar numa forma pequena forrada com papel vegetal anti-aderente e levar ao forno 15 minutos. Retirar e espalhar o crumble por cima. Levar ao forno mais 15 minutos. 


Este bolo é de confecção fácil e delicioso. Numa altura mais outonal podem juntar-se especiarias ao crumble como pimenta da Jamaica e gengibre. 


terça-feira, 1 de setembro de 2015

Bruschetta de bacalhau fumado com rúcula e o regresso ao Dia Um

Depois de a bruschetta ter sido a eleita do Dia Um, assisti e participei numa conversa engraçada no Facebook. Dizia uma amiga que preferia uma salada rústica a montinhos de comida, ou arremedos, acrescento eu, de 'coisas' empinadas. Faço parte daquele grupo de pessoas que gosta de comida honesta, verdadeira, da que nós, comuns mortais que andamos lá fora a fazer pela vida, cozinhamos e comemos. Não sou rapariga sofisticada e, assim sendo, concordo inteiramente com a minha amiga. Aquela ideia de empilhar tudo em andares não colhe muito cá em casa: primeiro porque não gosto de nada que fique empapado por levar com algo em cima e depois porque por vezes me é demasiado artificial. Por outro lado, também como com os olhos, e muito, e detesto pratos demasiado cheios ou pouco harmoniosos. Pode parecer complicado o equilíbrio entre alguma esquisitice, admito, e a falta de sofisticação quando ela significa falsidade mas é isso mesmo que sou e a minha comida reflecte-me. Vem isto tudo a propósito da bruschetta, por excelência um acumular na vertical de vários ingredientes. O pão deve ser torrado e como não gosto de pão mole embebido seja em que for, a bruschetta é quase uma corrida contra o tempo. A que apresento hoje mostra quem sou no dia-a-dia. Foi feita num fim de tarde, momento do dia que adoro, comida lá fora, com o carvão a crepitar no grelhador, acompanhada de um belíssimo gin tónico, sim, num desses copos imensos cheios de gelo e com lima e hortelã a aromatizar e em belíssima companhia, uma comemoração singela de dias que deixaram de ser tão pesados. Depois o aspecto: exactamente como saiu. E, aqui entre nós, como sou mulher de momentos, saiu muito bem para o nosso gosto. De vez em quando a vida sai-me bem. 

Bruschetta de bacalhau fumado com rúcula

Ingredientes
2 fatias de pão caseiro, pode ser saloio.
Bacalhau fumado
Rúcula selvagem
Queijo creme com ervas aromáticas
Azeitonas verdes
Azeite 
Pimenta preta acabada de moer

Preparação
Torrar as fatias de pão e deixar arrefecer. Depois de frias, barrar com o queijo-creme. Colocar por cima a rúcula, o bacalhau fumado e temperar com um fio de azeite e pimenta preta acabada de moer. Dispor as azeitonas verdes por cima. E comer. 



 Como Setembro é mês de reinícios regresso ao Dia Um... Na Cozinha.


domingo, 30 de agosto de 2015

Guacamole para comemorar as viagens

Faz hoje uns anos estaria dentro do avião por esses ares fora, a cruzar o Atlântico, a caminho do México. Foi uma viagem suada. Um terraço para reconstruir que me levou a paciência, a calma, a tranquilidade de férias e, muito importante, parte substancial do meu orçamento de férias. Foi isto, claro está, antes de sermos assaltados por estas 'coisas' que estão à frente no país e no tempo em que ainda nos era permitido sonhar e fazer planos antes que nos assaltassem e humilhassem. Nesse mesmo tempo, fiz contas à vida e foi com a maior felicidade que verifiquei que o que sobrava ainda dava para aproveitar uma promoção de Verão e conhecer um dos destinos que faziam parte da minha lista privada de sítios a visitar: o México, na verdade, a Riviera Maia, o México é grande e vasto e ainda não seria a altura. Além de praias fantásticas de mar cristalino e quente, há mais que se veja por aqueles lados, o espanto por uma civilização sábia e cruel nalguns aspectos, e o legado que nos deixou para que nos possamos maravilhar.

