Esta é uma cozinha discreta sem data específica de publicações e muito à mercê dos humores de quem está no fogão mas, ao que parece, despertou a atenção do Petiscos. Estamos agora aqui também e agradeço muito a nomeação.
domingo, 28 de setembro de 2014
sábado, 27 de setembro de 2014
Biscotti de alfarroba com pistachios e arandos
Os meus dias de Algarve são dias
de arrumar anos, anos lectivos mais ou menos pesados mas que me deixam
invariavelmente cansada. Depois da exaustão nada me sabe melhor do que uns dias
a Sul. Nesses dias entrego-me ao que mais gosto: sol, calor, praia, noites
quentes, peixe quase todos os dias e para coroar esses momentos de pura evasão
permito-me de vez um quando um doce algarvio. Como se sabe tudo têm de
calórico: muitos ovos, muita amêndoa, algum açúcar, figos secos. São uma
infinitude de pecado, mas como quase todos os pecados são bons, deliciosos e
uma verdadeira tentação. Entre os meus preferidos conta-se uma delícia
algarvia, uma tarte com alfarroba, amêndoa e figo. E quando há feira no largo
da cidade delicio-me com as pequenas iguarias caseiras em perfeita união com as
noites de estio. A receita de hoje é um
cruzamento entre um original italiano e um ingrediente tipicamente algarvio, a
alfarroba. Um casamento muito feliz.
Biscotti de alfarroba com
pistachios e arandos
Ingredientes
225 g de farinha de trigo
175 g de açúcar amarelo
25 g de farinha de alfarroba
1 colher de chá de fermento
125 g de pistachios descascados e
picados grosseiramente
150 g de arandos secos
Raspa de uma lima
3 ovos
Preparação
Pré-aquecer o forno a 180º.
Descascar e picar os pistachios.
Picar grosseiramente os arandos. Reservar.
Num recipiente juntar as
farinhas, o açúcar, o fermento e a raspa de lima. Bater os ovos e adicioná-los por
partes ao preparado dos ingredientes secos. Bater a cada adição. Deitar os
pistachios e os arandos e amassar com as mãos. Tranferir para uma superfície
enfarinhada e amassar até ficar uma massa uniforme. Juntar mais farinha, se for
necessário. Dividir a massa em duas partes, formar dois pequenos troncos e
levar ao forno num tabuleiro com papel vegetal antiaderente 25 minutos.
Passados os 25 minutos retirar do forno, deixar arrefecer levemente e cortar
fatias com uma faca de serrilha. Levar outra vez ao forno com a parte cortada
para cima cerca de 15 minutos.
Esta receita foi inspirada na do Célio do delicioso Sweet Gula. Correu mesmo bem. Repetirei com outras
variações.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Uma receita mil vezes repetida nuns palmiers de farinheira
Estão a ver aquelas pessoas que gostam de muito de se ouvir? Aquelas que depois de tudo ter sido dito continuam a querer dizer algo só pelo prazer de verbalizar, de ouvir ecoar a sua voz como se trouxessem ao mundo o mais importante dos contributos? Que depois de tudo dito querem acrescentar algo mais, redundante e desnecessário? A receita que hoje trago é exactamente assim. Não é original minha, já a vi em inúmeros blogues noutras variações mas gosto tanto dela e do resultado, do prazer que provoca nos comensais, da combinação da massa crocante com o sabor inquietante da farinheira que venho aqui replicá-la, um bocadinho como aqueles que gostam de se ouvir. Já toda a gente disse tudo e muitos terão experimentado os palmiers, mas dispensem-me uns minutos nesta deliciosa e simplicíssima receita. A descoberta que afinal também nós somos capazes de fazer algo é sempre motivo de partilha.
Palmiers de farinheira
Ingredientes
1 base rectangular de massa folhada
1 farinheira
Preparação
Pré-aquecer o forno a 200º. Tirar a pela da farinheira, estender a base da massa folhada e espalhar a farinheira sobre a base. Pode usar-se uma espátula ou esfarelar com as mãos, dependendo da consistência do enchido. Enrolar a massa até meio, virar depois a parte não enrolada para nós e proceder da mesma forma, enrolando o restante até encontrar a outra parte. Embrulhar em papel vegetal e levar dez minutos ao frigorífico. Retirar, findo o tempo de espera, e, com um faca, cortar em fatias da espessura de um dedo. Levar ao forno e retirar quando estiverem dourados. Simples e bom.
E para variar da farinheira a imaginação é o limite. Já fiz com pasta de azeitona, atum, mas estes são sempre aclamados por unanimidade.
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sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Bolo invertido de pêra para comemorar Setembro
Gosto de Setembro. É um dos meus
meses preferidos, logo a seguir a Maio e Junho. Gosto de algum recolhimento,
gosto das cores e dos pores-do-sol, gosto do cheiro de Setembro e da luz de fim
de dia. Setembro marca inícios, marca fins também, mas um fim contém sempre um início,
aprendizagens várias com lágrimas e sorrisos. Há uma esperança tonta em
Setembro. No meu Setembro cabem sonhos.
