Bolo de ameixas. A receita segue assim que me esqueça deste país.
domingo, 9 de setembro de 2012
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Beringelas recheadas em dia de Verão
Dias de nada fazer. Calçar
havaianas pela manhã, uma roupa confortável e leve, descer as escadas para
acabar a abrir a porta da cozinha e cheirar a manhã pontilhada do chilrear de
pássaros no canavial e no pinhal em frente.
E depois, o pequeno-almoço tranquilo
com as gatas a entrar e sair de casa e planos difusos e flexíveis para o dia
que se apresenta novinho em folha para ser vivido calmamente, saboreando hora a
hora na tentativa de prolongar estes dias a que se chama férias. E depois,
deitar-me aos sabores plenos de vagares de movimentos lentos sem pressa, tudo
que se mede pelo instinto, a intuição à solta de alma recostada de porta aberta e o sol como testemunha. E depois, a minha mãe que chega
pela porta da cozinha enquanto ultimo o almoço que se há-de desenhar na cumplicidade de mãe e filha. E depois, momentos de partilha,
de risos e sorrisos, gargalhadas e risadas, e de palatos satisfeitos. Que mais
se pode desejar?
Beringelas recheadas
Ingredientes
2 beringelas médias
400g de carne de vaca picada
(mandei picar na altura uma só vez para não ficar uma pasta informe)
1 cebola média
1 folha de louro pequena
Alho picado (dois dentes)
Azeite (umas duas colheres de
sopa)
Duas colheres de sobremesa de massa
de tomate (usei uma com basílico)
Vinho branco
Sal e pimenta preta acabada de
moer
Queijo para polvilhar (Mozarella
ou Parmesão)
Confecção
Temperar a carne picada com sal,
pimenta preta acabada de moer, alho e três colheres de sopa de vinho branco.
Reservar.
Lavar e partir as beringelas na
longitudinal. Com a ponta da faca fazer uma incisão superficial bordejando as
metades de beringela. Com uma colher, usei uma de sobremesa, retirar a polpa da
beringela com cuidado para não a perfurar. Cortar a polpa em pedacinhos
pequenos. Deitar sal nas beringelas. Reservar.
Picar a cebola, juntar o louro e
levar a refogar. Deixar refogar até a cebola ficar translúcida e juntar a carne
picada. Deixar cozinhar até a carne ficar mais sólida. Deitar a polpa das
beringelas e deixar apurar até a beringela estar cozinhada. Adicionar o vinho
branco, só depois a massa de tomate e apurar. Rectificar o tempero.
Quando estiver pronto, rechear as
metades de beringela, polvilhar com queijo a gosto e levar ao forno
pré-aquecido a 200º cerca de 50 minutos coberto com um folha de papel vegetal. Em alternativa pode levar-se ao forno cerca de 40 minutos, retirar do forno, polvilhar com o queijo e deixar gratinar. Como tinha queijo Feta e Parmesão, polvilhei duas metades com cada um dos queijos. O Parmesão foi ralado na altura. A versão Parmigiano Regiano venceu, embora a versão Feta não tivesse ficado desinteressante.
Esta foi a fotografia possível. Tal como a Mariana já tinha vaticinado este não é o mais fotogénico dos pratos e a máquina com que costumo fotografar foi de viagem.
Etiquetas:
beringela,
o pecado da carne
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
A leveza das claras e o triunfo do amor
Duas pessoas. Dois carácteres,
duas personalidades, duas perspectivas de vida, dois passados, um presente e a
esperança de um futuro comum, e dois palatos diferentes. Em poucas palavras e
de forma bem abreviada a vida a dois pode ser isto. Acontece que a minha vida a
dois não sendo muito diferente das demais na forma é também isto. Ao longo do
caminho os palatos aproximam-se, contudo os gostos que já trazemos das vidas
trilhadas a um mantêm-se, regra geral. Continuo a gostar de peixe, a apreciar
as sobremesas simples da minha infância, a fruta que como com os olhos antes de
a saborear, a preferir doces no Natal apenas de Natal e a reservar o direito de
admissão na minha mesa de Natal de doces e iguarias que se comem o ano inteiro,
banir mousse de chocolate e arroz doce, e o prazer de cheirar tudo antes de
comer, assim se me permitisse o devaneio. A minha cara-metade continua a gostar
de carne, ó se gosta, é ele o móbil das minhas incursões na carne, a detestar
vegetais, a comer pouco e a preferir as sobremesas da infância: mousse de chocolate
e molotof. Acontece também que, embora a cozinha nunca me tivesse assustado,
molotof e mousse de chocolate não faziam parte do meu património gastronómico
nem do meu repertório culinário. A mousse de chocolate não ofereceu resistência.
Depois de uma ou duas vezes estava dominada e eu encartada na arte de a fazer.
Simples e fácil. Com o molotof não posso dizer o mesmo. Caprichoso e
temperamental, este pudim leve como as nuvens abraçado pela intensidade do
caramelo não se deixava dominar. Ora baixava muito ora criava uma coroa no
fundo da forma ora acontecia outra fatalidade qualquer que impedia o triunfo e
a vitória do meu molotof ou talvez a minha própria vitória. Anos de tentativas.
