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domingo, 25 de outubro de 2015

Bolo de chocolate à antiga para domingos preguiçosos

 Um dia da semana passada numa tarde de conversa descontraída com a minha mãe, ela confessou que lhe apetecia um bolo à antiga, daqueles fofos e altos de que se come uma fatia ainda morna, a desmoronar-se pela textura, feitos sem a sofisticação dos tempos actuais. A seguir passámos pela memória os nossos bolos passados. Ela lembrou com carinho um bolo de iogurte que eu costumava fazer, não me lembro dele, e eu recordei todos os bolos enrolados que fazia também a pedido do meu pai. Tinham como recheio um molho de chocolate, feito a olho, completamente a olho, ou geleia de marmelo que a minha mãe fazia. Não devemos voltar ao lugar onde fomos felizes, diz-se por aí, e não sendo eu de me prender demasiado ao passado, sei que seria incapaz de reproduzir com fidelidade aqueles momentos pueris prenhes de carinho que caracterizavam os nossos momentos. O meu pai partiu. Jamais seriam os mesmos. 
É sabido que não se pode reproduzir o passado sob pena de não se viver o presente, mas hoje enquanto andava a dar voltas à cabeça para fazer um bolo que levasse natas, era o que tinha cá em casa, deparei-me com o bolo de chocolate à antiga da Nigella. Esta epifania só podia ser a continuação da conversa com a minha mãe e não procurei mais. Aqui o têm, com uma pequena alteração. Fiz uma cobertura à antiga com os ingredientes que tinha em casa e a olho. Não se deve reproduzir o passado exactamente porque o presente pode ser igualmente pleno. Vivamos apenas os tempos como se nos vão apresentando.

Bolo de chocolate à antiga

Ingredientes

Bolo
200 g de açúcar
200 g de farinha com fermento
50 g de cacau em pó
150 g de manteiga
200 g de natas espessas ou ácidas
1 colher de chá de fermento em pó
2 ovos grandes

Cobertura (medidas aproximadas)
1,5 dl de leite
1 colher de sopa de farinha
2 colheres de sopa de açúcar
1 colher de sopa de cacau em pó
1 colher de sopa de chocolate em pó
1 gema de ovo

Confecção
Pré-aquecer o forno a 180º
Bater a manteiga à temperatura ambiente com o açúcar. Juntar os dois ovos e as natas. Envolver a farinha com o cacau e o fermento. Deitar na forma untada com margarina e levar ao forno 35 a 40 minutos. Retirar do forno, esperar uns dez minutos e desenformar. 
Para a cobertura, juntar e mexer todos os ingredientes. Levar ao lume e deixar engrossar mexendo sempre. Deixar arrefecer um pouco, mexendo de vez em quando e verter por cima do bolo. 


E agora com uma bola de gelado de baunilha não fossem as calorias já as suficientes.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Muffins de chocolate para arrumar o ano lectivo

Para um professor os anos não terminam em Dezembro. Nessa altura ainda vamos a um terço do ano, e isto porque para nós os anos são lectivos e não civis. Para mim, pelo menos. No momento em que vos escrevo, acabo de arrumar o ano. Este ano foi um ano estranho, de imenso trabalho e alguns desafios que me deixaram satisfeita. Todos os anos são diferentes, porque os alunos são sempre diferentes, e fazendo uma análise, temos a tendência para achar que o último é sempre o mais difícil. Se pesar os resultados finais e aquilo que consegui fazer com os alunos o balanço é bem positivo. Contudo, nos últimos tempos, anos, diria, surgiu um novo desporto que faz com muitas vezes pondere abandonar estar profissão: tiro ao prof. Não há quem não tenha relambórios, queixas, críticas, dedos apontados, ânimos exaltados ou uma palavrinha contra o professor. Tudo vale. Nada se tolera. Nada se desculpa. Tudo serve para autos-de-fé em praça pública. Esta intolerância estende-se também aos alunos, também eles são apelidados de ignorantes, mal-educados, desrespeitadores. Se juntarmos os professores que não prestam para nada com os alunos que para nada prestam, segundo os arautos do apocalipse, estamos literalmente entregues aos bichos. Ora acontece que, como se sabe, todas as generalizações são abusivas e nem nós somos todos maus nem eles são todos péssimos. A turma que originou a receita que hoje vos trago incluía-se no grupo dos que assim não são. Nos primeiros dias fiquei agradavelmente surpreendida. Consegui fazer o que já não conseguia há anos: ter os alunos calados e interessados, a participar, e a fazer a aula acontecer. No fim do ano convidaram os professores que os acompanharam ao longo destes dois anos para um piquenique no jardim. Cada um levaria algo para comer. Fiz-lhes estes muffins. Temperei-os com o meu carinho e retribuíram-me da melhor maneira, apreciando-os. Se conhecessem melhor o ensino talvez o odiassem menos e o respeitassem mais.