Bolo invertido de pêras
Ingredientes
Para o caramelo
75g de manteiga
125g de açúcar amarelo
Para o bolo
4 ovos
100ml de óleo
175g de açúcar
150g de farinha
2 colheres de chá de canela
1 colher de chá de fermento
1 pêra ralada
4 pêras descascadas e cortadas em
oitavos
Preparação
Pré-aquecer o forno a 180º.
Numa frigideira anti-aderente e
que possa ir ao forno derreter a manteiga. Juntar o açúcar amarelo e caramelizar
um pouco sem mexer. Continuar em lume brando e deitar as pêras cortadas.
Desligar o lume e reservar.
Para o bolo, juntar num
recipiente os ingredientes secos, a farinha, o açúcar, a canela e o fermento.
Num outro, bater os ovos e o óleo com uma vara de arames, juntar por fim a pêra
ralada. Adicionar aos ingredientes secos e envolver tudo. Usei na mesma a vara
de arames. Deitar a massa cuidadosamente na frigideira sobre as pêras e o
açúcar caramelizado e levar ao forno cerca de 40 minutos. Retirar do forno,
deixar repousar cinco minutos e desenformar.
Comer morno ou frio com crème fraiche ou simples.
Para celebrar Setembro fiz o que
já não fazia há tempos, um bolo de sabores e aromas de dizer adeus ao Verão. Esta receita foi inspirada numa da Rachel Allen, embora com pequenas alterações: deixar caramelizar levemente o açúcar e a manteiga e omiti a raspa de laranja. Para a próxima porei apenas uma colher de chá de canela. As pêras são biológicas, vieram directamente da mão do meu sogro cá para casa e este bolo surgiu também na necessidade de as usar. É de confecção muito fácil.
domingo, 10 de agosto de 2014
Delícia de coco e lima para a timidez do Verão
O tempo cada vez me incomoda
menos. Cheguei a esta conclusão pela pior via. Depois de uma travessia sombria
imposta pela austeridade, dos reajustes necessários e uma enorme revolta dei
comigo a pensar que o tempo era nada comparado com algumas agruras da vida. E
cheguei a esta conclusão uma manhã em Newcastle, às vezes mudar de ares
leva-nos por caminhos desconhecidos. Terei pensado que me daria bem naquela
cidade e que a qualidade de vida pode superar um tempo velhaco. Este Verão tem
estado arredio, aqui na zona onde moro muito arredio mas o Verão nunca foi
muito amigo destas paragens. Quando era criança e adolescente havia muitos dias
assim, de fazer braço de ferro com a neblina de começo e de fim de dia, dias de
frustração porque de repente o tempo fechava e amarfanhava as esperanças de um
Verão a sério. E neste Verão tímido nada como uma sobremesa que estabeleça o equilíbrio
entre o aroma de Verão e o conforto perante esta esquivez de dias
verdadeiramente de sol e calor. Aqui a têm. No original não é ‘delícia’, o Bill
Granger chama-lhe ‘lime e coconut delicious’, e, na verdade, também não gosto
de lhe chamar ‘delícia’ mas a imaginação faltou para as palavras. Tem o aroma frutado e cítrico da lima, o calor do coco e a textura é macia e húmida, mais bolo que
pudim, nem bolo nem pudim. Aprovado!
Delícia de coco e lima
Ingredientes
60 g de manteiga
200 g de açúcar
125 g de farinha de trigo
7 colheres de sopa de coco ralado
Sumo e raspa de 4 limas
300 ml de leite
3 ovos
Preparação
Pré-aquecer o forno a 180º. Bater
a manteiga à temperatura ambiente e adicionar o açúcar, batendo até fica um
creme esbranquiçado e fofo. Juntar a raspa e o sumo das limas e as gemas. A
massa fica um pouco estranha, meio líquida, mas não desanimar. Envolver a
farinha e o coco com uma espátula e por fim as claras em castelo. Levar ao
forno 40 a 45 minutos. Polvilhar com açúcar de confeiteiro. Servir morno.
Quase não fiz alterações à receita original. Acrescentei mais três colheres de sopa de coco porque pelo cheiro que a massa libertava a lima prevalecia. Funcionou mais a nível de textura do que de sabor, mas quando repetir a receita usarei esta mesma quantidade de coco ralado.
Esta é a minha primeira participação no grupo do Facebook “Quinze Dias com…” O convidado destes quinze dias é o australiano Bill Granger. Boa escolha! São servidos?