Guacamole

Ingredientes
2 abacates médios
sumo de uma lima
1 tomate pequeno
Coentros (a gosto)
Sal refinado
Pimenta preta
Malagueta em flocos (a gosto)

Confecção
Abrir os abacates ao meio, tirar o caroço e, como uma colher, retirar a polpa. Deitar o sumo da lima e bater com uma varinha mágica. Temperar com sal e pimenta preta acabada de moer. Bater mais uma vez até ficar uma pasta suave. Adicionar a malagueta. Juntar o tomate cortado em pedaços pequenos e, por fim, os coentros picados ou cortados com uma tesoura de ervas aromáticas. Levar ao frigorífico para refrescar. Servir com nachos.



domingo, 23 de agosto de 2015

Soluções de compromisso num cobbler de pêssegos caramelizados

Atípico, penso, raio de Verão atípico. Anteontem esteve sol, ontem choveu e hoje mais parece Outono. Se não fosse o Facebook a lembrar-me, diria que este ano é o pior de todos com um Agosto demasiado caprichoso, ventoso, frio e de céu cinzento. De há uns três anos a esta parte que o tempo se repete, lembra-me o Facebook. Não que tenha um serviço meteorológico de anos passados mas porque os meus lamentos se repetem. Há quatros anos lamentava-me "Protesto: não gosto de chuva, não gosto de céu cinzento, não gosto de frio, não gosto desta treta deste tempo!!!!!" Há dois vociferava sensivelmente a mesma coisa e no ano passado idem. Nada de atípico, portanto. Apenas o inconformismo de um mês que tenho obrigatoriamente de férias e que desejaria, à semelhança do que gosto e da minha forçada disponibilidade, de calor, sol, muita praia, dias longos de ocasos rubros. E num dias destes nada como uma sobremesa de compromisso entre o dia meio tristonho de um Agosto afinal típico e a voluptuosidade da fruta de Verão e uma das que mais gosto, pêssegos. Cobbler seria.

Cobbler de pêssegos caramelizados

Ingredientes:

8 a 10 pêssegos médios
150 g de açúcar
1 colher de chá de manteiga

Para a massa:

225 g de farinha
125 g de açúcar amarelo
1 colher de chá de fermento
1 ovo
100 ml de buttermilk 

Confecção:
Pré-aquecer o formo a 180º.
Descascar e cortar os pêssegos em oitavos.
Levar o açúcar a caramelizar numa frigideira anti-aderente. Quando começar a caramelizar juntar a manteiga e os pêssegos e deixar os pêssegos caramelizarem um pouco, mas não em demasia, já que o caramelo pode ficar amargo. Quando estiverem meio cozidos, passar para um recipiente refractário.
Enquanto os pêssegos caramelizam pode fazer-se a massa. 
Juntar a farinha com o fermento, adicionar a manteiga em cubos pequenos e fazer uma massa esfarelada, pode ser à mão ou com um amassador. Adicionar o açúcar. Bater o ovo com o buttermilk e verter sobre os ingredientes secos. Bater com uma colher e deitar colheradas da massa sobre os pêssegos caramelizados. Levar ao forno 40 a 45 minutos. Comer sozinho ou acompanhado de um bela bola de gelado de baunilha como foi o caso.



domingo, 1 de março de 2015

Torta de merengue com 'curd' de limão para brindar Março

Este pobre blogue tem andado tão parado que mais parece morto. Obviamente tem-se comido cá em casa, mas tem-me faltado a calma e o tempo necessários para fotografar e escrever. Tenho algumas receitas em atraso, uma pie de frango com massa filo, uns crepes do dia das panquecas e uma deliciosa mousse de chocolate branco com lima e framboesas. Assim venha mais tempo e melhor disposição e talvez vejam a luz do dia . 
O que me trouxe aqui hoje não foi a lamúria habitual da falta de tempo mas mais um Dia Um... Na Cozinha. Depois de dois meses de ausência eis-me de regresso. A proposta eram tortas doces. No meu tempo de infância, a torta era uma presença muito constante à mesa de casa dos meus pais. Recheada com chocolate ou com com doce aparecia muitas vezes. Hesitei muito em recriar essas tortas, tão simples e tão boas, sem qualquer sofisticação, apenas o talento de quem deitava mãos à obra e o carinho à nossa volta. Como não se deve voltar ao lugar onde se foi feliz, diz-se por aí, optei por uma torta de merengue com 'curd' de limão. Não me arrependi.