Muffins de chocolate

Ingredientes
250g de farinha de trigo
150g de açúcar branco
2 colheres de chá fermento
4 colheres de sopa de cacau em pó
½  colher de chá de sal refinado
100 gr de chocolate negro cortado em pedaços
1 ovo grande
250ml de buttermilk (pode ser substituído por leite)
90ml de óleo vegetal

Preparação
Prá-aquecer o forno  a 190°C. Colocar formas de muffins de papel dentro das formas de silicone para o mesmo fim.
Juntar a farinha, fermento, cacau em pó e sal num recipiente. Adicionar o açúcar e o chocolate em pedaços.
Bater o ovo e o óleo com uma vara de arames. Juntar aos ingredientes sólidos e mexer apenas. Deitar por fim o buttermilk e envolver.  Não bater nem mexer demasiado a massa.

Deitar colheradas da mistura nas formas de muffins até dois terços e levar ao forno 20 a 25 minutos. 


Fiquei convencida com estes muffins: muito fáceis de fazer e deliciosos. Ao contrário do que se faz com o ensino, ninguém reclamou.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Bolo mármore com crumble de chocolate com chilli e o triunfo da persistência

Há coisas que fazemos bem, outras assim assim e outras nem por isso. Num post antigo confessei já a minha total incapacidade para cortar pão. Comprovei-a mais uma vez neste Natal ao cortar o pão para as rabanadas. Não ficou mal de todo. Depois de aparadas as côdeas ficaram fatias bastante razoáveis mas não é façanha com que me dê bem. Há quem diga que o pão deve ser mesmo cortado à mão. Quando está quente parece-me a solução perfeita, mas nem sempre está e há dias e alturas em que tenho de cortar pão com a faca. As fatias nunca saem perfeitas.
Outra das minhas incapacidades é, porventura, o mais simples e básicos dos bolos: bolo mármore. Não me lembro de comer muito bolo mármore em criança mas lembro-me de um dia estar a fazer um bolo mármore com uma amiguinha lá em casa sob supervisão da minha mãe. Quando chegou a altura de sobrepor a massa simples e a de chocolate fizemo-lo ainda na tigela. Como é bom de ver, o mármore mudou de cor e em vez dos veios escuros ficou uma cor uniforme de sabor achocolatado. Devia logo ter desconfiado nessa altura.
Quando um dia anunciei cá em casa ‘vou fazer um bolo’ e o meu consorte me questionou em jeito de pedido ‘um bolo mármore?’ sim, podia ser, um bolo mármore, assim foi. Não bem assim. Quando deitei mãos à obra, e vão duas, saiu um bolo ‘tigresse’. Eu explico: deitei chocolate em vez de cacau e dei-lhe umas voltas na massa que mais parecia os padrões de bicheza que se vêem por aí. O veredicto foi claro, ‘o bolo está bom mas’, pois o ‘mas’, ‘mas’, concluiu ‘não é bolo mármore’. Não era.
A terceira vez que me aventurei, aconteceu-me pior. Passou-me pela cabeça usar uma forma de fundo amovível mas com o fundo trabalhado e de buraco ao meio. Após pouco tempo no forno, fui chamada de urgência à cozinha. Está por averiguar se foi falta de jeito da minha parte ou se a forma está frouxa e velha e não veda como devia. Havia massa de bolo a esparramar-se pelo forno. Actuei rapidamente, uma mulher atrapalhada é pior que um homem grávido, mas, mais uma vez, o resultado foi um bolo. Ponto. Um bolo. Nem 'tigresse' sequer. Estava bom mas ser bolo mármore é que não era.
A penúltima vez que arrisquei fui acometida da vontade de vencer a minha incapacidade e salvar a minha reputação. Fiz pouca massa, e o resultado foi um bolo dálmata: estava às pintas. Chocolate aqui e acolá. Delicioso. Delicioso bolo dálmata. Bolo mármore é que não era.
A mais recente investida começou ontem ‘hoje apetecia mesmo um bolinho com um chá com uma intempérie destas’ ao que me perguntaram ‘bolo mármore’? Foi quase bolo mármore. Lá que estava bom, estava mas seria bolo mármore?

