Cá em casa a abóbora teve ao
longo dos tempos três aproveitamentos, usos, aplicações, como lhe queiram
chamar.
A primeira é a mais óbvia de todas:
sopa. Sopa de abóbora é uma das minhas preferidas por uma razão que aqui vos
confesso, a cor. Não gosto muito de sopas de base branca e o alaranjado da
abóbora colore as minhas sopas na perfeição. Vou-a perfumando como me apetece
ou consoante o que tenho de ervas aromáticas, hortelã ou coentros e conforto-me
em dias de invernia com uma tigela de sopa que deixo arrefecer na minha frente.
A segunda utilização é em doce. Nada de tão simples e tão delicioso: doce de
abóbora com requeijão de Seia, do autêntico, do que me traz saudades daquele
que no meu tempo de infância aparecia acamado em folha de couve. Nesse tempo de
liberdade absoluta a ASAE não existia nem em projecto e vivíamos tranquilos na ignorância
de tantos perigos que nos ensombram a existência e até o gesto mais cândido. O
meu doce de abóbora tem um único senão: a quantidade de açúcar. Mesmo reduzida
é sempre muito açúcar e se reduzirmos de mais corremos os risco de ter um caldo
sensaborão de consistência mole e eu não gosto de coisas moles. O terceiro destino da abóbora é nos doces de
Natal da minha mãe. Em rigor, este devia ser o primeiro, porque desde que me
lembro de ser gente, lembro-me de a ver fazer fritas de abóbora como lhes
chama. As fritas de abóbora têm um ritual muito próprio. Primeiro a compra da
abóbora, depois cortá-la em pedaços, cozer, escorrer. Nos tempos de vida do meu
pai, era ele que partia as nozes para pôr nas fritas. E depois o cheirinho da canela,
o cheiro a Natal e ao calor que a quadra espalhava nos corações mesmo em casas
frias do pináculo do Inverno.
Hoje conheci um outro uso para a
abóbora: muffins. A proposta desta semana do Dorie às sextas foram uns muffins
de abóbora. Confesso que fiquei um bocado desconfiada, mas depois de tantos
elogios abalancei-me. Ficaram aprovados. O primeiro foi literalmente comungado
com a minha mãe, partido à mão e partilhado assim mesmo Toma, Mamã! Desconfio que também por isso me souberam tão bem.
Muffins de abóbora com nozes e laranja
Ingredientes
250 g de farinha de trigo
2 colheres de chá de fermento em pó
125 g de margarina à temperatura ambiente
150 g de açúcar branco
50 g de açúcar amarelo
2 ovos grandes
1 chávena média de puré de abóbora
½ iogurte natural magro
Raspa de uma laranja
1 chávena de nozes picadas
1/4 de colher de chá de sal
1 colher de chá de
canela em pó
1 colher de chá de pimenta da Jamaica moída
Pau de canela
Pau de canela
Preparação
Partir a abóbora em cubos e cozer
com pouca água e um pau de canela. Escorrer, deixar arrefecer e reduzir a puré.
Pré-aquecer o forno a 200º.
Misturar os ingredientes secos: farinha, fermento, sal e as especiarias Bater a
manteiga à temperatura ambiente com os açúcares e a raspa de laranja até obter
uma mistura cremosa. Juntar os ovos, um de cada vez, batendo bem. Misturar a
abóbora e o iogurte. Adicionar os ingredientes secos e envolver sem bater.
Juntar as nozes cortadas em pedaços. Deitar a mistura nas formas (usei de
silicone), polvilhar com os pedaços de nozes e levar ao forno durante cerca de
20 minutos.
Fiz algumas alterações à receita original: omiti o gengibre, a noz moscada, o extracto de baunilha e as passas, acrescentei mais nozes, substituí o buttermilk por iogurte magro natural e perfumei-os com raspa de laranja. Verdadeiramente outonais.
