Eu sou do tempo em que não havia muffins em Portugal. Havia bolos, quase sempre de uma simplicidade desarmante, com poucos ingredientes, poucos cremes e saborosos como sabe a infância mitificada, o lugar onde todos fomos infinitamente felizes mesmo sem o termos sido. Nesse dito tempo havia bolos de arroz, nunca fui grande fã, bolas de Berlim, pastéis de nata e queques. E havia deliciosos palmiers recehados com doces de ovos. Como não sou grande amante de cremes e coberturas, os queques sempre foram do meu agrado. No top dos queques estavam os que comia na praia do Sul, trazidos com o esforço da mulher vestida de branco que percorria o areal e acarretava consigo os mais saborosos queques e as mais saborosas e indulgentes batatas fritas. Sabiam à maresia e fixavam na memória sem saber as tardes longas de ocasos rubros. Em segundo lugar, posteriormente em ex-aequo, estavam os queques de nozes do Sr. Fradinho. Quando alguém se lembrou de fazer variações sobre o mesmo e velhinho tema, começaram a surgir deliciosos queques de nozes com uma pitada de canela e que comia sem culpa até se ter descoberto que o teor de gordura dos aparentemente inocentes queques era proibitivo.
Terá sido em Londres que comi o meu primeiro muffin. Descia Whitehall e algures do lado esquerdo havia um pequeno café. Fiquei sempre convicta de que quem me atendeu era um português. De meia idade. Era um delicioso blueberry muffin, muffin de mirtilos, a que o homem terá chamado vlueverry muffin. Que outro se não um português a trocar os bs pelos vs? Perdi-me de imediato pela simplicidade que sempre me tinha cativado. Daí até me perder pelo triple chocolate muffin passaram uns anos mas a paixão foi imediata e irredutível. A grande diferença entre os queques e os muffins é a sumptuosidade dos últimos. Sem o bordeado recortado dos queques, os muffins são superlativos: imensos, fofos e húmidos, deliciosos.
Na simplicidade da minha cozinha tentei três vezes fazer muffins. Da primeira não ficaram mal, mas não ficaram opulentes, da segunda eram apenas uns bolos, nem queques nem muffins e hoje ficaram com vêem: de muffins têm o nome mas assemelham-se mais a queques. Um dia hei-de conseguir fazer muffins. Até lá contento-me com queques. Talvez.
Muffins de laranja e sementes de papoila
Ingredientes
225 g de farinha
250 g de açúcar
1 colher de chá de fermento
1/2 colher de chá de sal refinado
200 ml de leite
1/2 iogurte natural grego sem açúcar
150 ml de óleo
1 colher de sopa de sementes de papoila
Raspa de uma laranja
3 ovos pequenos
Preparação
Pré-aquecer o forno a 180º.
Deitar o açúcar num recipiente largo, juntar a raspa da laranja e com uma espátula de silicone envolver bem a raspa no açúcar. Adicionar os restantes ingredientes secos e mexer bem. Bater o leite, o óleo e os ovos com uma vara de arames. Verter sobre a mistura de ingredientes secos e mexer com uma colher.
Pôr formas de papel dentro das formas de silicone e verter a massa dos muffins. Levar ao forno cerca de 25 minutos. Retirar e deixar arrefecer.
Receita inspirada no livro Cake de Rachel Allen.
