Bolo mármore com crumble de chocolate com chilli

Ingredientes

Para o bolo
200 g de manteiga
300 g de farinha
1 colher de chá de fermento
300 g de açúcar
6 ovos
½ iogurte natural magro sem açúcar
Cacau (deitei a olho)

Para o crumble
125 g de farinha
75 g de açúcar
75 g de manteiga gelada cortada em cubos
1 tablete (100g) de chocolate negro com chilli (usei Lindt)

Preparação
Pré-aquecer o forno a 180º.
Primeiro preparar o crumble. Juntar a farinha e o açúcar, a manteiga cortada em cubos e com os dedos esfarelar. Cortar o chocolate em pedacinhos com uma faca e adicionar ao crumble, envolvendo apenas. Reservar no frigorífico.
Para o bolo bater a manteiga à temperatura ambiente com o açúcar. Juntar os ovos um a um batendo entre cada adição. Deitar o iogurte e bater apenas o suficiente para ficar homogéneo. Com uma espátula, envolver a farinha. Dividir a massa em duas partes. Incorporar o cacau em pó numa das partes. Deitar na forma a massa simples e a com chocolate. Se necessário fazer leves movimentos com uma espátula ou uma faca. Levar ao forno cerca de 40 minutos. Quando o bolo estiver praticamente cozido, retirar do forno, espalhar o crumble por cima rapidamente, o bolo deve ficar o mínimo tempo possível fora do forno, e levar mais uns 15 minutos a cozer até começar a ficar dourado. Deixar arrefecer um pouco e desenformar.

Esta receita foi inspirada numa da Rachel Allen com algumas alterações. O chocolate do crumble pode ser de leite a versão original. Desta vez optei pelo chilli, gosto do contraste, mas ficará bem de certeza com chocolate com laranja.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Bolo de chocolate e frutos vermelhos para a festa da Maria

Agora que Setembro nos brinda com dias menos longos e ocasos em jeito de despedida o regresso a dias mais recatados anuncia-se sem cerimónia. Chama-me lentamente o conforto de uma tarde em casa tranquila com uma passagem breve pela cozinha e um prazer perfumado no forno, mais tarde acompanhado com uma chávena de chá. De maternidade entendo pouco, mas sinto que pouco nos faz mais feliz do que um bolo acabado de fazer pela nossa mãe. E sei que se tivesse filhos os acarinharia com o que destas mãos sai, um colo doce e carinhoso, o momento em que tudo pára e se relativiza.

Bolo de chocolate com frutos vermelhos

Ingredientes
200g de açúcar
200g de farinha
150 g de manteiga
4 ovos inteiros
2 colheres de sopa de iogurte grego (iogurte natural sem açúcar em alternativa)
2 colheres de sopa de cacau em pó
1 colher de sopa de chocolate em pó
Frutos vermelhos a gosto (usei mistura de frutos vermelhos congelados)

Preparação
Pré-aquecer o forno a 180º. Untar com margarina uma forma refratária baixa e larga. Bater a manteiga à temperatura ambiente com o açúcar até ficar um creme fofo e esbranquiçado. Adicionar os ovos inteiros um a um, batendo a cada adição e, por fim, o iogurte. Envolver a farinha cuidadosamente com uma espátula. Peneirar o cacau e o chocolate e envolver de novo sem nunca bater a massa.

Deitar na forma, pôr por cima os frutos vermelhos e levar ao forno uns vinte minutos. Depois de frio polvilhar com açúcar de confeiteiro. 

Este bolo é de fácil confecção e resulta muito bem. Ideal para quem tem preguiça ou falta de tempo para bolos de chocolate elaborados mas a quem apetece muito de repente uma fatia de bolo de chocolate fofo e saboroso. Os frutos vermelhos proporcionam o toque meio ácido para quebrar a monotonia.