Um dia não muito longe o meu consorte viu a sua sorte mudar. Depois de umas
voltas aqui pelos blogues descobri a receita perfeita de molotof. Experimentei,
uma, duas, três vezes. Correu sempre bem, dando-me esta satisfação indizível de
ter, por fim, vencido uma luta que julgava perdida. O facto de o ‘meu’ molotof
ser mais conseguido do que a progenitora do meu consorte também terá contribuído
para este sentimento de vitória mas eu não seria capaz de uma coisa dessas. Ou seria?
Ingredientes para um molotof volumoso
14 claras de ovos
14 colheres de sopa de açúcar
Açúcar para o caramelo (a gosto)
Preparação
Pré-aquecer o forno a 200º.
Barrar muito bem uma forma de bolo com margarina. A seguir, o caramelo. Como
não gosto do caramelo de compra e desconfio quase sempre de coisas
pré-confeccionadas quando as posso fazer eu, faço sempre o caramelo para
qualquer bolo e nunca uso o de compra. Numa frigideira colocar açúcar. Para
este molotof terei posto umas dez colheres. Levar a lume médio, mexendo sempre.
Quando ficar dourado acrescentar um pouco de água, umas duas colheres de sopa,
e continuar a mexer. Ir repetindo a operação até o caramelo atingir a
consistência desejada. Não deve ficar muito espesso, irá solidificar assim que
começar a arrefecer e fica impossível de adicionar às claras.
Agora as claras. Bater muito bem
as claras. Quando estiverem já em castelo acrescentar o açúcar pouco a pouco.
Bater sempre muito bem entre as adições de açúcar. Por fim, envolver o
caramelo. Deitar na forma e bater com a forma na bancada da cozinha ou na mesa
para deixar sair o ar e não haver bolhas ao cozer. Levar ao forno 14 minutos
exactos. Desligar o forno e pôr uma colher de pau na porta para a deixar
entreaberta apenas. Deixar arrefecer dentro do forno e só depois desenformar. Caso
seja necessário fazer mais caramelo e deitar por cima ou outro molho como doce de ovos.
Dicas:
- A quantidade de claras dita o tempo de forno e a quantidade de açúcar na mesma proporção. Assim, se tivermos dez claras, devemos adicionar dez colheres de sopa de açúcar e o molotof deve ficar dez minutos no forno.
- Deixar amornecer o caramelo e só depois envolve-lo nas claras.
- Bater as claras em castelo bem firme.
- Deixar arrefecer o molotof no forno. Não o retirar nem abrir totalmente a porta do forno enquanto estiver quente.
Não sei onde encontrei esta
receita mas agradeço à blogger que a postou. Infalível.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Manjar branco e o consolo da memória
Memória. Sem a memória somos
nada. A memória é o cadinho onde se encontram e se misturam as vivências e
delas sai quem somos, o que fomos e o que seremos. O elo que permite que
passado e presente se unam. Saborear, provar, comer, degustar é não raras vezes
um exercício de memória, um retorno aos momentos felizes e a sabores que encerram
memórias gratas de um tempo que se reconstrói pleno. Manjar branco estará para
sempre associado à minha tia. Correria o mês de Maio e por obra da coincidência
passaríamos esse seu aniversário com ela. Quando chegámos tinha uma sobremesa
nova, a receita dada por alguém, e que ela replicou na perfeição, acredito até
que melhor que o original. As proporções de açúcar ultrapassavam sempre as
desejadas. A minha tia, quem sabe para a compensar da vida que teve, gostava
dos doces bem doces e jamais pouparia em açúcar. Aquele doce de sabor delicado
mas intenso agarrou-se-me à memória, o elo grato entre o que fui e o que sou.
Quando no Dorie às sextas a
proposta era um manjar branco regressou a memória da minha tia. Secretamente
pensei que a Dorie seria incapaz de igualar o manjar branco da minha tia e
confirmei as diferenças. Eram muitas. Não era confeccionado com leite de coco e
também não havia ameixas secas. Por seu lado, a minha tia era rapariga para
eliminar as framboesas sem cerimónias, demasiado ácidas, já se sabe, e carregar no açúcar.
Neste triângulo, a Dorie, a minha tia e eu, resolvi experimentar o meu próprio
manjar. Demasiado tranquila para algo muito elaborado e preocupada com a
quantidade de natas da Dorie e de açúcar da minha tia optei por uma versão
light, a léguas de distância das duas versões. Qualquer semelhança é apenas
coincidência, mas quem disse que não se pode inventar e recriar de vez em quando?
Ingredientes
Manjar branco
1 lata de leite condensado (usei
light)
4 iogurtes naturais magros (pus
Sveltesse)
½ embalagem de créme fraiche
8 folhas de gelatina transparente
Coulis de framboesa
2 chávenas de framboesas (usei
congeladas)
½ chávena de açúcar
Sumo de meio limão (pequeno)
Framboesas frescas
Preparação
Demolhar as folhas de gelatina. Bater
o leite condensado com os iogurtes. Diluir as folhas de gelatina numa tigela
com um pouco de água a ferver. Deixar arrefecer um pouco e deitar uma concha do preparado
de leite condensado nas folhas de gelatina. Mexer muito bem e a pouco e pouco
adicionar no resto do leite condensado. Por último, juntar as natas. Deitar
numa forma, usei uma de silicone, e levar ao frigorífico de um dia para o outro.
