Os antigos explicaram muito bem essa pulsão, pulsão? Não deve ser pulsão, mas esse sentimento subliminar de os filhos quererem casar com as mães, as raparigas quererem casar com os pais. Não sei contudo se terão explicado o enlevo e protecção que se direcciona das mães para os filhos homens e dos pais para as filhas mulheres, se bem que estes últimos são mais fáceis de explicar, os anteriores carecem de explicação outra que não seja uma ciumeira desalmada daquela outra marmanja que vem roubar a atenção primeira e única que os meninos dedicam às suas mães, mesmo quando já são barbados e têm vidas independentes. E tudo isto é muito pior se a marmanja a quem o miúdo barbado entregou o coração e a gestão de meias e cuecas souber cozinhar. Foi o que me aconteceu. Não que o filho que não tenho se entregasse a uma galdéria com manias de chef. O filho da minha sogra é que se entregou a uma dessas com ar de quem não dá uma para a caixa mas que gosta de cozinhar. Custaram-me muitos anos, e quantos, e alguns cozinhados para que ela proferisse um Está bom! Devia ter assinalado esse dia no calendário e decretá-lo o meu próprio e pessoal feriado, uma verdadeira vitória que se não fosse por puro pudor teria pedido para repetir mais alto Como? Nos dias que correm lá vou conseguindo um sorriso e esporadicamente um elogio. Já o meu sogro é mais imediato e generoso nos comentários e tem um palato apurado. É um bom garfo e repara nos detalhes. Acontece portanto que sempre que cá vêm ou sempre que lá vamos não facilito nas iguarias e esta mania da perfeição que me assiste a espaços transforma-se no peso que, qual Atlas, transporto cozinha afora e cozinhados adentro. Desta vez e aproveitando a época dos alperces, provavelmente a melhor fruta do mundo, sou doida pela polpa carnuda, o sabor meio acre e a cor alaranjada, resolvi fazer uma tarte tatin de alperces. Éramos seis adultos à mesa e um adolescente. E esperei o veredicto. Três disseram que estava óptimo, três não disseram coisa nenhuma e outro não comeu. Quem terá dito o quê?
Tarte tatin de alperces
Ingredientes
125 g de açúcar
50 g de margarina
1 embalagem de massa folhada
refrigerada
Alperces (deitei a olho, mas
foram muitos)
Preparação
15 comentários:
JÁ FIZ COM PêRAS , MAS IA ADORAR PROVAR ESSA ,POIS GOSTO MUITO DE ALPERCES.
FICOU LINDA DEMAIS.
BJS
Eu fiz com maçãs para a Dorie e há muito tempo com pêssegos mas esta é a que gosto mais. O travo dos alperces fica mais amargo. Só faltou a bola de gelado de baunilha :)
Obrigada
Beijinhos
Adorei este post, cheio de trocadilhos fenomenais :). Gosto de sentido de humor. Felizmente a mãe do meu marido já me disse muitas vezes que estava bom, mas tenho que admitir que a comida dela é maravilhosa. Eu fico com a sobremesa e o jantar é bem sucedido. Eu ia adorar ter provado essa tarte pois também gosto muito de alperces. É o tal gosto acre que lhe dá o charme. Quem não provou não sabe o que perdeu :)
:)) O único conselho "matrimonial" que dei ao meu filho foi: "Nunca se diz: a minha mãe faz melhor"
Sogras e noras são um clássico.
A minha sogra é muito comedida nos elogios, muito mesmo, mas nos dias que correm já me habituei, mas não facilito :)
Provei só um bocadinho mas fiquei com vontade de repetir.
LOL, Ivone :) Mas sente-se bem quando eles acham que as mães fazem melhor, não concordas?
Que belo aspecto :)
Obrigada :)
Olá,
ahahah! Que texto humorístico delicioso!
Não arrisco palpites de quem se calou, ihihih! O Adolescente não comeu?
Uma tatin de aspeto fantástico, quem lhe pode resistir?!
Bjs
Adorei o teu texto Leonor, escreves tão bem e com um belíssimo sentido de humor :)
Quem não comeu nem sabe o que perdeu! A avaliar pelo aspecto está fabulosa. Adoro alperces, esta semana fiz uma compota, tem um sabor tão bom.
Um beijinho.
Nem mais, Lenita, o adolescente não comeu, não gosta de alperces e eu mesma lhe disse para não fazer sacrifícios. A vida é demasiado curta para comermos o que não gostamos :)
Bem-vinda :)
Obrigada, Ginja :)
Os alperces são a minha perdição completa. Como uns atrás dos outros. Esta tarte tem um bom equilíbrio entre doce a acre mas não é muito indicada para adolescentes ou crianças.
Ficou com um aspecto fabuloso, Leonor. E logo eu que adoro alperces!
Fiz de pêssegos há umas duas semanas e ficou mesmo bom. Este ano foi um bom ano de alperces para minha felicidade.
Beijinhos
A diferença do teu tatin para o meu é no caramelo. Não usei margarina. Fi-lo com açúcar e água. Tive medo de o deixar queimar e ficou muito clarinho. Na próxima vez tenho que o deixar cozinhar mais. E também achei que a bola de gelado de baunilha vinha mesmo a calhar.
Beijinhos.
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