Este é o meu contributo para a festa da minha querida Maria Papitas, cujo blogue comemora o segundo aniversário. O texto é-lhe inteiramente dedicado. É o colo doce e maternal que embala o blogue e nele a declaração do amor incondicional aos seus filhotes.



sexta-feira, 12 de abril de 2013

O adeus ao Inverno num bolo de chocolate com Guinness

Este blogue é feito ao sabor dos humores e ao sabor da minha inspiração. Acontece portanto que cozinho bem mais do que posto e posto bem menos do que cozinho. Cozinho todos os dias aquilo que julgo que muitos de nós cozinham: comida dita normal, sem grandes inovações, pratos rápidos que não requerem grandes cuidados, o património gastronómico que forja a identidade. Nesta voracidade dos dias tenho também momentos de lazer e deleite puro na cozinha, ao contrário dos anteriores: experiências novas e outras repetidas que por pura preguiça e falta de palavras vão ficando para trás, as fotografias arquivadas numa pasta à espera de ver a luz dos dias com umas palavras a acompanhar. 
Ontem foi dia de inaugurar a época das saladas. Mais uma vez algo sem qualquer inovação, temperado com as réstias de sol poente de uma Primavera fugidia. Se ela não falhar adivinham-se muitos dias de saladas frescas, grelhados embalados no ritmo próprio, lento, saboreado com a calmaria de existências felizes, fruta perfumada de que tanto gosto: morangos bojudos, alperces carnudos, pêssegos suculentos, ameixas sumarentas. E depois virão cerejas e uvas.E estes dias que me iluminaram e sacudiram a amargura dos dias cinzentos são dias de frugalidade e de arrumar receitas de Inverno como quem arruma roupa numa outra gaveta e que só voltará a ser usada quando os dias diminuírem, a aragem fresca soprará de novo no canavial que assiste incólume à passagem das estações e os melros recolher-se-ão até mais um estio. Este bolo é para mim bolo de dias mais frescos quando o zénite se esmorece e o ocaso se redobra em vermelhos decadentes. Ficaria pois resguardado à espera desses dias, se não o postasse agora. Muito tempo. Tempo de mais.

Bolo de chocolate com Guinness

Ingredientes
150 ml de Guinness (pode ser outra stout)
75 g de chocolate negro em barra (usei o que tinha mas quanto mais negro, melhor)
120 g de manteiga
275 g de açúcar amarelo
175 g de farinha com fermento
2 ovos médios

Preparação
Pré aquecer o forno a 180º.
Levar a lume brando a Guinness e o chocolate negro partido em pedaços pequenos. Assim que o chocolate estiver derretido, retirar do lume e deixar arrefecer.
Bater o açúcar com a manteiga até ficar um creme esbranquiçado e fofo. Adicionar os ovos um a um e bater entre cada adição. Juntar com cuidado a mistura de Guinness e chocolate e, por fim, envolver a farinha. Levar ao forno 30 a 35 minutos. Fazer o teste do palito antes de retirar do forno. 


Este bolo é indicado para quem gosta de sabores atrevidos e desafiadores. Há um toque tão diferente e tão encantatório que não sei explicar. As receitas que encontrei por aí têm todas uma cobertura de queijo creme ou similar mas porquê atafulhar sabores e texturas se a simplicidade já é tão intensa?


Receita inspirada  aqui

sábado, 16 de março de 2013

Com as mãos, a pavlova


Se me perguntarem o que reparo com frequência nas pessoas, responderei as mãos. Gosto de mãos de dedos longos, gosto de mãos equilibradas com unhas quase rectas a rematar, nem demasiado longas nem demasiado curtas. Gosto de pessoas que sabem usar as mãos. Usá-las para pegar em objectos, usá-las para escrever, usá-las para abraçar, dar, receber, acarinhar. Embirro com quem usa as mãos como garras, a ganância estampada na forma de se apoderar do mundo, a falta de elegância, de calma, de prazer diminuto em cada coisa que se faz. Gosto muito das mãos. Gosto de mãos que alcançam, as mãos como pontes entre mim e os outros, entre mim e o outro, entre nós. Gosto de mãos que falam quando as palavras são inúteis. As que tocam levemente. E eu que sou de letras e falas, de rompantes sonoros, sou mulher de toques suaves, os toques que uso para consolar vidas amargas impostas por sistemas absurdos que nos violentam humilham, dizimam. São as mesmas mãos que uso para limpar uma lágrima atrevida, e as mesmas que afagam a bicharada de quatro patas, as mesmas que acariciam o manjericão ou a alfazema para passear no olfacto e assim pela leveza de momentos de inexplicável, único, efémero prazer, um tremor tão intenso que poderia ser um orgasmo mas demasiado sumário para que o seja, êxtases breves com que os deuses me presentearam. Estas mãos são as mesmas mãos que me levam cozinha adentro, as que amassam, envolvem, misturam e vestidas de delicadeza se dedicam à alquimia de transformar. É isso cozinhar. Alquimia. Prazer. Êxtase. Transformação. Com as mãos.