Coulis de framboesa
Levar ao lume numa caçarola as
framboesas com o açúcar e o sumo de limão. Deixar ferver uns quinze minutos até engrossar. Deixar
arrefecer e reservar.
Pôr a forma dentro de um
recipiente com água quente e desenformar o manjar. Verter o coulis por cima e decorar com as
framboesas frescas.
Esta versão do manjar branco é
muito diferente, digamos que é a versão abreviada, ou esqueçamos que é manjar
branco mas resulta muitíssimo bem nestes dias de Verão e de calor. Para quem não gosta de versões light pode
aventurar-se na opção sem restrições e ainda enriquecer a receita com uns
deliciosos iogurtes gregos.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Agosto num naco de carne
Agosto. Agosto e Janeiro. Janeiro
porque é frio, cinzento, um mês de espera longa de dias breves e céu opaco que
repousa como um manto cinzento, pesado. E o frio. E o nada acontecer. Uma
sequência de minutos, horas, dias, semanas a fio sem que nada se faça se não
esperar a alvorada e o dealbar de um tempo de esperança.
Agosto porque foi sempre mês de
demoras longas e ausências dilatadas. Que chegasses. Que tivesses tempo, vontade
para aproveitar a vida que se passeava a teu lado sem que reparasses,
ensombrado por afazeres imperiosos que me colocavam em espera, a nós em
suspenso. Janeiro virá, Janeiro de esperas longas. Espreito o fim de tarde e
vejo a tarja de mar que me acompanha sempre que me abeiro da cozinha, a tarja
de mar cinzento, azul, prateada ao pôr-do-sol, mutante ao longo do ano e vou
agradecendo a graça deste Agosto contigo. Prazeres pequenos inconfessáveis,
coisas só nossas, cumplicidades que não permitem palavras. Chamas-me de lá de
fora enquanto juntos respiramos a tarde que se abandona lentamente nos braços
da noite. Chamas-me para ver o luar de Agosto que se adivinha Vem ver a lua! e eu vou e sei que hei-de
ter saudades deste Agosto.
Naco de carne com gratinado de cogumelos
Ingredientes
Três nacos de carne de vaca para
assar com cerca de três dedos de altura
250g de cogumelos (usei brancos
mas fica melhor com shitake ou Portobello)
½ pacote de natas
2 gemas de ovos
Queijo Parmesão
Alho
Cebolinho
Azeite
Sal e pimenta preta acabada de
moer
Preparação
Temperar os nacos de carne com
sal e pimenta preta acabada de moer. Lavar os cogumelos e parti-los em quartos.
Numa frigideira quente, deitar um fio de azeite e uma noz pequena de margarina e
saltear os cogumelos. Quando estiverem quase prontos deitar o alho picado.
Deixar saltear mais para cozinhar o alho sem queimar e, por fim, temperar com
sal e pimenta. Reservar.
Aquecer muito bem uma frigideira
antiaderente, deitar azeite e selar a carne. Deixar ficar no ponto desejado.
Como éramos três com gostos diferentes, dois nacos ficaram mais bem passados e
um ficou mal passado. Passar os nacos para uma assadeira ou um prato que possa
ir ao forno.
Bater o meio pacote de natas até
ficarem firmes, juntar as duas gemas de ovos e mexer. Deitar por último o
cebolinho cortado, usei uma tesoura de ervas aromáticas. Colocar os cogumelos
neste preparado e envolver tudo.
Com uma colher de sopa deitar a
mistura de cogumelos e natas por cima de cada naco de carne. Polvilhar com
parmesão acabado de ralar e levar ao forno a gratinar. O tempo de cozedura no
forno depende mais uma vez do gosto de cada um. Neste caso esteve apenas o
suficiente para gratinar mas como o forno não estava muito quente terão sido uns
quinze minutos
Este prato é indicado para os
carnívoros empedernidos e faz grande sucesso cá em casa. Embora tenha a mania
das invenções na cozinha quase segui à risca esta receita do Gordon Ramsay que,
tal como o naco de carne com gratinado de cogumelos, faz grande sucesso cá em
casa. Acompanhei com beringela e tomates italianos grelhados e foi regado com
Mateus Emotions numa mesa bem-disposta e coroada de carinho com a luz de Agosto
a entrar-nos pela vida.