Torta de merengue com 'curd' de limão

Ingredientes
Para o curd
100 g de manteiga
200 g de açúcar
3 gemas e um ovo
Sumo e raspa de 4 limões

Para o merengue
4 claras
225 g de açúcar amarelo


Confecção

Começar pelo curd: num tacho anti-aderente levar ao lume médio a manteiga, o açúcar e a raspa e sumo de limão. Quando a manteiga estiver derretida, retirar do lume e juntar os ovos previamente batidos com uma vara de arames. Levar ao lume e, mexendo sempre, deixar engrossar, sem ferver. Retirar do lume e ir mexendo de vez em quando com a vara de arames até arrefecer. Reservar.

Preparar o merengue: pré-aquecer o forno a 180º. Forrar a forma com papel aderente e pincelar com óleo. Bater as claras e incorporar aos poucos o açúcar. Bater as claras até ficarem bem presas. Levar ao forno 20 minutos. Abrir o forno, deixar uns cinco minutos lá dentro. Retirar e desenformar o merengue sobre um pano de cozinha polvilhado com açúcar. Deixar arrefecer. Barrar com o curd de limão e enrolar.






Mais um Dia Um... que chegou. Que sejas bem-vindo, Março.


sábado, 20 de dezembro de 2014

Rabanadas com laranja para iluminar o Natal

Os natais estão recheados de memórias passadas. São essas que ficam e que vão iluminando os natais presentes ou que estão lá para nos lembrar em momentos de escuridão que devemos multiplicar e honrar esse património de afectos perfumado com o aroma da canela e que melhores dias virão.
Nos meus natais passados havia um ritual que se cumpria escrupulosamente sob pena de se falhar uma das sobremesas imprescindíveis de Natal: comprar o pão para as rabanadas. Geralmente cacete mas julgo que também houve pão de forma de padaria, nesse tempo não havia pão embalado com data de validade. Era comprado com alguma antecedência, é sabido que o pão tem de ser recesso, expressão para pão duro ou dormido, como lhe queiram chamar, típica da Beira Alta e que nunca ouvi em mais lado nenhum.
Um dia destes estava na cozinha e observei o pão que se tornava recesso. Eram carcaças, papo-secos por aqui, o pão mais sem gracinha que se conhece, mas que recolhe um adepto fervoroso aqui por casa. Aproximando-se o natal, e sem sobremesa para um almoço de Domingo, decidi arriscar e usar os papo-secos recessos, dormidos, duros. O resultado foi agradavelmente surpreendente. As rabanadas ficaram no ponto, nem muito grandes nem demasiado secas. A segunda parte desta receita surgiu no grupo Quinze Dias com… A Aida do delicioso Doces em Casa fez uma receita deliciosa de rabanadas com laranja. A segunda vez que fiz as rabanadas de papo-seco experimentei a excelente sugestão. Como qualquer cozinheiro dei-lhe o meu toque e o resultado agradou a todos. No próximo dia 24 não faltaram à minha mesa.

Rabanadas de laranja

Ingredientes
2 papo-secos cortados em fatias médias
Leite (deitei a olho mas terão sido cerca de 4dl)
1 colher de chá de mel
Casca de limão
Vinho do Porto (2 dl)
Ovos

Para a calda
Sumo de duas laranjas grandes
100 ml de água
100 g de açúcar
2 paus de canela
Casca de laranja em tiras

Confecção
Cortar o pão em fatias médias. Aquecer o leite sem ferver. Num recipiente largo colocar o leite, a casca de limão, o mel e o Vinho do Porto. Bater os ovos num outro recipiente.
Preparar a calda: com um descascador de legumes descascar um quarto da laranja, de forma a ficar apenas o vidrado e cortar em tirinhas muito finas.  Juntar todos os ingredientes e ferver até ganhar o ponto desejado. Como sou pouco entendida em pontos de açúcar, usei mais uma vez a intuição.