As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre


Mini pavlovas de chocolate com frutos vermelhos

Ingredientes:
4 claras de ovos
170 gramas de açúcar de confeiteiro
1 colher de chá de vinagre
1 colher de chá de amido de milho
25 gramas de chocolate em pó
50 gramas de chocolate em barra

Frutos vermelhos a gosto
Iogurte grego natural não açucarado

Preparação:
Pré-aquecer o forno a 150º. Bater as claras em castelo. Quando estiverem firmes, adicionar o açúcar em doses pequenas batendo entre cada adição. Continuar a bater e quando ficarem bem firmes, juntar o vinagre, o amido de milho e o chocolate em pó, com uma espátula,e, por fim, o chocolate em pedaços. Num tabuleiro, deitar colheradas do preparado de claras e levar ao forno uma hora. Findo o tempo, desligar o forno sem abrir. Introduzir uma colher na porta para ficar apenas com uma nesga aberta e deixar arrefecer completamente. 
Servir com iogurte grego e frutos vermelhos frescos. Delicioso. Com as mãos tudo se faz.


Receita inspirada aqui.

Aqui fica a minha participação na iniciativa 'Convidei para jantar' iniciada pelo blogue Anasbageri e nesta 10ª edição a cargo da doce e talentosa CNS do inexcedível Come chocolates, pequena, come chocolates. Um convidado que muito me agradou.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Momento Masterchef numa torta de chocolate


A proliferação de programas e canais de culinária foi das piores e das melhores coisas que me podiam ter acontecido. Melhor porque enriqueceu substancialmente este meu gosto de misturar sabores, mostrou-me uma panóplia de chefs que desconhecia, contribuiu para corroborar algumas certezas sobre a cozinha e estimulou a variedade cá por casa. Não me tenho dado mal. Só vantagens. A parte menos boa é que as  experiências culinárias passaram a ser sujeitas a um veredicto certeiro depois da incursão em palatos alheios. Desconfio que o apuramento de olfacto e paladar que tanto me caracterizam terá passado por osmose para o meu consorte. Adquiriu os tiques todos, a linguagem adaptou-se ferozmente e ‘flavour’ passou a ser a palavra eleita. O momento Masterchef do dia é seguido de grande risada mas de vez em quando sou avisada de que teria sido ‘chopped’ ao que respondo que aqui a minha modesta cozinha não está a concorrer para nenhuma estrela Michelin e que Michelin cá em casa só mesmo uma protuberância que me envolve a cintura. A minha grande e enorme sorte é que, por via da minha profissão, estou habituada ao escrutínio implacável de trinta almas que mudam a cada noventa minutos. Se fosse rapariga fraca de nervos e comichosa nas opiniões alheias ter-me-ia já debulhado em amuos mas se fosse rapariga pródiga em amuos jamais este post veria a luz do dia. Esta receita que hoje publico passou coxa no crivo selectivo. A ganache. Dizem-me que ficaria melhor sem ela. Teimei. Não pode. Sem ganache fica sensaborão. Mas quem sabe se a tivesse substituído por doce de frutos vermelhos não ficasse pior. Há que ouvir a crítica. E seguir a intuição. Doce de frutos vermelhos na próxima. Serei ‘chopped’?

Torta de chocolate

Ingredientes
Para a torta:
250 g de farinha com fermento
2 ovos
2 dl de leite
6 colheres de sopa de açúcar
6 colheres de sopa de chocolate em pó
50 g de manteiga.