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quinze dias com
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Muffins de chocolate para arrumar o ano lectivo
Para um professor os anos não
terminam em Dezembro. Nessa altura ainda vamos a um terço do ano, e isto porque
para nós os anos são lectivos e não civis. Para mim, pelo menos. No momento em
que vos escrevo, acabo de arrumar o ano. Este ano foi um ano estranho, de
imenso trabalho e alguns desafios que me deixaram satisfeita. Todos os anos são
diferentes, porque os alunos são sempre diferentes, e fazendo uma análise,
temos a tendência para achar que o último é sempre o mais difícil. Se pesar os
resultados finais e aquilo que consegui fazer com os alunos o balanço é bem
positivo. Contudo, nos últimos tempos, anos, diria, surgiu um novo desporto que
faz com muitas vezes pondere abandonar estar profissão: tiro ao prof. Não há
quem não tenha relambórios, queixas, críticas, dedos apontados, ânimos
exaltados ou uma palavrinha contra o professor. Tudo vale. Nada se tolera. Nada
se desculpa. Tudo serve para autos-de-fé em praça pública. Esta intolerância
estende-se também aos alunos, também eles são apelidados de ignorantes,
mal-educados, desrespeitadores. Se juntarmos os professores que não prestam
para nada com os alunos que para nada prestam, segundo os arautos do
apocalipse, estamos literalmente entregues aos bichos. Ora acontece que, como
se sabe, todas as generalizações são abusivas e nem nós somos todos maus nem
eles são todos péssimos. A turma que originou a receita que hoje vos trago
incluía-se no grupo dos que assim não são. Nos primeiros dias fiquei
agradavelmente surpreendida. Consegui fazer o que já não conseguia há anos: ter
os alunos calados e interessados, a participar, e a fazer a aula acontecer. No
fim do ano convidaram os professores que os acompanharam ao longo destes dois anos
para um piquenique no jardim. Cada um levaria algo para comer. Fiz-lhes estes
muffins. Temperei-os com o meu carinho e retribuíram-me da melhor maneira,
apreciando-os. Se conhecessem melhor o ensino talvez o odiassem menos e o
respeitassem mais.
Muffins de chocolate
Ingredientes
250g de farinha de trigo
150g de açúcar branco
2 colheres de chá fermento
4 colheres de sopa de cacau em pó
½ colher de chá de
sal refinado
100 gr de chocolate negro cortado em pedaços
1 ovo grande
250ml de buttermilk (pode ser substituído por leite)
90ml de óleo vegetal
Preparação
Prá-aquecer o forno a
190°C. Colocar formas de muffins de papel dentro das formas de silicone para o
mesmo fim.
Juntar a farinha, fermento, cacau em pó e sal num
recipiente. Adicionar o açúcar e o chocolate em pedaços.
Bater o ovo e o óleo com uma vara de arames. Juntar aos ingredientes sólidos e
mexer apenas. Deitar por fim o buttermilk e envolver. Não bater nem mexer demasiado a massa.
Deitar colheradas da mistura nas formas de muffins até dois
terços e levar ao forno 20 a 25 minutos.
Fiquei convencida com estes muffins: muito fáceis de fazer e deliciosos. Ao contrário do que se faz com o ensino, ninguém reclamou.
terça-feira, 1 de julho de 2014
Garoupa à Bulhão Pato para começar bem o mês
Escrevi uma vez um post que anda por aí perdido nessa blogosfera intitulado "a nostalgia do bitoque". Tê-lo-ei algures encafuado também e ainda é capaz de ressuscitar neste blogue mas por enquanto fica a ideia principal. Era e é uma crítica feroz àquelas pessoas que quando estão de férias reclamam com a comida do hotel. Passaram alguns anos e continuo com a mesma ideia. Para quem, como eu, gosta de experimentar comida e pratos novos e que, perante os mesmos, não torce o nariz mas fica curiosa, esta rejeição da comida diferente sempre me encanitou. Acontece, contudo, que mesmo gostando de comer de tudo um pouco, houve uma altura da minha vida, vá-se lá saber porquê, em que quando estava fora tinha saudades de peixe. Quando a minha mãe me perguntava se queria alguma coisa quando chegasse, a resposta era sempre a mesma: peixe. Agora tenho menos saudades do peixe, mas a verdade é que há muitos dias da minha vida em que sinto que poderia facilmente comer só peixe, ou quase só, e prescindir da carne. Gosto de peixes vários e quase sempre confeccionados da forma mais simples: cozido, grelhado, assado no forno e frito, fumado também vai. Nada melhor do que uns carapaus pequenos fritos com um arroz de tomate malandrinho ou com um risotto de coentros. E a epifania numas simplicíssimas sardinhas assadas numa fatia de pão saloio com uma salada pungente a acompanhar? E uns arenques fumados numa tarde de sol dourado no Báltico? Ou o cozido de peixe com malagueta e banana em S. Tomé? O que teria perdido se torcesse o nariz à diferença. O peixe é leve, cheira a mar e sabe a maresia e maresia é casa. Seriam disso as minhas saudades?
Garoupa à Bulhão Pato
Ingredientes
Filetes de garoupa frescos (comprei as garoupas inteiras e pedi que filetassem)
Conquilhas
Limão
Flor de sal (acabou-se-me o sal mas o resultado compensou)
Alho
Azeite
Coentros a gosto
Vinho branco
Preparação
Com três horas de antecedência, temperar os filetes de garoupa com flor de sal, limão e alho. Reservar. Pôr as conquilhas em água com sal com a mesma antecedência e ir mudando a água para libertar a areia.
Antes de brasear a garoupa, fazer as conquilhas: deitar um fio de azeite numa frigideira com alho picado e alguns coentros cortados com uma tesoura de ervas aromáticas, adicionar as conquilhas, tapar e deixar que abram. Juntar mais coentros e o vinho branco. Deixar que o aroma a álcool evapore, rectificar o tempero e deixar apurar um pouco.