Etiquetas:
o pecado da carne
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Bolo de pêssegos e o dia sem dieta
Quando se juntam numa mesma
criatura o prazer da mesa, a tendência para acumular por várias partes do corpo
tudo o que se ingere, sim, ela existe, não é mito e não me venham com os
conselhos sobre como comer que a minha prática daria uma equivalência em qualquer
curso de nutricionismo, o deleite da cozinha e, para rematar, a idade, o
resultado é não raras vezes um conflito bélico onde numa só e desesperada pessoa
os quatro andam à estalada. Quando fui às compras de manhã precavi-me e forneci-me
de uns belos pêssegos aromáticos dos que largam o caroço e uma base de massa
folhada. Apetecia-me um doce e meti na cabeça repetir a tarte tatin mas desta
vez de pêssego. Antes da hora do almoço e enquanto preparava o dito continuou a
apetecer-me muito uma sobremesa. Acontece que o meu grilo falante deu-me mais
uma preleção sobre os assuntos do costume: a idade, as ancas imensas, o peso,
blá blá blá. Resisti a tudo o que tinha trazido do supermercado. À hora do
almoço voltei a lembrar-me de que não havia nada para rematar a refeição
tranquila de Domingo, dia por excelência de preguiças várias. No fim do almoço,
senti-lhe a falta, declarei alto e bom som que Domingo passaria a ser o ‘no
diet day’ doravante e umas horas depois abalancei-me na cozinha e derrotei este
malvado conflito sem saber quem derrotei afinal. Vencida, deitei mãos à obra.
Por aquela hora já não me apetecia a tarte tatin e resolvi-me por uma invenção:
em vez da folha de massa folhada, fiz um bolo, inspirada no opíparo bolo de
bananas da minha mãe e que é o meu bolo de aniversário há uma década bem medida
e derramei a massa sobre a mistura do caramelo e dos pêssegos. O resultado é o
que se vê. Ficou muito bom, com o equilíbrio perfeito entre os vários sabores:
o doce do caramelo e o ácido dos pêssegos rematado com a textura suave do bolo,
no ponto exacto. Não devia ter experimentado, fiquei com vontade repetir. Xô,
grilo falante! Vade retro, bicho malvado!
Bolo de pêssegos e caramelo
Ingredientes
Para o caramelo:
150 g de açucar
50 g de margarina
Para o bolo:
250 g de açúcar
200 g de farinha
150 g de margarina
5 ovos
Pêssegos a gosto
Vinho do Porto branco
Preparação
Começar por descascar os pêssegos
e cortá-los em oitavos. Dispor numa frigideira de 28 cm com o açúcar e a
margarina. Reservar. Entretanto preparar a massa do bolo: amolecer a margarina,
juntar o açúcar e bater até ficar um creme. Adicionar os ovos um a um continuado
a bater com a batedeira e, por fim, acrescentar a farinha. Reservar.
Levar a frigideira com os
pêssegos ao lume e deixar o açúcar caramelizar. O processo é lento, contudo, a caramelização é rápida. Quando estiver caramelizado,
borrifar com Vinho do Porto branco e retirar do lume. Deitar a massa do bolo
por cima e levar ao forno pré-aquecido a 190º cerca de vinte minutos. Deixar
arrefecer e servir. Esta é a técnica da tarte tatin mas desta vez apeteceu-me variar com massa de bolo. Podem usar-se outras frutas, maçãs,
alperces, ananás ou banana, assim. mandem o gosto e a imaginação.
Depois de tanto tempo ausente, eis-me de volta.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
domingo, 22 de julho de 2012
Muffins de azeitonas com cebolinho em boa companhia
Escrever num blogue de culinária não é escrever como em qualquer outro blogue. Não vive da actualidade, vive apenas parcialmente das nossas vidas, uma parte pequena que no meu caso tem sido devorada pelo dealbar de uma vida que se prevê muito diferente e uma série de alterações que mais parecem a montanha-russa. Felizmente nada de grave. Há alturas em que muito muda e esta parece ser uma delas.
Escrever num blogue de culinária só vale a pena se trouxer algo de novo, e requer um espírito diferente. Não me basta uma imagem ou uma frase ou um texto apenas. Tal como na cozinha, gosto de textos suculentos que nos deixem saborear substantivos e sentir o perfume dos adjectivos. Tal como na cozinha, eles nem sempre surgem e tenho-os visto recolherem-se atrás das hortênsias. Não adianta correr para os apanhar. São fugidios como os gatos e um gesto mais brusco resulta num repuxo de palavras que não consigo apanhar. Tem sido assim.
Neste últimos tempos tenho cozinhado, experimentado algumas coisas, mas tem-me faltado o momento em que depois de confeccionado, provado e aprovado me deixo vaguear entre as palavras.
Hoje foi, pois, o dia de quebrar o jejum e regressar aqui. Uma duplicação de uma receita já aqui publicada com algumas alterações: apostei nas azeitonas e cebolinho e iogurtes naturais magros em vez do buttermilk e não me arrependi. A textura melhorou significativamente e o sabor da farinha de milho ficou mais ténue. Fi-los para um almoço de amigos, tão chegados que são família e tenho a certeza de que a boa companhia me terá ajudado ao regresso a estas palavras. São uma dupla imbatível: amigos e comida. A vida é sempre melhor quando se tem alguém com quem a partilhar. Tal como a comida.