Para as rabanadas, passar o pão pelo leite, depois pelos ovos e fritar em pouco óleo.  Depois de fritas, escorrer num prato com papel absorvente. Transferir para outro recipiente e regar com a calda.



sábado, 13 de dezembro de 2014

Chilli com carne para combater dias cinzentos

Dias cinzentos convidam a refeições quentes. Daquelas que aquecem não só o corpo mas também o coração e a alma. Tudo isto estaria certo se chilli não fosse por excelência um prato mexicano de clima quente. Não me lembro nunca de ter comido chilli em dias de verão e de calor. Nem mesmo no México. Uma das vezes estava frio. Fazia Londres e o chilli foi comido num pub depois de uma manhã de inverno rigoroso. Quem sabe por isso, chilli é calor e aconchego, o antídoto perfeito para o cinzento do lado de lá da porta. 

Chilli com carne

Ingredientes
(serve 4/5)
1 cebola média
1 pimento pequeno
1 lata de feijão vermelho escorrido
500 g de carne de vaca picada
5 tomates chucha bem maduros
2 dentes de alho grandes
1 1/2 colher de chá de cominhos moídos
1 1/2 colher de chá de paprika
1 colher de chá de malagueta picada
1 colher de chá de açúcar
2 colheres de sopa de pasta de tomate
300 ml de água
1 cubo de carne
Sal e pimenta preta

Confecção
Cortar o pimento em tiras. Tirar a pele e as sementes ao tomate e cortar em pedacinhos muito pequenos. Picar o alho. Picar a cebola.
Aquecer uma frigideira, deitar um fio de azeite e juntar a cebola picada. Quando a cebola estiver translúcida, Deixar cozinhar cinco minutos e deitar o alho e o pimento. Adicionar a paprika, os cominhos e a malagueta e deixar cozinhar mais uns cinco minutos, mexendo de vez em quando. Juntar a carne, temperar com sal e pimenta preta e aumentar o lume de forma a que a carne frite e não guise. Com um utensílio separar a carne para que frite por igual. Juntar depois o tomate em pedacinhos e mexer. Quando começar a fervilhar adicionar a pasta de tomate e o açúcar e 300 ml de caldo de carne. Cozinhar 20 minutos em lume muito brando. Juntar então o feijão escorrido. Deitar um pouco de água se necessário. Rectificar o tempero e ferver mais 15 minutos. Servir com arroz branco e crème fraiche.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Zimtsterne ou estrelas de canela para o Dia Um

Sou um bocado obsessiva nos gostos. Se gostar de uma camisola de determinado modelo tenho vontade de comprar mais duas de cor diferente. O mesmo aplica-se a outras peças de roupa, acessórios ou seja o que for do que gosto, à excepção de uma ou outra coisa que por decoro não vou aqui referir. Nessa mesma medida se gostar muito de uma cidade ou país tenho sempre vontade de voltar. Berlim ou Londres, Cabo Verde ou Brasil são destinos a que regressaria assim a vontade me permitisse, quase sempre portanto, e a partir de agora quase nunca, sendo que o ‘quase’ é um acessório absolutamente ilusório nesta minha nova condição de depauperada. Quando fui a Munique num Dezembro passado e descobri os mercados de Natal passei a ter uma nova obsessão: mercados de Natal. Sempre que chega esta altura do ano, lá para os fins de Novembro, cresce em mim uma vontade imperiosa de me aconchegar num cachecol, atafulhar-me em casacos felpudos, gorros e luvas e perder-me entre a multidão, beber um Glühwein bem quente, enquanto as pessoas se passeiam mercado acima mercado abaixo numa romaria colorida e perfumada, e deixar-me envolver por momentos nessa que se diz ser a magia do Natal. Nada disto pode parecer muito mal excepto se se souber que sou mulher de sol e luz, portadas abertas e janela no basculante até o sol se esconder e que encontra amparo em dias tépidos ou escaldantes, o bálsamo verdadeiro que afasta cansaço, stress, angústia. Muito. Quase tudo. Mas obsessão é obsessão e até ontem apetecia-me um mercado de Natal e até ontem porque quando pus o nariz de fora à noite e senti o vento cortante em frente à basílica numa noite de breu gelada e impiedosa  sem que cachecóis, casacos e gorros me pudessem valer, percebi de que são feitos os sonhos, de sonhos apenas. Manias revestidas de grinaldas de fantasia. A realidade é outra coisa.