Para brasear o peixe: retirar do frigorífico, tirar o alho e secar o excesso de humidade com papel de cozinha. Aquecer uma frigideira de fundo antiaderente com um fio de azeite. Colocar a garoupa com a pele virada para baixo. Virar passado alguns minutos. Deitar as conquilhas à Bulhão Pato sobre a garoupa com uma colher e servir.
Como acompanhamento fiz batatas salteadas com cebolinho e vinagre. Ninguém reclamou, nem mesmo os carnívoros indefectíveis.
Notas:
- Como em quase tudo, a qualidade dos ingredientes é fundamental. Para este prato usei garoupa fresca que pedi para filetar à minha frente.
- Porque não gosto de muitos molhos e para não afogar a garoupa, pus pouco molho das conquilhas. Posteriormente cada um adicionou a gosto.
- Mais um prato que não é particularmente fotogénico acrescido do facto de se fazerem poucas produções fotográficas antes das refeições cá por casa, contudo, o sabor compensou a falta de fotogenia.
- O empratamento foi e é simples: não gosto de pratos demasiado cheios ou demasiado vazios e também não gosto do peixe encavilatado em 'camas'.
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domingo, 25 de maio de 2014
Cheesecake Floresta Negra para uma ocasião especial
Cá em casa deixámos de fazer bolos de aniversário ou de os comprar na pastelaria. Eu explico. Depois do boom dos anos 80 de se ir comprar um bolo à pastelaria, lembro-me que até lá eram feitos em casa de forma singela e sem grandes alaridos, e desta tendência se ter estendido até ao final dos anos 90 cá em casa, o milénio ditou por estas bandas uma outra fase. É que depois da euforia da novidade, os bolos de aniversário passaram a banalizar-se, a não constituir grande novidade e, pior, arrastavam-se nos dias subsequentes aos aniversários. Tinham servido a função e depois disso ninguém nunca teve grande vontade de regressar a eles. Contra o desperdício lá se iam comiscando mas se fosse um outro bolo seria certamente mais apreciado. Não me lembro exactamente quando foi a primeira vez mas sei que decidi um dia que o meu bolo de aniversário seria um dos meus preferidos e que a minha mãe faz como ninguém: bolo de banana. É um bolo denso e intenso e, depois desse aniversário, os bolos de aniversário passariam a ser o que o aniversariante quisesse e o que cada aniversariante quer pode diferir muito, assim sendo, cá em casa já houve os seguintes 'bolos de aniversário': molotof mais do que uma vez, pavlova de frutos vermelhos, Floresta Negra, bolo de chocolate e frutos vermelhos, bolo de banana, bolo de bolacha.
A minha mãe abre a época de aniversários cá em casa e desta vez para agradar à aniversariante houve um inédito para todos, inédito porque eu nunca o tinha feito e inédito porque nunca tinha servido de bolo de aniversário. Apresento-vos cheesecake Floresta Negra. Ah e mil beijos de Parabéns à minha mais-que-tudo mãe. Merece tudo. Estas palavras são poucas.
A minha mãe abre a época de aniversários cá em casa e desta vez para agradar à aniversariante houve um inédito para todos, inédito porque eu nunca o tinha feito e inédito porque nunca tinha servido de bolo de aniversário. Apresento-vos cheesecake Floresta Negra. Ah e mil beijos de Parabéns à minha mais-que-tudo mãe. Merece tudo. Estas palavras são poucas.
Cheesecake Floresta Negra
Ingredientes
Para a base
125 g chocolate de culinária
3 colheres de sopa de leite
150 g de manteiga à temperatura ambiente
150 g de açúcar
3 ovos
200 g farinha
1 colher de sopa de cacau em pó
1 colher de chá de fermento
Para o creme de queijo
2 embalagens de queijo creme (usei Philadelphia)
2 embalagens de natas ácidas (usei do Aldi)
3/4 de chávena de açúcar
5 folhas de gelatina
1 frasco de ginjas descaroçadas (usei do Aldi)
Ginjinha a gosto
açúcar gelificante (pus a olho, talvez umas três colheres de sopa)
Pré-aquecer o forno a 180º. Forrar uma forma de fundo amovível com papel vegetal.
Derreter o chocolate com o leite em banho-maria. Deixar arrefecer um pouco. Bater a manteiga com o açúcar até ficar uma creme fofo e esbranquiçado. Adicionar os ovos um a um e, por fim, envolver o chocolate derretido.
Juntar a farinha com o fermento e cacau e envolver de cima para baixo com uma espátula sem bater. Levar ao forno cerca de 25 minutos. Retirar do forno e deixar arrefecer.
Depois de frio, preparar o creme de queijo. Bater o queijo com o açúcar, adicionar as folhas de gelatina derretidas e envolver as natas.
Retirar o papel vegetal do bolo e colocá-lo na mesma forma. Regar a base com ginjinha e colocar por cima ginjas a gosto. Deitar por cima o queijo creme e levar ao frigorífico até solidificar. Para a cobertura, levar ao lume ginjinha a gosto com a calda das ginjas e o açúcar. Ferver uns minutos. Deixar arrefecer e deitar por cima do cheesecake e deixar solidificar no frigorífico.
Retirar do frigorífico e decorar a gosto. Usei cerejas frescas e raspas de chocolate negro.
