Se me perguntarem o que reparo
com frequência nas pessoas, responderei as mãos. Gosto de mãos de dedos longos,
gosto de mãos equilibradas com unhas quase rectas a rematar, nem demasiado
longas nem demasiado curtas. Gosto de pessoas que sabem usar as mãos. Usá-las
para pegar em objectos, usá-las para escrever, usá-las para abraçar, dar,
receber, acarinhar. Embirro com quem usa as mãos como garras, a ganância estampada na forma de se apoderar do mundo, a falta de elegância, de calma, de prazer
diminuto em cada coisa que se faz. Gosto muito das mãos. Gosto de mãos que
alcançam, as mãos como pontes entre mim e os outros, entre mim e o outro, entre
nós. Gosto de mãos que falam quando as palavras são inúteis. As que tocam
levemente. E eu que sou de letras e falas, de rompantes sonoros, sou mulher de
toques suaves, os toques que uso para consolar vidas amargas impostas por
sistemas absurdos que nos violentam humilham, dizimam. São as mesmas mãos que
uso para limpar uma lágrima atrevida, e as mesmas que afagam a bicharada de quatro
patas, as mesmas que acariciam o manjericão ou a alfazema para passear no
olfacto e assim pela leveza de momentos de inexplicável, único, efémero prazer,
um tremor tão intenso que poderia ser um orgasmo mas demasiado sumário para que o
seja, êxtases breves com que os deuses me presentearam. Estas mãos são as
mesmas mãos que me levam cozinha adentro, as que amassam, envolvem, misturam e
vestidas de delicadeza se dedicam à alquimia de transformar. É isso cozinhar. Alquimia.
Prazer. Êxtase. Transformação. Com as mãos.
Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
Manuel Alegre
Mini pavlovas de chocolate com frutos vermelhos
Ingredientes:
4 claras de ovos
170 gramas de açúcar de confeiteiro
1 colher de chá de vinagre
1 colher de chá de amido de milho
25 gramas de chocolate em pó
50 gramas de chocolate em barra
Pré-aquecer o forno a 150º. Bater
as claras em castelo. Quando estiverem firmes, adicionar o açúcar em doses
pequenas batendo entre cada adição. Continuar a bater e quando ficarem bem
firmes, juntar o vinagre, o amido de milho e o chocolate em pó, com uma
espátula,e, por fim, o chocolate em pedaços. Num tabuleiro, deitar colheradas do preparado de claras e levar ao forno uma hora. Findo o
tempo, desligar o forno sem abrir. Introduzir uma colher na porta para ficar apenas com uma nesga aberta e
deixar arrefecer completamente.
Servir com iogurte grego e frutos
vermelhos frescos. Delicioso. Com as mãos tudo se faz.
Receita inspirada aqui.
Aqui fica a minha participação na iniciativa 'Convidei para jantar' iniciada pelo blogue Anasbageri e nesta 10ª edição a cargo da doce e talentosa CNS do inexcedível Come chocolates, pequena, come chocolates. Um convidado que muito me agradou.

