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terça-feira, 1 de julho de 2014

Garoupa à Bulhão Pato para começar bem o mês

Escrevi uma vez um post que anda por aí perdido nessa blogosfera intitulado "a nostalgia do bitoque". Tê-lo-ei algures encafuado também e ainda é capaz de ressuscitar neste blogue mas por enquanto fica a ideia principal. Era e é uma crítica feroz àquelas pessoas que quando estão de férias reclamam com a comida do hotel. Passaram alguns anos e continuo com a mesma ideia. Para quem, como eu, gosta de experimentar comida e pratos novos e que, perante os mesmos, não torce o nariz mas fica curiosa, esta rejeição da comida diferente sempre me encanitou. Acontece, contudo, que mesmo gostando de comer de tudo um pouco, houve uma altura da minha vida, vá-se lá saber porquê, em que quando estava fora tinha saudades de peixe. Quando a minha mãe me perguntava se queria alguma coisa quando chegasse, a resposta era sempre a mesma: peixe. Agora tenho menos saudades do peixe, mas a verdade é que há muitos dias da minha vida em que sinto que poderia facilmente comer só peixe, ou quase só, e prescindir da carne. Gosto de peixes vários e quase sempre confeccionados da forma mais simples: cozido, grelhado, assado no forno e frito, fumado também vai. Nada melhor do que uns carapaus pequenos fritos com um arroz de tomate malandrinho ou com um risotto de coentros. E a epifania numas simplicíssimas sardinhas assadas numa fatia de pão saloio com uma salada pungente a acompanhar? E uns arenques fumados numa tarde de sol dourado no Báltico? Ou o cozido de peixe com malagueta e banana em S. Tomé? O que teria perdido se torcesse o nariz à diferença. O peixe é leve, cheira a mar e sabe a maresia e maresia é casa. Seriam disso as minhas saudades?

Garoupa à Bulhão Pato

Ingredientes
Filetes de garoupa frescos (comprei as garoupas inteiras e pedi que filetassem)
Conquilhas
Limão
Flor de sal (acabou-se-me o sal mas o resultado compensou)
Alho
Azeite
Coentros a gosto
Vinho branco

Preparação
Com três horas de antecedência, temperar os filetes de garoupa com flor de sal, limão e alho. Reservar. Pôr as conquilhas em água com sal com a mesma antecedência e ir mudando a água para libertar a areia. 
Antes de brasear a garoupa, fazer as conquilhas: deitar um fio de azeite numa frigideira com alho picado e alguns coentros cortados com uma tesoura de ervas aromáticas, adicionar as conquilhas, tapar e deixar que abram. Juntar mais coentros e o vinho branco. Deixar que o aroma a álcool evapore, rectificar o tempero e deixar apurar um pouco. 
Para brasear o peixe: retirar do frigorífico, tirar o alho e secar o excesso de humidade com papel de cozinha. Aquecer uma frigideira de fundo antiaderente com um fio de azeite. Colocar a garoupa com a pele virada para baixo. Virar passado alguns minutos. Deitar as conquilhas à Bulhão Pato sobre a garoupa com uma colher e servir. 
Como acompanhamento fiz batatas salteadas com cebolinho e vinagre. Ninguém reclamou, nem mesmo os carnívoros indefectíveis.


Notas: 
  • Como em quase tudo, a qualidade dos ingredientes é fundamental. Para este prato usei garoupa fresca que pedi para filetar à minha frente.
  • Porque não gosto de muitos molhos e para não afogar a garoupa, pus pouco molho das conquilhas. Posteriormente cada um adicionou a gosto.
  • Mais um prato que não é particularmente fotogénico acrescido do facto de se fazerem poucas produções fotográficas antes das refeições cá por casa, contudo, o sabor compensou a falta de fotogenia.
  • O empratamento foi e é simples: não gosto de pratos demasiado cheios ou demasiado vazios e também não gosto do peixe encavilatado em 'camas'.


Depois de ter falhado a festa de aniversário do Dia Um... Na Cozinha, eis-me de volta. Qual será o próximo desafio?