Muffins de azeitonas com cebolinho
Ingredientes
1 1/2 chávena de farinha de trigo com fermento
1/2 chávena de farinha de milho
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
sal a gosto (refinado)
pimenta preta acabada de moer
2 iogurtes naturais magros (usei marca branca Continente)
5 colheres de sopa de azeite
1 ovo
azeitonas
cebolinho
Preparação
Pré-aquecer o forno a 190º. Numa tigela juntar os ingredientes sólidos e reservar. Numa outra tigela bater com uma vara de arames os iogurtes, o azeite e o ovo. Incorporar nos ingredientes sólidos com uma espátula de silicone. Adicionar cebolinho cortado em pedacinhos pequenos, usei uma tesoura de ervas aromáticas e, por fim, as azeitonas também em pedaços pequenos. Podem também usar-se azeitonas em rodelas. Envolver com cuidado mas sem bater.
Com um colher de gelado, deitar uma porção nas formas de silicone e levar ao forno cerca de 20 minutos. Ei-los:
Variações: fiz duas receitas e na primeira pus bacon e orégãos. No meu plano de intenções estão pedacinhos de salmão e talvez coentros. Numa outra altura.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Tarte tatin de alperces e o veredicto final
Os antigos explicaram muito bem essa pulsão, pulsão? Não deve ser pulsão, mas esse sentimento subliminar de os filhos quererem casar com as mães, as raparigas quererem casar com os pais. Não sei contudo se terão explicado o enlevo e protecção que se direcciona das mães para os filhos homens e dos pais para as filhas mulheres, se bem que estes últimos são mais fáceis de explicar, os anteriores carecem de explicação outra que não seja uma ciumeira desalmada daquela outra marmanja que vem roubar a atenção primeira e única que os meninos dedicam às suas mães, mesmo quando já são barbados e têm vidas independentes. E tudo isto é muito pior se a marmanja a quem o miúdo barbado entregou o coração e a gestão de meias e cuecas souber cozinhar. Foi o que me aconteceu. Não que o filho que não tenho se entregasse a uma galdéria com manias de chef. O filho da minha sogra é que se entregou a uma dessas com ar de quem não dá uma para a caixa mas que gosta de cozinhar. Custaram-me muitos anos, e quantos, e alguns cozinhados para que ela proferisse um Está bom! Devia ter assinalado esse dia no calendário e decretá-lo o meu próprio e pessoal feriado, uma verdadeira vitória que se não fosse por puro pudor teria pedido para repetir mais alto Como? Nos dias que correm lá vou conseguindo um sorriso e esporadicamente um elogio. Já o meu sogro é mais imediato e generoso nos comentários e tem um palato apurado. É um bom garfo e repara nos detalhes. Acontece portanto que sempre que cá vêm ou sempre que lá vamos não facilito nas iguarias e esta mania da perfeição que me assiste a espaços transforma-se no peso que, qual Atlas, transporto cozinha afora e cozinhados adentro. Desta vez e aproveitando a época dos alperces, provavelmente a melhor fruta do mundo, sou doida pela polpa carnuda, o sabor meio acre e a cor alaranjada, resolvi fazer uma tarte tatin de alperces. Éramos seis adultos à mesa e um adolescente. E esperei o veredicto. Três disseram que estava óptimo, três não disseram coisa nenhuma e outro não comeu. Quem terá dito o quê?
Tarte tatin de alperces
Ingredientes
125 g de açúcar
50 g de margarina
1 embalagem de massa folhada
refrigerada
Alperces (deitei a olho, mas
foram muitos)
Preparação
terça-feira, 5 de junho de 2012
Cookies de chocolate e a festa derradeira
Era baixo, louro, adorava futebol, era tímido e discreto, provavelmente o mais velho da turma mas terá sido ele que algures perto do Natal sugeriu que se fizesse uma festa. Aproveitei a ocasião para os apresentar aos costumes gatronómicos alemães em tempo de Natal e não correu mal. Nessa festa houve Lebkuchen, Spekulatius de canela e umas Stollen pequenas, a única iguaria alemã que cá chega. Trouxe para a casa os Lebkuchen. Ainda os havia por cá quase um ano depois mas dos Spekulatius nem migalha. Aprovados.
Depois desse dia de Dezembro tardio e frio, em que, desconfiada, achei que não haveria festa nenhuma e que os alunos presentemente não ligavam a festas que envolvessem aulas e professores, instituiu-se, para meu grande espanto, na minha turma de Alemão, a festa de final de período. E assim foi durante estes dois últimos anos.
Uns dias antes, às vezes na véspera, surge a pergunta sacramental, uma semi afirmação à espera da minha confirmação Então e a nossa festa? Stora, temos de fazer a nossa festa! Chegado o dia, cada um traz o que tem ou o que se lembrou, às vezes quotizam-se para comprar bebidas e outras trazem bolos caseiros feitos por elas. Acontece que este ano em vez de ir a correr comprar tudo pronto a comer, abalancei-me a fazer-lhes uns cookies de chocolate. A primeira vez adoraram, a segunda idem e hoje quando lhes perguntei Então e amanhã, querem outros biscoitos ou faço os de chocolate? A resposta não podia ser mais convicta: Não, stora, os de chocolate! Sorrisos largos com a leveza de quem tem o mundo pela frente. Largaram uns comentários elogiosos aos pequenos rochedos de chocolate e foram-se com a urgência de quem tem o mundo à espera. Num bocado de tarde entre uma e outra tarefa profissional, adentrei a cozinha e fiz os tão desejados cookies de chocolate para mais uma festa, desta vez a derradeira. Amanhã é a última aula. Terão sido por isso os últimos que lhes fiz e amanhã estarei forte como sempre me conheceram: de aparência robusta como os meus cookies de chocolate e no meio suave e frágil, como eles também. Também somos o que cozinhamos. Quando tiverem saído apanharei silenciosa as minhas próprias migalhas.