E assim foi mais um 'bolo de aniversário'. Ninguém se queixou por ter de comer bolo de aniversário e hoje ainda estava bom.
Nota: a base de bolo de chocolate é desta receita da Rachel Allen. O bolo é delicioso e óptimo mesmo sozinho mas nesse caso é melhor dobrar a receita.
domingo, 18 de maio de 2014
Galette de alperces e frutos vermelhos com pistáchios no World Baking Day
Cozinhar é sempre cozinhar para
alguém e muito raramente apenas para mim. Se estiver sozinha faço algo simples:
uma salada rápida, um omelete, ovos mexidos ou uma sopa. Só até capaz de comer fruta e iogurtes mas
raramente me dou a grandes trabalhos. Contrariamente a esta minha existência
meio solitária e sem hordas de amigos, cozinhar é sempre um acto de partilha. Nada como uma contradição para apimentar a vida. Quando
neste World Baking Day o repto foi lançado - "Who will you bake for?" – foi-me
fácil decidir e aderir. Os meus eleitos são sempre os de cá de casa, a quem
dedico quase todos os meus cozinhados numa eterna declaração de amor. Esta foi a de hoje.
Galette de alperces e frutos vermelhos com pistáchios
Para a massa
200 g de farinha
50 g de manteiga
50 g de margarina
1 ovo pequeno
3 colheres de sopa de açúcar
Água gelada
Recheio
Alperces (a gosto)
Frutos vermelhos (a gosto)
Pistáchios (a gosto)
3 colheres de sopa de doce de doce
de pêssego
Preparação
Numa tigela juntar a farinha e
uma pitada de sal. Adicionar a manteiga e a margarina bem fria cortada em
pedaços pequenos. Com um amassador manual amassar a farinha com a margarina e a
manteiga. Deitar o açúcar. Juntar um pouco de água gelada para unir e por fim o
ovo. Com uma faca mexer para unir. Deitar a massa numa superfície enfarinhada.
Mexer apenas o suficiente para formar uma bola e levar ao frigorífico durante
uma hora.
Lavar e preparar os frutos.
Cortar os alperces em quartos. Descascar e picar os pistáchios.
Depois de a massa ter descansado,
retirá-la do frigorífico e estendê-la sobre uma folha de papel aderente até
ficar uma placa redonda. A massa é muito frágil e o manuseamento deve ser feito
com cuidado, mas sem hesitações. Colocar a massa em cima do papel aderente numa
tarteira de fundo amovível. Deixar uma margem de três centímetros. Barrar os
fundo da massa com três colheres bem generosas de doce de pêssego e dispor a
restante fruta por cima. Virar as bordas para dentro e levar mais quinze
minutos ao frigorífico. Pré-aquecer o forno a 200º.
Findos os 15 minutos, retirar do
frigorífico. Retirar a galette da tarteira e colocar com o papel vegetal no
tabuleiro do forno. Estará pronta quando a massa estiver corada e a fruta
cozinhada. Retirar do forno e untar com o doce levemente aquecido.
Notas:
- a massa não deve ser pouco mexida para não ficar dura.
- usei metade de margarina e metade de manteiga para conservar o sabor da manteiga e a textura da massa.
- a escolha dos alperces é um amor de sempre meu.
- para quem gosta de sobremesas bem doces aconselho outro tipo de fruta ou em alternativa compensar com uma bola de gelado.
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segunda-feira, 12 de maio de 2014
Beef madras e o provincianismo português
Dizia Fernando Pessoa que o provincianismo
português consistia ‘no entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas
grandes cidades; Um parisiense não admira Paris; gosta de Paris. Como há-de
admirar aquilo que é parte dele?’ Deve ser um desses ataques de intenso
provincianismo que me assola quando chego a cidades grandes de que gosto.
Londres está naturalmente no top das urbes que continuo a admirar. Não
interessa quantas vezes lá fui, continua a ter um encanto que agora se vai
espalhando a outras partes da cidade menos icónicas, conhecidas que estão as
outras. Gosto do bulício, da diferença, da diversidade. Gosto da sensação de
que são sempre muitas cidades dentro da mesma cidade. Esta diversidade
estende-se obviamente às opções gastronómicas, um dia no restaurante italiano,
outra no pub, outra no pub irlandês, uma no indiano e um almoço em Camden a
comiscar tudo o que a comida de rua tem para oferecer, mesmo sabendo que não há
estômago que resista a tanto. A primeira vez que provei Madras foi num desses
restaurantes. Estava frio, algum dia faz calor em Londres? Faz mas não dessa
vez. O restaurante era perto do hotel, nada melhor depois de um dia de bater
perna cidade afora, e a comida bem quente e aromática, tudo o que precisávamos
para compensar o cansaço e o frio. Cruzei-me outra vez com este prato quando
inadvertidamente abri o livro dos Hairy Bikers nesta mesma página à procura de uma solução para a carne que tinha no congelador. E como não
há duas sem três, quem sabe um dia na Índia, mesmo não sendo um dos destinos
que tenho em mente. Até lá fico-me pelo meu Madras ou então terei de voltar a Londres.
