terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Creme de cogumelos com tomilho e divagações à toa


São vinte e três horas. Dia longo como quase todos os de trabalho. Tarefas que parecem reproduzir-se e, contudo, um imenso sentimento de culpa como se estivesse a prevaricar, a procrastinar, a negligenciar os meus deveres profissionais. Quem é professor sabe exactamente do que falo. Um peso que não nos larga nunca ou raramente, coisas para fazer, trinta pares de olhos em cima de nós de noventa em noventa minutos, escrutínio sem tréguas, e um desgaste que me leva a pensar muitas vezes quando saio da escola pela hora do almoço que não aguentarei mais do que mais dez anos no ensino. Não, não tenho força, penso. E não é só flexibilidade e sagacidade, rapidez de raciocínio, capacidade de reacção imediata e de adaptação constante, é esse o meu dia-a-dia. É mesmo força física para aguentar tanta solicitação, a pressão, a energia das hormonas que não param. E tenho medo. E raiva. Medo de perder a dignidade e raiva porque caso me reforme antes da idade a que me obrigam ficarei reduzida a meia dúzia de tostões. Estes dias de inverno ajudam a sentimentos negros, não bastasse já o que nos rodeia. Nestes dias, a casa é a minha ostra. Escondida lá dentro, aqueço-me, lareira sempre a crepitar, apetece-me quase sempre um copo de vinho tinto, luxo ao qual não me posso dar, apesar de o dizerem saudável. Resta-me o conforto de uma sopa quente e saborosa. Mas até da sopa me canso. Legumes e legumes, nada de batatas, massas, leguminosas que a genética odeia-me e insiste em lembrar-me que não, não posso comer o que me passa pela cabeça. Desta vez aventurei-me num creme de cogumelos com tomilho e cogumelos variados inteiros para quebrar a monotonia, são também eles que fazem esta sopa especial. Não foi a primeira vez mas esta é a receita que resulta melhor. O Inverno há-de passar e os dez anos ainda vêm longe. Vamos ao creme de cogumelos.

Creme de cogumelos com tomilho

Ingredientes
200 g de cogumelos Portobello
2 courgettes médias
1 cebola roxa
3 dentes de alho
1 embalagem de mistura de cogumelos congelados
1 colher de sopa de iogurte grego natural sem açúcar ou natas espessas (opcional)
1 fio de azeite
Tomilho fresco a gosto
Sal

Preparação
Lavar bem os legumes. Cortar os cogumelos em quartos, as courgettes em pedaços pequenos e a cebola em rodelas grossas.

Numa panela de pressão deitar primeiro a cebola e depois os restantes legumes. Adicionar os dentes de alho, o tomilho, e regar com um fio de azeite. Deixar suar em lume médio. Quando os legumes e os cogumelos começarem a murchar, acrescentar um pouco de água, sal, e fechar a panela. Levar ao lume cerca de 20 minutos. Passar com a varinha mágica até ficar cremoso, acrescentado água se for necessário, rectificar o tempero e juntar a mistura de cogumelos congelados inteiros. Deixar ferver até os cogumelos estarem cozidos. Servir com uma colher comedida de iogurte grego natural ou natas e salpicar com tomilho. 


Se se perguntarem porque é que as natas estão com um forma tão irregular é porque aqui em casa pratica-se a liberdade de expressão. Até nas sopas e na comida.

14 comentários:

Ilídia disse...

Um creme de cogumelos não cura tudo, mas apazigua muita coisa ;)

Um beijo,

Ilídia

PS: Como te percebo. Até na questão da genética ;)

Leonor disse...

É verdade, Ilídia :)
Só males que nos atormentam. É uma miséria não poder comer tudo sempre.

Beijinhos

Gabriela Bruno disse...

A genética também insiste em atacar deste lado. A sopa apetece e fugir da escola também.
Bêjos

Patricia Conceicao disse...

Hummmm, que bom ar tem esta sopa!Vou experimentar, mas sem panela de pressão, que é instrumento que não possuo ;) Obrigada querida Leonor.

Tertúlia da Susy disse...

Uma delicia.
Bjs, Susana

Marisa Valadas disse...

Eu adoro cogumelos, adorei o aspecto da tua sopa
Quanto aos 10 aos, não sofras por antecedência...

Leonor disse...

E às vezes é tão difícil contrariá-la, Loca :(
Bêjos.

Leonor disse...

Experimenta, Patrícia :) Adoro os cogumelos lá pelo meio com sabores diferentes. A panela de pressão foi só para ser mais rápido. Se for feito sem ela acho que os sabores até se apuram. E se não tiver as natas ou o iogurte não perde nada.
Beijinhos

Leonor disse...

Obrigada, Susana :)

Leonor disse...

Obrigada, Marisa. Tens razão, não se deve sofrer por antecipação. Isto é mesmo nos dias em que saio exausta e me ataca o desespero :)
Beijinhos

Célio Cruz | Sweet Gula disse...

Um creme bem saboroso e reconfortante, maravilhoso. Adoro estes cremes aveludados. Sai uamtacinha dessas para mim, por favor! ;)
Beijinho.

Leonor disse...

Obrigada, Célio. Mesmo reconfortante. Comi no dia seguinte sem natas para não abusar e fica igualmente boa :)
Beijinho

Isabel Patrício disse...

Leonor,
Como te entendo :) muitas vezes falta-nos a racionalidade suficiente, porque o coração fala mais alto. Os dias de inverno são longos, escuros e frios, convidam a sentimentos cinzentos, mas o sol começa a espreitar e novos dias surgirão.
Mas enquanto o inverno ainda anda por cá, vou deliciar-me com esta sopinha que adorei. Gosto imenso de cogumelos e este creme parece-me delicioso.
Também sou apologista da liberdade de expressão :) mesmo das natas :)
Bjns
Isabel

Leonor disse...

Os dias já estão a melhorar, Isabel, felizmente, mas ainda há tempo para esta sopinha. Experimenta que vais gostar. Já tinha feito creme de cogumelos antes mas este é o que mais me convence.
Viva a liberdade de expressão ;)
Beijinhos