Para a ganache:
Meia tablete de chocolate culinário
2 colheres de sopa de açúcar
1 colher de sopa de manteiga
150 ml de natas

Confecção
Pré-aquecer o forno a 200º. Forrar um tabuleiro com papel vegetal anti-aderente.
Numa tigela misturar os ingredientes secos. Fazer uma cova no meio e deitar os líquidos. Com a batedeira em velocidade baixa, misturar todos os ingredientes até ficar uma massa homogénea. Não bater demasiado. Deitar no tabuleiro e levar ao forno cerca de doze minutos.
Enquanto a massa coze, partir o chocolate em pedaços pequenos e derreter com a manteiga e o açúcar. Juntar as natas e mexer até ficar um creme liso e brilhante.
Desenformar a torta sobre um pano ou rectângulo de papel vegetal polvilhado com açúcar. Barrar com uma parte da ganache e enrolar. Colocar na tarteira e regar com a restante ganache. Deixar arrefecer e nham nham.

Receita tirada de uma "Saberes e Sabores" do tempo em que eu ainda comprava revistas de culinária. Gosto muito desta torta. É pouco doce, meio húmida, fica ainda melhor no dia seguinte e é muito fácil de fazer. 

sábado, 14 de janeiro de 2012

Intenso e apaixonado


Além da Mariana que me incluiu neste grupo, houve algo que me fez aderir de coração aberto. Lê-se assim nas regras do grupo “As receitas podem sofrer todas as alterações que o cozinheiro quiser. E encoraja-se a partilha dos casos de sucesso e de fracasso.” Cozinhar para mim é quase sempre transgredir, experimentar, e dar um cunho pessoal. Não que tenha em mim o heroísmo presunçoso de que eu vou além dos demais e erguer-me acima deles. Nada disso. Odeio, de resto, gente que profere que vai fazer a diferença seja em que área da vida for. Na minha, por exemplo, quando alguém se autoproclama agente de mudança é razão suficiente para que eu fique de pé atrás, soube-se-me a desconfiança que herdei de há tanto viver na região saloia e algo me retrai. A diferença faz-se, não se anuncia, é um caminho que se trilha e para mim os caminhos servem sempre propósitos de serviço ao próximo não de autopromoção. E isto tudo para dizer que não gosto de mudar para ser diferente, gosto de mudar porque gosto de alguma mudança, na vida também, e nas receitas a mudança é inevitável. Convenço-me que agriolhado a este corpo de mulher madura vive uma adolescente com a mania de contrariar e de transgredir. Na cozinha nota-se muito. Eu noto e eu sei.
A ideia era fazer este bolo de chocolate com ameixas e Armagnac. Armagnac não tinha e ameixas não são muito apreciadas por todos, portanto depois de dar voltas à cabeça e de o bolo ter assumido várias possibilidades como substituir as ameixas por tâmaras aos pedacinhos que era o que tinha cá em casa e em vez do Armagnac usar outra coisa ou pôr nozes e whisky, decidi-me por sabores que gosto muito de combinar: chocolate e laranja.
Levei-o há pouco para um almoço de família e esperei o veredicto. Ficou intenso e apaixonado, exactamente como gosto. Aconselhável a espíritos aventureiros e almas ousadas. O chocolate casa na perfeição com a laranja, a intuição não me falhou. Muito bom e recomenda-se, disseram-me, enquanto o bolo ia diminuído no prato entre risadas e conversa animada. A minha mesa é a minha comunhão. Às vezes acho que se me faltar a voz para declarar amores terei sempre a cozinha. Cada um fala como sabe e nem sempre me ocorrem e acorrem as palavras. Venha a próxima receita.


Bolo de chocolate com whisky e laranja

100g de chocolate culinário +100g de chocolate negro com laranja
150g de açúcar
100g de farinha
120g de manteiga
60ml de whisky
4 ovos

Deixei derreter os chocolates com a manteiga, enquanto fui metendo discretamente o nariz para sentir o aroma da laranja. Seria demasiado forte? Bati as gemas com o açúcar até ficar um creme branco e fofo. Depois há que envolver os chocolates na mistura de ovos e açúcar, com calma e sem pressas. A seguir a farinha e logo após o whisky. Bati então as claras em castelo e envolvi cuidadosamente na massa anterior com uma espátula de slicone. Levar ao forno pré-aquecido a 190º durante vinte e seis minutos.  Para a cobertura derreti 100 gr de chocolate com três colheres de sopa de açúcar e um pedacito de manteiga. Juntei depois meio pacote de natas light e derrubei com enlevo sobre o bolo. Tão fácil a vida numa manhã soalheira de Janeiro.