Uns dias antes, às vezes na véspera, surge a pergunta sacramental, uma semi afirmação à espera da minha confirmação Então e a nossa festa? Stora, temos de fazer a nossa festa! Chegado o dia, cada um traz o que tem ou o que se lembrou, às vezes quotizam-se para comprar bebidas e outras trazem bolos caseiros feitos por elas. Acontece que este ano em vez de ir a correr comprar tudo pronto a comer, abalancei-me a fazer-lhes uns cookies de chocolate. A primeira vez adoraram, a segunda idem e hoje quando lhes perguntei Então e amanhã, querem outros biscoitos ou faço os de chocolate? A resposta não podia ser mais convicta: Não, stora, os de chocolate! Sorrisos largos com a leveza de quem tem o mundo pela frente. Largaram uns comentários elogiosos aos pequenos rochedos de chocolate e foram-se com a urgência de quem tem o mundo à espera. Num bocado de tarde entre uma e outra tarefa profissional, adentrei a cozinha e fiz os tão desejados cookies de chocolate para mais uma festa, desta vez a derradeira. Amanhã é a última aula. Terão sido por isso os últimos que lhes fiz e amanhã estarei forte como sempre me conheceram: de aparência robusta como os meus cookies de chocolate e no meio suave e frágil, como eles também. Também somos o que cozinhamos. Quando tiverem saído apanharei silenciosa as minhas próprias migalhas.
Cookies de chocolate
Ingredientes
250 g de farinha com fermento
90 g de chocolate em pó
1 colher de sopa de fermento
100 g de açúcar
100 g de flocos de aveia.
200 g de margarina
1 ovo
100 g de chocolate culinário
Preparação
Pré-aquecer o forno a 180º. Derreter a margarina e deixar arrefecer um pouco. Misturar os ingredientes secos numa tigela larga. Adicionar a margarina derretida e envolver bem. Juntar por fim o ovo inteiro e o chocolate cortado em pedaços pequenos. Fazer bolinhas pequenas e levá-las o forno num tabuleiro forrado com papel vegetal cerca de 15 minutos.
sábado, 2 de junho de 2012
Biscotti de avelãs e limão e os caminhos do amor
Se há coisa que faço mal é cortar
pão. Por muito que me esforce, tal como confessado aqui, sou incapaz de cortar
uma fatia de pão como deve ser. Sai sempre mais grossa no final do que no início
ou vice-versa, às vezes com um recortado que nem sei muito bem como consegui e
outras com um pedaço a mais ou a menos. Peçam-me outras coisas que serão feitas
com mais perfeição mas caso ousem pedir-me essa tarefa tão mundana e
aparentemente tão simples saibam que correm o risco de sair algo parecido com
uma fatia de pão mas jamais uma fatia de pão direita e perfeita. Na verdade
esta falta de jeito também me assiste no que ao pão-de-ló diz respeito e a
outros bolos assim fofos. Nada a fazer
portanto. Nem eu sei explicar o que corre mal mas se puder correr mal certamente
correrá, a lei de Murphy aplicada à minha total incompetência em cortar uma
simples fatia de pão.
Quando esta semana a proposta do
grupo Dorie às Sextas me surpreendeu com uns Biscotti de Amêndoa, e depois de
lido e escalpelizado o modo de confecção, eis que se me colocava o desafio dos
desafios: os danados dos biscotti,
além de irem duas vezes ao forno, daí o nome biscotti e de engordarem, já se sabe, tinham de ser cortados,
valha-me Zeus e Gargântua, cortados como se corta pão, com faca de serrilha e o
rigor que se deve dar a tudo o que se quer belo para ser apetitoso. Os olhos
comem, ó se comem.
E enquanto estava aqui nesta conversa, sinto o
alerta das gatas, de orelhas perfiladas e olhar concentrado, e ouço a chave na
porta. Era ele. Só podia. Só podia ser o meu consorte. Estou safa, pensei. Nada disto teria interesse caso não fosse ele,
ao contrário de mim, um mestre na arte de bem cortar pão. Disse-lhe Preciso da tua ajuda. Ele entra na
cozinha, olha para os dois troncos que haviam de se de transformar em biscotti com desconfiança. Ninguém diria
que daqueles pedaços de massa informe e de tonalidades esbranquiçadas sairia
algo agradável. Explico-lhe o procedimento e ele supervisiona a tarefa,
dando-me conselhos e dicas. Eu sabia que estava safa. O amor faz milagres, já
se sabe. Até nos meus biscotti de
avelãs e limão.