Qualquer razão serve, mesmo que em Lisboa e até na Ericeira encontre um
restaurante indiano. Deve ser o tal de provincianismo.
Beef Madras
Ingredientes
(serve 4)
(serve 4)
700g de carne de vaca para guisar cortada em pedaços
1 cebola pequena
2 dentes de alho
3 colheres de sopa de pasta de caril (usei Patak’s)
1 colher de sopa de caril em pó
2 colheres de chá de cominhos
1 colher de chá de pimenta preta
2 bagas grandes de piri-piri
1 lata pequena de
tomate pelado
1 chávena pequena de caldo de carne
Flor de sal
Azeite
Preparação
Pré-aquecer o forno a 150º
Numa frigideira deitar o fio de
azeite e saltear a carne em lume forte. Retirar e reservar. Na mesma frigideira
deitar a cebola picada bem fininha com os dentes de alho e as bagas de piri.
Deixar murchar e adicionar a
pasta de caril, o caril em pó, os cominhos e a pimenta preta. Juntar de seguida
os tomates pelados cortados em pedaços muito pequenos. Deixar ferver e juntar a
carne. Envolver e ferver uns dois minutos. Juntar o caldo de carne, deixar
ferver, rectificar os temperos e deitar num recipiente para ir ao forno. Levar
ao forno pré-aquecido cerca de duas horas.
Servir com arroz basmati com
canela e cardamomo.
Este prato requer apenas paciência porque leva muito tempo no forno mas vale a pena. Ficou quente e intenso e dizem os Hairy Bikers que tem apenas 346 calorias por porção. Só coisas boas. A repetir sem qualquer dúvida.
A fotografia foi a possível na calada da noite. Melhores dias virão, ou melhor máquina.
Este prato requer apenas paciência porque leva muito tempo no forno mas vale a pena. Ficou quente e intenso e dizem os Hairy Bikers que tem apenas 346 calorias por porção. Só coisas boas. A repetir sem qualquer dúvida.
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quinta-feira, 1 de maio de 2014
Guinness Soda Bread para o Dia Um
Estava frio, muito frio para o início de Agosto. Quis o acaso ou a imprudência que não tivesse tomado café antes e quando chegou a hora do almoço no meu primeiro dia da semana em Cork, eu estava já exausta. Nesse primeiro dia decidiu-se que o almoço seria no English Market, o mercado local com uma oferta variada de produtos e, como todos os mercados, um estímulo poderoso para os sentidos. Enquanto esperava pelo salmão grelhado, arrastando-me numa terrível fraqueza, veio para a mesa, onde se falavam algumas línguas do mundo, um pão em fatias, escuro, e de textura e sabor diferente de todos os que tinha provado até então. Estava morno e foi comido com manteiga e com prazer, o conforto dos dias frios e inesperados, o antídoto para o cansaço que me assolava. A comida é tantas vezes conforto. Ao longo dos dias o pão foi voltando, a mesma textura e sabor, com uma ou outra variação, mais ou menos escuro e sempre tão reconfortante. Este pão singelo, fofo e macio, constituiu um mistério revelado posteriormente. Bastava juntar a farinha com bicarbonato de sódio e buttermilk, a química, como em muitas outras coisas, encarregar-se-ia do resto. Viva a simplicidade.
Guinness Soda Bread
Ingredientes
250 g de farinha de trigo sem fermento
250 g de farinha de trigo integral
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 colher se chá de sal
1 colher de chá de açúcar
200 ml de butternilk (comprei feito)
200 ml de stout (usei Guinness)
Preparação
Num recipiente largo juntar as farinhas com o açúcar, o bicarbonato de sódio e o açúcar. Abrir uma cova no meio e adicionar a Guinness e o buttermilk. Com um grafo de madeira mexer cuidadosamente os ingredientes. Quando estiver formada uma massa pôr numa superfície enfarinhada. Unir a massa com as mãos sem amassar. Formar uma bola e transferir para um tabuleiro de forno com uma folha de papel vegetal anti-aderente. Com uma faca cortar uma cruz no pão. Ligar o forno a 220º e deixar a massa descansar 30 minutos. Findo esse tempo levar ao forno, meia hora. Retirar, deixar arrefece um pouco e saborear. Quem disse que fazer pão é difícil e moroso?
E aqui está a minha participação em mais uma edição do Dia Um... na Cozinha, dedicado ao pão numa homenagem das organizadoras ao dia 1 de Maio e a todos os trabalhadores do mundo e à qual me junto. Nos dias que correm julgar-se-iam para trás os dias em quem não havia pão na mesa, metáfora para uma sociedade justa e digna em que ninguém passaria fome, contudo a realidade todos os dias nos aponta noutra direcção e os tempos passados parecem bater à porta e sentar-se à nossa mesa como um fantasma de tempos que não se desejam.
Quando vi a escolha do Dia Um.. Na Cozinha, não fiquei muito animada: não tenho máquina de fazer pão, não tenho Bimby e recorro apenas a uma singela batedeira que me acompanha há uma dúzia de anos. Também não sou a mais paciente das criaturas. Depois de dar voltas à cabeça, lembrei-me deste pão. É saboroso, de textura única, não precisa de ser amassado, não pode mesmo ser amassado, e seria a entrada desejada para uma almoço de feriado. Foi comido com manteiga com alho e ervas aromáticas e queijo da Serra.
