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sábado, 15 de março de 2014

Da utilidade dos livros numas pernas de pato assadas com legumes

Tenho a mania dos livros e tenho a mania de os levar comigo para a cama. Não é a primeira vez que adormeço com um em cima dela e a minha mesa de cabeceira é uma zona alargada que se estende ao tapete do meu lado da cama. Ocasionalmente faço uma arrumação e devolvo os livros às estantes, contudo em momento algum tenho apenas um livro e leio apenas um livro. Esta mania que me acompanha desde sempre estende-se aos livros de cozinha neste momento. Se os livros forem novos ficarão algum tempo ao pé de mim até que decida que já me situo e que encontrarei facilmente o que procuro ou o que me chamou à atenção.
Quando nos resolvemos aventurar no peito de pato e depois de várias voltas chegámos à conclusão de que mais valia comprar um pato inteiro e tirar-lhe os peitos do que comprar os peitos do pato, de preço proibitivo. O que se faria com as restantes partes não seria problema. Arroz de pato seria o mais óbvio e imediato. Já o fiz dezenas de vezes, corre sempre bem mas lembrei-me de que exactamente as pernas de pato eram um dos prato que tinha no Irish Family Food da Rachel Allen. De alguma coisa há-de valer a pilha de livros no meu quarto e esta mania de não viver sem eles e lhes meter o nariz. Nunca li livro que me fizesse mal. A descoberta desta receita, tão simples afinal, está aí para o comprovar. A vida sem livros seria muito triste. Sem comida saborosa idem. 


Ingredientes
2 pernas de pato inteiras com a pele
2 asas
Batatas cortadas em cubos médios (4 ou 6 dependendo do tamanho)
Cebolas (2 grandes) cortadas em quartos
Cenouras cortadas em pedaços grandes
Alecrim (2 ramos)
Flor de sal 
Pimenta preta acabada de moer

Preparação
Pré-aquecer o forno a 200º.
Massajar o pato com um pouco de flor de sal. Descascar e cortar os legumes. Reservar. 
Colocar as asas e as pernas do pato com a pele virada para baixo numa caçarola larga. Como também tinha o pescoço, foi igualmente para a caçarola. Deixar que a gordura derreta. Virar do outro lado. Voltar a virar do lado da pele e aumentar o lume para a pele começar a tostar. Retirar o pato da caçarola e envolver os legumes na gordura do pato. Temperar com flor de sal e pimenta preta acabada de moer. Colocar os ramos de alecrim e o pato por cima. Salpicar com alecrim. Levar ao forno tapado com uma folha de alumínio cerca de uma hora. Findo esse tempo, retirar a folha de alumínio e deixar tostar. Servir bem quente, bem regado e em excelente companhia. 


Nota: a qualidade dos legumes é fundamental para o sucesso deste assado. Usei todos biológicos, comprados directamente ao produtor. Privilégios de morar na aldeia.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Peito de pato com pimenta preta e redução de vinho tinto e o prazer do Inverno

Vesti saia. Saia justa, sapatos altos abotinados, barriga para dentro e peito para fora e abalancei-me sexta-feira fora, decidida a matar a semana e a afugentar esta invernia que nos tem assolado. É tempo dela, dir-me-ão. É, é tempo dela, mas eu não sou deste tempo. Quando os alunos me afagaram o ego perante a vestimenta aprumada, desabafei, ‘Já não posso, meninos, é para afugentar o Inverno. Não gosto de Inverno. Estou cansada da roupa de Inverno. Sou animal de Verão’. Riram-se muito. ‘Animal de Verão, setora? Isso é muito selvagem’. A juba que tenho de certeza que ajudou a tão certeira conclusão.
Ser animal de Verão é um facto. Nasci em tempo de calor. Devia estar sol, a minha mãe diz-me que estava calor, e eu terei guardado na memória que o dia que me embalou num colo quente e ensolarado numa tarde de Junho. Terei porventura assumido que assim seria a vida: um duradouro e imenso Verão feliz de noites quentes e dias longos. Há dias desabafei também que a única coisa boa no Inverno era a lareira e estar em casa. Esqueci-me do outro vértice do triângulo: cozinhar. Foi hoje. Diz que havia muito mau tempo na rua. Viriam vagas desmedidas. O fim do mundo mascarado de Inverno. Aqui não se sentiu nada. Conversas e descontracção entre quatro paredes, um copo de vinho partilhado, o aconchego, o conforto, e a partilha de um prato especial, cozinhar para quem se ama. O Inverno também pode ser bom e apaziguar-nos com a vida. Hoje assim foi. Tanto que quase me reconciliei. A vida não pára de nos surpreender felizmente também pela positiva.

Peito de pato com pimenta preta e redução de vinho tinto

Ingredientes
2 peitos de pato com a pele
Flor de sal
Pimenta preta acabada de moer (uma quantidade generosa)
Tomilho fresco (a gosto)

Para a redução
Vinho tinto (proporção 2/3)
Vinho do Porto (proporção 1/3)
2 dentes de alho esmagados
Tomilho fresco
Sal

Preparação
Cortar a pele dos peitos do pato na diagonal com cortes superficiais, formando losangos. Fazer uma mistura com a flor do sal, a pimenta preta e o tomilho. Massajar os peitos do pato com esta mistura e reservar.
Numa frigideira fria e em lume brando colocar os peitos de pato com a pele virada para baixo uns quinze minutos deixando que a gordura se derreta. Virar e deixar cozinhar cerca de cinco minutos. Virar outra vez, ficando com a pele virada para baixo, e aumentar o lume até a pele ficar crocante. Retirar do lume e levar ao forno pré-aquecido cerca de dez minutos. Os tempos de confecção vão depender do tamanho dos peitos de pato. Caso sejam pequenos estes tempos devem ser reduzidos para o pato não ficar demasiado seco.
Para a redução, levar ao lume os vinhos com o alho e o tomilho até reduzir. Rectificar o tempero. Adicionar um pouco de sal se for necessário ou em alternativa uma quantidade mínima de caldo de carne.

Retirar os peitos de pato do forno, cortar na diagonal, regar com a redução e servir bem quente. Acompanhei com batatas salteadas na gordura do pato e espinafres salteados também com alho e vinagre para finalizar.