Biscotti de avelãs e limão
Ingredientes
A escolha dos ingredientes obedeceu
ao critério único do que havia disponível cá em casa. Não havia farinha de
milho, mas havia farinha de trigo. Não havia amêndoas, mas havia avelãs. Não
havia essências de coisa nenhuma, nunca há cá em casa, mas havia uns enormes e
voluptuosos limões vindos directamente com todo o carinho do limoeiro dos vizinhos
e que esperavam o momento certo para mostrar do que são feitos limões saloios,
região por excelência de limoeiros frondosos e exuberantes, orgânicos e
tratados com a calmaria do campo.
1 chávena de açúcar
2 chávenas de farinha de trigo
com fermento
1 chávena mal cheia de gérmen de
trigo
100 g de margarina
3 ovos
¾ de chávena de avelãs
Raspa de dois limões.
Preparação
Ligar o forno a 175º. Derreter levemente
a margarina. Numa tigela larga deitar o açúcar e a raspa de dois limões. Com
uma espátula misturar o açúcar e a raspa de limão. Juntar a margarina morna e
bater com a batedeira até ficar um creme esbranquiçado. Adicionar os ovos um a
um e, por fim, deitar a farinha de trigo, depois o gérmen de trigo. O gérmen de
trigo foi uma solução de recurso porque a massa estava demasiado mole para ser
moldada. Com uma espátula envolver as avelãs.
Num tabuleiro de forno e sobre
uma folha de papel vegetal dividir a massa em dois rectângulos longos mas
estreitos. Levar ao forno durante cerca de 15 minutos. O tempo de cozedura é
muito importante. A massa não deve ficar demasiado cozida. Retirar do forno,
colocar sobre uma outra superfície, usei uma simples tábua de cozinha, e
esperar uns vinte minutos, até ficar quase frio. Cortar em fatias e levar ao
forno mais 15 minutos.
Etiquetas:
biscoitos,
dorie às sextas
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Biscotti Teaser
Etiquetas:
biscoitos,
dorie às sextas
sábado, 26 de maio de 2012
Prazeres da vida e uns brigadeiros de coco
Chegada a minha vez esperava-me o
médico que já vira várias vezes, de sorriso e braços abertos, é bom ter médicos
que nos tratam bem, e a quem confiei várias vezes a tarefa de supervisionar o
meu peso. De todas as confissões anteriores havia uma que se me tinha escapado,
talvez porque nunca a considerei muito importante ou apenas porque a tenha
sentido uma parte de mim, tão intrínseca como o cabelo selvagem ou os modos
abruptos quando o humor se me enche como maré alta e rebenta em vagas furiosas.
E sem saber por quê acabei por lhe dizer Sabe,
doutor, é que eu gosto muito de cozinhar. Ele riu-se e respondeu Mas pode, cozinhar pode… ao que concluí Pois, não posso é comer. Ora acontece, como já terei confessado por aí, que cozinhar e o prazer da mesa andam de mãos dadas
para mim, e admito que tenho uma certa desconfiança por quem depenica comida e
a olha o prato à sua frente com ar de enfado ou náusea. Gente estranha.
Associo sempre o prazer de comer aos prazeres da vida. Acontece ainda que se
tiver convidados cá em casa tenho um medo incontrolável de que a comida não
chegue e que os comensais se entreolhem com o estômago a reclamar e mentalmente
me dirijam impropérios por tamanha frugalidade ou avareza ou incapacidade de
calcular quantidades. Outras vezes não é apenas a quantidade que se me ataca, é
a diversidade. Detesto refeições monótonas em dias de festa, refeições onde não
há escolha e não se pode saltitar entre os folhadinhos de farinheira e os
triângulos de chouriço ou entre a mousse de abacate e o bolo de chocolate. Foi
exactamente por isto que depois de ter decidido a ementa de aniversário da
minha mãe, atendendo aos seus pedidos e gostos e que cumpriria escrupulosamente, achei que faltaria algo doce para
mesclar com o sabor meio acre do café no fim da refeição. Deitei mãos à obra e depois de umas
voltas pela net para inspiração, nada, nos dias que correm, é totalmente
inovador, lembrei-me de fazer brigadeiros de coco. O prazer de cozinhar que me
cutucou outra vez e a necessidade vital da escolha e da diversidade. E
provei-os evidentemente. Eu avisei que estava tudo ligado.
Brigadeiros de coco
Ingredientes
1 ½ lata de leite condensado
2 colheres de sopa de margarina
200 g de coco + coco para envolver os
brigadeiros.
1 cálice pequeno de whisky
Preparação
Num tacho deitar o leite condensado,
o coco e a margarina. Levar a lume brando mexendo sempre para não deixar
queimar e envolver bem os ingredientes. Juntar o whisky e continuar a mexer até
fazer estrada no tacho.
Deitar de seguida num recipiente e deixar
arrefecer. Depois de morno ou frio enrolar bolinhas e envolvê-las no coco ralado. Levar
ao frigorífico. Uma meia hora antes de servir retirar do frigorífico para reganhar sabor e melhorar a textura.
Todos comeram e ninguém se queixou.