E agora, quando chega o próximo desafio?
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quarta-feira, 23 de abril de 2014
À procura da renovação numa pavlova de Irish Coffee
Estávamos sentados na esplanada com a alma ao sol quando encetámos conversa com uma amiga. Seria dali a uns dois dias a Páscoa, e a conversa caiu inevitavelmente no assunto. Para quem não é religioso a Páscoa diz muito pouco. Faltam peças na história contada do filho de Deus e acreditar que Deus tinha um filho pode parecer tão estranho como para outros o filho de Deus ter uma mulher. Na Páscoa da minha infância havia religião. O padre da aldeia que acarretava a imagem de Cristo casas afora, as Páscoas da Beira Alta com os ramos do Domingo dos ditos, as procissões do enterro do Senhor e outras particularidades. Na Páscoa da minha idade adulta não há nada disso.
A conversa centrou-se no significado da Páscoa. Dizia a nossa amiga que a Páscoa para ela era renovação, Primavera. Pareceu-me bem. E passar de página, acrescento eu. E aqui estou à espera dela, da renovação, pode ser com ou sem Primavera e do passar de página. Que venha depressa.
Pavlova de Irish Coffee
Ingredientes
4 claras
225 g de açúcar
3 colheres de chá de café solúvel em pós (não em grânulos)
1 colher de chá de amido de milho
1 colher de chá de vinagre branco
2 pacotes de natas para bater (usei Longa Vida)
3 colheres de sopa de açúcar
3 colheres de sopa de whiskey irlandês (pus Jameson)
Chocolate negro em raspas (usei Lindt)
Preparação
Pré-aquecer o forno a 150º.
Misturar o açúcar com o café em pó. Bater as claras em castelo bem firme. Acrescentar o açúcar em pequenas porções e bater até ficar aveludado e brilhante. Deitar o amido de milho peneirado e envolver com uma espátula. Por fim, adicionar o vinagre. Num tabuleiro de forno e sobre uma folha de papel vegetal desenhar uma circunferência de 23 cm. Deitar a mistura das claras sobre a circunferência, formando uma coroa e levar ao forno durante uma hora. Desligar o forno e deixar arrefecer completamente.
Bater as natas. Quando começarem a engrossar adicionar uma colher de açúcar de cada vez e por fim o whiskey. Deitar sobre a pavlova e decorar com raspas de chocolate negro.
Mais uma vez trago uma receita de gente adulta e que homenageia uma país que é querido cá em casa, a Irlanda. Fui buscar a inspiração à Capuccino Pavlova da Nigella e deixei o resto ao sabor da imaginação. Uma evocação do melhor Irish Coffee que bebi, algures em Kenmare num Domingo distante.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
O equilíbrio numas espetadinhas de frango com harissa e abacaxi
Uma das tarefas mais difíceis nos
dias que correm é atingir o equilíbrio. Na minha vida profissional confronto-me
com frequência com a falta dele: miúdos mimados, pouco habituados a ouvir um
não e que, como tal, mandam ou tentar mandar em quem lhes aparece à frente. Por
outro lado, existem os que são obrigados a crescer mais depressa, às vezes ao
abandono, com dificuldade, e que têm de assumir responsabilidades que não
deviam ser suas. O equilíbrio contudo não se resume apenas a isto, o equilíbrio
é fundamental noutras áreas, na cozinha é basilar e no nosso regime alimentar
idem. Assim sendo, e depois do bolo que vos mostrei aí em baixo, equilibrado em
termos de sabor mas uma desgraça no que toca às calorias, trago hoje o que
precedeu o bolo no almoço de Domingo: espetadas de frango com harissa.
Equilibradas em termos de sabor, entre o doce do abacaxi e o calor do picante, e o contraponto necessário à sobremesa. Tudo uma questão de equilíbrio.
Espetadinhas
de frango com harissa e abacaxi
Ingredientes
(para três espetadas)
2 peitos de
frango
Abacaxi fresco cortado em pedaços
Sal
Pimenta preta acabada de moer.
Para a marinada
Meio iogurte
natural sem açúcar
3 colheres de
sobremesa de harissa
Sumo de um
limão
3 dentes de
alho picados
1 colher de
sopa generosa de coentros picados
Preparação
Cortar os peitos de frango em tiras, temperar com sal e
pimenta. Reservar. Fazer uma marinada com o iogurte, a harissa, os coentros e o
sumo de limão. Deitar sobre os peitos de frango em tiras e reservar no
frigorífico umas duas horas. O frango pode ficar a marinar de um dia para o
outro.
Descascar o abacaxi e cortar pedaços pequenos. Num espeto de madeira,
pôr alternadamente o abacaxi e o frango. Grelhar no carvão.