Texto originalmente publicado n' A Curva da Estrada.

E para celebrar esta minha paixão pelos mercados de Natal trouxe para o Dia Um... Na cozinha uma receita alemã: Zimtsterne ou Estrelas de canela.

Ingredientes
3 claras de ovos (M)
250 g de açúcar em pó
1 saqueta de açúcar baunilhado (8 g)
400 g de miolo de amêndoa triturado
3 colheres de chá de canela em pó
Raspa de laranja (opcional)
Arandos secos para decorar (opcional)
Farinha q. b.

Preparação
Pré-aquecer o forno a 140º.
Bater as claras em castelo bem firme. Juntar o açúcar a pouco e pouco, batendo a cada adição. Adicionar o açúcar baunilhado e retirar cerca de três colheres de sopa para decorar posteriormente. Por fim juntar a canela em pó e a raspa de laranja, continuando a bater.. Com a batedeira no mínimo, deitar metade do miolo de amêndoa. Adicionar depois o restante e ir batendo até a massa se ganhar mais consistência. Juntar um pouco de farinha, se for necessário. Deitar a massa na bancada da cozinha polvilhada com açúcar em pó, tender com o rolo da massa e cortar estrelas com um cortador de bolachas. Cobrir com as claras em castelo com açúcar e levar ao forno cerca de 30 minutos.


A massa foi muito difícil de tender e tive de juntar farinha, que não leva no original. Deram-me mais trabalho do que tinha pensado antes mas não desgostei do resultado. Feliz Natal a quem me visita!


Aqui fica a minha participação no Dia Um... Na cozinha dedicado a biscoitos e bolachas de Natal neste mês de Dezembro.


sábado, 15 de novembro de 2014

Beef bourguignon à la Ramsay

Gordon Ramsay é um dos chefs preferidos cá de casa, já o terei dito algures num post deste blogue.  Apesar de prever que me pegaria com ele caso me falasse como habitualmente fala com os concorrentes, acho-lhe piada e gosto da imagem, sabemos que é imagem criada, de homem dinâmico, elegante e talentoso. O que me faz gostar mesmo dele, contudo, é o talento e as receitas. São de confecção relativamente fácil como pormenores que fazem toda a diferença. De todas as receitas que experimentei não houve uma única que não fosse deliciosa. Nesta quinzena o convidado do Quinze dias com é o Gordon Ramsay. Lançado o desafio ontem à noite e com cogumelos a findar o prazo no frigorífico só precisava de procurar. Não foi preciso muito. Com o outono instalado nada como um delicioso guisado. Apresento-vos Beef Bourguignon.

Beef bourguignon

Ingredientes (serve 4)
500 g de chambão
150 g de barriga de porco fumada
200 g de cogumelos marron
100 g de cebolinhas
1 colher de sopa de pasta de tomate
2 dentes de alho cortados
1 bouquet garni
Margarina com alho (1 noz)
7 dl de vinho tinto
Sal
Pimenta preta acabada de moer

Confecção
Temperar a carne com um pouco de sal e pimenta preta acabada de moer. Numa frigideira larga, deitar a margarina, e fritar a carne entre 3 a 5 minutos. Retirar e deixar escorrer num passador. Na mesma frigideira, deitar a barriga de porco cortada em pedaços pequenos, as cebolinhas, o alho e os cogumelos. Depois de frigir um pouco, adicionar a pasta de tomate, envolver tudo, e cozinhar durante uns minutos. Juntar a carne e os sucos e envolver. Adicionar o vinho tinto e deixar levantar fervura. Transferir para um recipiente refractário, juntar o bouquet garni, cobrir com uma folha de alumínio e levar ao forno pré-aquecido cerca de 3 horas.


Não fiz grandes alterações em relação à receita original. Servi com esmagada de batata doce com raspa de laranja. Recomendo vivamente esta receita para estes dias de Outono, 'comfort food' no seu melhor: deliciosa, reconfortante, cheia de sabor. Gordon Ramsay não brinca em serviço.