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A noite e o insubstituível bacalhau

Eu gosto da noite. Sou noctívaga desde a barriga da minha mãe e se pudesse deitar-me-ia tarde todas as noites, a noite não me dá sonos calmos, dormiria até às dez e faria a vidinha depois. Mas não é assim.
Gosto da noite porque tudo apazigua. A primeira vez que fui a África cheguei à noite. Brindou-me o aroma inebriante e o calor húmido que adoro mal pus pé fora da porta daquele avião gélido que me transportara até aquelas paragens equatoriais. E esperava-me uma noite de breu que como um véu cobria e encobria a realidade lá fora.
Era noite quando entrei em Havana pela segunda vez. Noite quente de Junho e a Praça da Revolução pareceu-me o mais impressionante local, iluminado e apaziguado pela noite. Não é verdade mas a noite assim a tornou.
É à noite que mais gosto do Palácio à sombra do qual cresci. É maior, mais belo, imponente. Tudo por causa da noite.
Conheci o homem com quem trilho caminhos à noite. Era uma noite gélida de Novembro húmido como só Mafra conhece e com ele fiquei até hoje. Noite abençoada.
Há noites, como dias, em que as ementas são fixas cumprindo rituais ancestrais de hábitos culturais e religiosos. E há noites em que podemos dar a volta à ementa, vesti-la de gala para a ocasião, perfumá-la e polvilhá-la com outros aromas. 
O único problema da noite é quando se tem uma modesta máquina fotográfica, a ceia é aguardada com expectativa e as fotografias não saem como eu gostaria. Há sombras. Há o brilho dos pratos. Há a falta de luz que é fundamental para quem anda nestas lides, muito modestas as minhas, de fotografar comida. Aqui ficam as possíveis mas posso garantir que o sabor é muito mais intenso do que estas modestas fotografias. Às vezes a noite trai-nos.
Quando o Dia Um… Na Cozinha lançou o desafio deste mês com iguarias de Natal a escolha foi-me muito difícil, as possibilidades, embora imensas, acabavam por recair sempre nos mesmos doces. Decidi-me pelo fiel amigo. Depois de ter experimentado várias opções para a Ceia de Natal sem que nenhuma fosse o tradicional cozido com batatas, nada por que se morra de amores aqui por casa, este ano optámos por uma receita de confecção mais rápida e de sabores mais arrojados. Se havia 1001 maneiras de o preparar agora passa a haver mil e duas.

Lombo de bacalhau embrulhado em prosciutto com redução de vinho branco e coentros

Ingredientes
Lombos de bacalhau Usei congelados)
Presunto (usei Prosciutto por ser mais suave)
Sal e pimenta
Alho
Azeite

Para a redução:
Vinho branco
Coentros frescos a gosto

Preparação
Descongelar os lombos de bacalhau. Cortar ao meio pela espinha. Retirar a pele e as espinhas. Aquecer azeite com dois dentes de alho picados. Pincelar os lombos com o azeite e alho, deitar pimenta preta acabada de moer e reservar por umas horas.

Embrulhar os lombos de bacalhau nas fatias de presunto. Numa frigideira com um fio de azeite selar o bacalhau embrulhado no presunto. Baixar o lume e ir virando o bacalhau com uma pinça. Quanto ao tempo, usei a intuição, uso-a muito, e assim que vi que o bacalhau estava quase pronto transferi-o para uma travessa quente e levei ao forno pré-aquecido a uns 150º com uma folha de alumínio por cima. Entretanto, preparar a redução. Na frigideira onde se selou o bacalhau, adicionar vinho branco, usei Verdelho, quando o molho tiver reduzido, juntar os coentros cortados. Retirar o bacalhau do forno, regar com a redução e servir. Foi acompanhado com batatas salteadas avinagradas. Dispensámos as couves e nem os bróculos resolveram aparecer.  

Aqui fica mais uma participação no grupo Dia Um... Na Cozinha, um grupo ao qual gosto muito de pertencer e a quem desejo um 2014 bem opíparo. 


Desejo a todos um excelente 2014. Que seja sempre melhor do que o que esperamos. Que na noite haja aromas perfumados e luzes que nos iluminem o caminho.

Nota: mudei a foto e pus esta que de repente me apareceu no Google+ com estes efeitos sem eu saber como. Que a magia do Natal se mantenha ao longo dos outros dias do ano.