A harissa é uma pasta de pimentos e especiarias usada na cozinha do Norte de África. Tem um sabor forte muito característico e pode ser muito picante para alguns palatos.
domingo, 13 de abril de 2014
Bolo de framboesas e chocolate branco e os domingos indulgentes
Domingo é dia de nada fazer. Embora consagrado como dia do Senhor, seja lá ele quem for, não somos muito dados à religião cá em casa, acabo sempre por contrariar a premissa. Levanto-me não muito tarde, e o tempo atmosférico permitindo, atiro-me à roupa para lavar. Em dias e semanas sem invernia, uma máquina chegará, mas em dias e semanas como os que temos vivido, uma máquina é pouco. Começo, portanto, pela roupa. E lavar roupa é estendê-la e apanhá-la. Lá se vão as boas intenções do dia de nada fazer. Depois vem o almoço, e a segunda parte do dia de nada fazer. O almoço, ao contrário da roupa, é prazer. Prazer puro. Prazer conseguir ver a tarja de mar iluminado da janela da cozinha e as manhãs luminosas prenhes de esperança de dias que não sei se algum dia virão. Mas foi Domingo. Atirei-me à cozinha e saiu este bolo. Entre a primeira e a última fatia soltaram-se risos e exclamações, a partilha de que preciso para viver. Pode ser ao Domingo ou noutro dia qualquer. Se eles não passo.
Bolo de framboesas e chocolate branco
Ingredientes
Para a massa
175 g de manteiga
175 g de açúcar branco
175 g de farinha com fermento
2 ovos
Raspa de meio limão
50 ml de buttermilk ou leite
100 g de chocolate branco cortado em pedaços pequenos
125 g de amêndoas raladas
150 g de framboesas frescas
Para decorar
Açúcar de confeiteiro
Framboesas frescas
Raspas de chocolate branco
Preparação
Pré-aquecer o forno a 180º.
Bater o açúcar com a manteiga até obter uma mistura cremosa. Acrescentar os ovos um a um, batendo entre cada adição e a seguir o buttermilk. Acrescentar a farinha e envolver com uma espátula, depois as amêndoas raladas e a raspa de limão. Juntar o chocolate branco e, por fim, as framboesas com cuidado para não as partir. Colocar por cima as restantes e empurrar para dentro da massa suavemente. Levar ao forno 50 minutos.
Retirar do forno e deixar uns dez minutos na forma. Desenformar, deixar arrefecer e polvilhar com açúcar de confeiteiro, raspas de chocolate branco e framboesas.
Fiquei fã deste bolo. É húmido, pintalgado de sabores tão diversos, feito de contrastes e fica maravilhosamente no meu suporte de bolos novo. A repetir. Há que lhe dar uso.
Nota: esta é uma versão mais densa do Bakewell Cake, uma alternativa para quem não gosta muito de chocolate branco e este uma alternativa para quem é amante de chocolate.
Etiquetas:
bolos,
indulgências com açúcar
sábado, 5 de abril de 2014
Pataniscas de cebola com especiarias ou os 'cebolitos'
Cá em casa, como em todas as casas, cada coisa adquire nomes próprios, diferentes das designações oficiais. A gata mais nova, de sua graça Julieta, como foi a última a juntar-se ao agregado familiar de pessoas e bichos, foi durante algum tempo 'o bebé'. Findo esse tempo de infância inicial, a bichana passou a ser 'a pequenita'. Esporadicamente e quando se faz desprotegida ainda lhe chamo 'bebé', mas a maior parte das vezes é mesmo 'a pequenita'. De vez em quando também é 'o pequeno hobbit felino' mas nessas alturas de 'pequenos hobbits' há alguns que vão sendo mencionados como, por exemplo, o 'pequeno hobbit docente', não, não sou eu, ou 'o pequeno hobbit' acrescido do apelido.
Mas há mais e, na cozinha, renomeamos muito. Os pequenos folhados de farinheira são 'os farinheiritos' assim como uns aperitivos de chouriça são 'os chouricitos'. Panados são 'Schnitzel'.
Quando ontem me lancei à cozinha para fazer algo para petiscar antes do jantar, lembrei-me de recriar uma receita indiana, recriar é um abuso, na verdade, pequei no que tinha em casa, à falta dos ingredientes originais e fi-la à minha maneira. Correu bem. Hoje quando se falava do almoço de amanhã, alvitrei uma sobremesa. Responderam-me que talvez mas que podia voltar a fazer 'os cebolitos'. E aqui estão. Apresento-vos 'cebolitos'.
Pataniscas de cebola com especiarias
Ingredientes
75 g de farinha de trigo
150 ml de buttermilk
2 cebolas
1 colher de chá de açafrão
1/colher de chá de sal
1/4 de colher de chá de cominhos moídos
1/4 de colher de chá de Pimenta Cayenne
Coentros picados (a gosto)
Cebolinho picado (a gosto)
Preparação
Numa tigela juntar a farinha, o sal e as especiarias. Abrir uma cova no meio e adicionar o buttermilk. Mexer muito bem com uma vara de arames. Juntar os coentros e o cebolinho picado. Adicionar por fim as cebolas em rodelas finas. Aquecer o óleo e verter porções com uma colher de sopa. Virar com um garfo, retirar, escorrer e degustar. Fácil e bom.
Qualquer coincidência com bhajis não é concidência. Assemelham-se mas usei o que tinha à mão: farinha de trigo, um resto de buttermilk a acabar o prazo de validade, coentros e cebolinho do lado de fora da porta.
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petiscar com os dedos
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