E com esta receita deliciosa estreio-me no Quinze dias com... Gordon Ramsay. 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Pêras ao chá com moscatel

Há quem continue agarrado à ideia de que a Internet e as redes sociais não interessam a ninguém. Nesta fase das nossas vidas não imagino sequer a minha sem ela. Cheguei ao ponto da dependência absoluta, e não quer isto dizer que estou sempre ligada, não estou, e sem estar sem computador, ou tablet, mas qualquer informação de que necessite o primeiro sítio onde vou é online, virtual, portanto. Se precisar de procurar um significado é online que o faço, os meus dicionários estão neste momento e de há um tempo a esta parte de férias, se quero uma receita idem, se ando com um destino de baixo de olho é 'lá' que vou também. Tudo.
A ideia para esta receita surgiu em conversa no Facebook com uma amiga que também fiz via Internet. Dizia-me ela a propósito destas pêras, que as fazia com chá em vez do vinho tinto. Conversa para cá e para lá, e aceitando a belíssima sugestão, eis as pêras que resultaram de mais uma conversa virtual. E ainda há quem se queixe da Internet. 

Pêras ao chá com moscatel

Ingredientes
8 pêras Rocha grandes
1 l de água
150 g de açúcar amarelo
3 dl de moscatel
2 saquetas de chá Lapsang Souchong
2 cascas de laranja
2 paus de canela

Confecção
Descascar as pêras com um descascador e deixar o pedúnculo. Cortar a base se necessário para que fiquem com base de sustentação.
Num tacho deitar a água e levar a ferver. Juntar as duas saquetas de chá e deixar que o chá abra. Retirar as saquetas. Adicionar o açúcar, o moscatel, as cascas de laranja e a canela. Quando levantar fervura, colocar as pêras e ferver cerca de meia hora. Durante a fervura virar as pêras para que fiquem cozidas por igual.


O chá Lapsang Souchong é um chá fumado com um travo forte e característico, ideal para compensar o moscatel.

sábado, 1 de novembro de 2014

Doce de Abóbora com canela e laranja para mais um Dia Um

Outono sempre foi cá em casa época de doces e compotas. Acontecia em tempo de vida do meu pai, ele ir ao leilão do cortejo de oferendas dos bombeiros voluntários e chegar a casa com uvas, lembro-me tão bem, hortaliças e uma abóbora. Adora aquele ritual, como adorava mercados, gosto que talvez me tenha passado. A abóbora tinha usos vários, uma abóbora é muita abóbora, e um deles era doce de abóbora, feito pelas mãos prendadas e sempre carinhosas da minha sorridente mãe. Foi com ela que aprendi a fazer este doce e a ela que recorro em caso de dúvida.
Trouxe o hábito de fazer doce comigo, como tantos outros, e Outono é tempo de doce de abóbora. É denso e quente, chama o Outono e torna os dias cinzentos mais quentes e reconfortantes. Quase gosto de outonos assim e nem sabem como isto é estranho. 

Doce de Abóbora com canela e laranja

Ingredientes
2 kg de abóbora cortada em pedaços pequenos
1 kg de açúcar amarelo
3 paus de canela
raspa de 3 laranjas

Confecção
Arranjar a abóbora: abrir, tirar as sementes, cortar em pedaços pequenos. Num tacho juntar a abóbora, o açúcar, os paus de canela e a raspa da laranja. Levar a lume médio, mexendo com frequência até atingir o ponto desejado, este terá levado  cerca de uma hora e meia.

Quando o Dia Um... Na Cozinha lançou o desafio deste mês fiquei a pensar se faria este doce ou um de marmelos. A tradição pesou mais e decidi-me por este. Comprei a abóbora numa mercearia perto. Morar na aldeia pode ser uma vantagem às vezes.


Desta vez usei açúcar amarelo em vez do habitual branco. O sabor ficou mais intenso e a cor mais escura. Gostei do resultado, especialmente do sabor.





E agora esperemos pelo próximo desafio. Tenho a certeza de que este doce não vai chegar até ao próximo dia um e, depois de dois posts de seguida com abóbora, prometo que o próximo será diferente.


