Odeio obrigações. Odeio datas
para comemorar apenas porque sim. Detesto que me obriguem a tarefas sem
sentido, incompatíveis com o espírito racional que me acompanha sempre, e
sempre tão lesto como o coração que amolece a um sorriso e um gesto carinhoso.
Contudo, gosto de efemérides, das minhas efemérides. Gosto de celebrar
passagens na vida, gosto da vitória conseguida e do prazer comemorado e sou
incapaz de passar uma data significativa sem uma comemoração. Pode até ser
discreta, será certamente, mas não passarão em vão os momentos, dias, épocas. A
memória de elefante que me assiste obriga-me de igual forma a lembrar-me de
datas que preferia esquecer mas que, tal como a inauguração de épocas e
celebração de dias, são a minha matriz, a mulher em que me transformei ao longo
dos anos.
Hora do almoço tardia. Saí
aliviada. O passo mais leve e acelerado, o sorriso aberto que me deu as
boas-vindas e o dossier arrumado para o banco de trás do carro. O fim.
Duas semanas serão. Duas semanas
em que tenciono nada fazer a não ser aquilo que me apetecer. Pode ser ler,
esticar-me no sofá, ver filmes, ou aquilo que muito bem me apetecer. Há dias em
que a minha profissão me faz a mais feliz das criaturas, pequenas conquistas
que não constam em lado nenhum se não entre as quatro paredes da minha sala de
aula, gestos de carinho inesperados, esforços recompensados nos números do
canto superior direito de uma simples folha de teste, um sorriso no pátio. Há
dias em que a minha profissão me mata, dias em que sei que não aguentarei tudo
o que me querem impor, dias em que me faltará a vitalidade, a presença de
espírito, a rapidez na resposta, dias em que acho que mereço mais, mereço
melhor sorte e que quero sair, quero ir-me embora, alimentando sonhos de
adolescente.
Hoje foi dia de pausa. Recolhi-me
na sala desarrumada, encontrei o livro de receitas antigo que me foi oferecido
pelo meu pai, antes de computadores, tablets, telemóveis, e procurei uma
receita, antiga também ela e que me andava a apetecer. Há efemérides que se
devem comemorar. O descanso é um deles. O Natal é outro. Bem-vindo a esta casa.
Rosquilhas fritas com laranja
Ingredientes
250 g de farinha
100 g de açúcar
1 colher de chá de fermento
½ colher de chá de sal refinado
Raspa de uma laranja
1 ovo
2 colheres de sopa de óleo de girassol
Buttermilk (leite em alternativa)
Preparação
Juntar os ingredientes secos.
Adicionar a raspa de laranja. Fazer uma cova no meio e deitar o ovo, o óleo, e
buttermilk apenas em quantidade suficiente para ligar a massa. Bater com a batedeira.
Numa superfície com farinha tender a massa com o rolo da massa, se ficar demasiado mole, acrescentar mais farinha, e cortar com um
corta biscoitos. Fazer um orifício no meio com um dedal. Fritar em óleo quente,
deixar absorver o óleo com papel absorvente e envolver em açúcar e canela. Tão
fáceis e tão bons.

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