Todos comeram e ninguém se queixou.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
sábado, 19 de maio de 2012
Fruta da época e uma mousse de morangos
Gosto de me ver como uma não nostálgica com a mania de que o passado deve ficar arrumado lá onde acomodamos com carinho o que já nos serviu, o que fez de nós quem somos mas que deve repousar no berço das coisas adormecidas, embalado por memórias felizes de tempos que não voltam. Gosto de olhar para mim como alguém que olha para a frente, mais para a frente e muito pouco para trás. Acontece que entre o que achamos que somos e o que somos na realidade existe um hiato. Dias há em que pensamos que o conseguimos resolver e outros em que o sentimos como um rio intransponível e a outra margem, a margem que achamos que somos, incapaz de ser alcançada. Acontece muito.
Fui chamada ao passado pelos morangos quando um destes dias me cruzei com eles nos meus afazares domésticos. Carnudos, vermelhos e aromáticos são um festim para esta que come com os olhos e tem faro de perdigueira, uma falta a que não sei fugir, e fiquei incrivelmente nostálgica dos tempos em que havia fruta da época anunciada nos menus dos restaurantes, porque na verdade a única fruta disponível era a da época.
Nesses tempos, a fruta da época abria sempre um novo ciclo e a espera por esses momentos era feita com labor e ansiedade, a felicidade suprema quando os primeiros frutos surgiam nas bancas da praça, sem formatações nem brilhos adicionados, com os defeitos com a que a natureza os tinha parido. Laranjas e maçãs eram sempre fruta de Inverno, de recolhimento, aquecedores e humidade, e manhãs de nevoeiro gótico por aqui onde o sol se enchia de caprichos de fêmea e fazia aparições esporádicas de diva dominadora. Uvas eram fruta de Outono, o indício de que um tempo acabara. O tempo das tardes e noites longas, de roupas leves e corpos soltos. Um ciclo de inconsequências e felicidades efémeras, a transitoriedade do que se quer eterno chegara ao fim. Antes das uvas e das laranjas e maçãs, havia morangos e depois dos morangos, os pêssegos e as ameixas coroadas com o zénite do Verão. Os morangos marcavam o início do tempo quente, como eu gosto, a alvorada do sonho e a promessa de levezas várias, despreocupações múltiplas de corpos ao sol, tisnados de salgadiço, perfumados de maresia e beijados longamente pelo sol em tardes sem fim no areal imenso que me viu crescer. Que saudades do tempo dos morangos. Desse tempo de morangos. Do meu tempo de morangos.
Nesses tempos, a fruta da época abria sempre um novo ciclo e a espera por esses momentos era feita com labor e ansiedade, a felicidade suprema quando os primeiros frutos surgiam nas bancas da praça, sem formatações nem brilhos adicionados, com os defeitos com a que a natureza os tinha parido. Laranjas e maçãs eram sempre fruta de Inverno, de recolhimento, aquecedores e humidade, e manhãs de nevoeiro gótico por aqui onde o sol se enchia de caprichos de fêmea e fazia aparições esporádicas de diva dominadora. Uvas eram fruta de Outono, o indício de que um tempo acabara. O tempo das tardes e noites longas, de roupas leves e corpos soltos. Um ciclo de inconsequências e felicidades efémeras, a transitoriedade do que se quer eterno chegara ao fim. Antes das uvas e das laranjas e maçãs, havia morangos e depois dos morangos, os pêssegos e as ameixas coroadas com o zénite do Verão. Os morangos marcavam o início do tempo quente, como eu gosto, a alvorada do sonho e a promessa de levezas várias, despreocupações múltiplas de corpos ao sol, tisnados de salgadiço, perfumados de maresia e beijados longamente pelo sol em tardes sem fim no areal imenso que me viu crescer. Que saudades do tempo dos morangos. Desse tempo de morangos. Do meu tempo de morangos.
Mousse de morangos
Ingredientes
1 lata de leite condensado
1 lata de leite condensado
4 iogurtes gregos naturais sem açúcar (usei marca branca)
6 folhas de gelatina
500 g de morangos + morangos a gosto
Bolacha torrada
Preparação
Demolhar as folhas de gelatina em água fria. Lavar os morangos e reduzi-los a puré numa liquidificadora. Bater o leite condensado com os iogurtes. Juntar o puré de morangos. Derreter as folhas de gelatina em água a ferver e incorporá-las depois de bem diluídas no preparado anterior. Deitar tudo numa taça e adicionar por cima morangos cortados em cubos pequenos. Levar ao frigorífico de um dia para o outro. No momento de servir, moer bolacha torrada a gosto e espalhar por cima.
Demolhar as folhas de gelatina em água fria. Lavar os morangos e reduzi-los a puré numa liquidificadora. Bater o leite condensado com os iogurtes. Juntar o puré de morangos. Derreter as folhas de gelatina em água a ferver e incorporá-las depois de bem diluídas no preparado anterior. Deitar tudo numa taça e adicionar por cima morangos cortados em cubos pequenos. Levar ao frigorífico de um dia para o outro. No momento de servir, moer bolacha torrada a gosto e espalhar por cima.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