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Sopa de abóbora assada com leite de coco para esta 'quinzena'

Fazer parte dos grupos que se vão criando no Facebook em termos culinários tem sido uma experiência muito gratificante. Há a partilha, o bom ambiente nos que faço parte, e o desafio da aventura. Um chef novo, uma receita, um prato nunca antes pensado. Nesta quinzena, o chef convidado para os Quinze dias com... foi a Lorraine Pascale. Gosto dos chefs ingleses, talvez o sentido de humor, o inglês, um maneira de ser sempre peculiar, mas nunca tinha prestado muita atenção a esta chef. Foi portanto mais um desafio e uma forma de se conhecer melhor outra 'cozinha'. Andei indecisa muito tempo com a receita. Cheguei à conclusão de sempre: falta-me um livro dela mas hoje como queria fazer sopa para o jantar optei por esta receita. Ainda bem que o fiz. É deliciosa, cheia de sabor e com um toque muito especial. Ainda está morna, são servidos?

Sopa de abóbora assada com leite de coco

Ingredientes
500g de abóbora
1 courgette pequena ou meia grande
1 cebolinha
2 dentes de alho grandes
1 cebola
1 cubo de galinha
Sal
Pimenta preta
Azeite
Coentros
Malagueta em flocos
Leite de coco

Confecção
Pré-aquecer o forno a 200º.
Cortar a abóbora e a courgette em pedaços pequenos, a cebolinha em rodelas e o alho. Colocar numa frigideira larga ou num tabuleiro. Regar com um fio de azeite . Polvilhar com sal e pimenta preta e levar ao forno. Assar cerca de 35 minutos. Entretanto, num tacho, deitar a cebola cortada em rodelas e deixar caramelizar com um fio de azeite. Quando a cebola ganhar cor, deitar a mistura dos legumes assados, juntar um pouco de água e o caldo de galinha, mexer e deixar levantar fervura. Cozinhar uns dez minutos e reduzir a puré com um liquidificador. Rectificar os temperos e juntar água a gosto, e deixar ferver apenas um pouco . Servir com coentros picados, a malagueta e o leite de coco.


Adaptei a receita original  ao meu tempo e gosto. Optei pela courgette para conferir mais cremosidade, cortei os legumes em vez de deixar assar a abóbora na casca por ser mais rápido e omiti a lima, porque não tinha em casa. O gengibre ficou de fora, como sempre, porque não gosto de todo. Valeu a pena. A sopa fica muito boa não só por a abóbora ser assada mas por causa dos coentros, malagueta e o leite de coco. A repetir sem qualquer dúvida.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Bolo de natas ácidas com laranja e canela

Abro o frigorífico e lá estão elas. Não sei muito bem para que as terei comprado mas, espreitando o prazo de validade, sei que estão nas últimas. Mais uns dias e zás,  entregarão a alma ao criador. Desde que deixaram de ser úteis para o fim para o qual as terei comprado que me desafiam de dentro do frigorífico e, por mais voltas que dê, penso sempre no mesmo. Na minha bíblia de bolos, o Cake da Rachel Allen cruzei-me um dia com um bolo de natas ácidas e laranja, e elas, as que me olham do frigorífico, pedindo para ser utilizadas antes que estiquem o pernil, serviriam na perfeição para me aventurar. Assim foi. Com umas pequenas alterações, o resultado está à vista. Ainda bem que ouvi as súplicas de dentro do frigorífico. 

Bolo de natas ácidas com laranja e canela

Ingredientes
150g de manteiga
200g de açúcar amarelo
250 g de farinha
200 ml de natas ácidas
2 ovos grandes
1 colheres de chá de fermento
Sumo de meia laranja grande
Raspa de duas laranjas
Meia colher de chá de canela em pó

Confecção
Pré-aquecer o forno a 180º.

Bater a manteiga à temperatura ambiente com o açúcar até ficar um creme leve. Adicionar os ovos um a um, batendo a cada adição. Juntar a raspa e sumo da laranja e as natas ácidas. Envolver a farinha com o fermento e a canela. Deitar numa forma muito bem untada e levar ao forno entre 40 a 50 minutos. Deixar repousar 5 minutos e desenformar. Depois de frio, decorar a gosto. Usei um stencil para bolos e polvilhei com canela em pó.


Este é o tipo de bolo que farei mais vezes, daqueles que se comem ao lanche com uma bela chávena de chá. A textura é perfeita, macia e fofa, parece que se vai desfazer.